- Solana soma cerca de 192,1 mil carteiras com ações tokenizadas
- BNB Chain registra 63,2 mil holders e Ethereum aparece com 36,8 mil
- Salto de adoção começou em novembro de 2025 e seguiu até maio de 2026
A Solana consolidou a liderança no mercado de ações tokenizadas e reúne cerca de 192,1 mil carteiras com esse tipo de ativo on-chain. O número representa aproximadamente 64% de toda a participação registrada nas principais blockchains que hospedam equities tokenizadas.
Os dados, compilados pela Token Terminal, mostram uma vantagem ampla sobre concorrentes diretos. A BNB Chain aparece em segundo lugar, com cerca de 63,2 mil endereços. O Ethereum, historicamente associado à tokenização de ativos do mundo real, fica em terceiro, com 36,8 mil carteiras.
A curva de crescimento ganhou tração a partir de novembro de 2025. De lá para cá, o volume de holders na Solana saltou em ritmo bem mais agressivo do que o das redes rivais, atingindo máximas em maio de 2026.
Por que a Solana disparou
Dois fatores explicam a concentração. O custo médio por transação na rede continua na casa de frações de centavo, e a finalização ocorre em poucos segundos. Para quem opera ações tokenizadas em horários de pico, isso significa execução próxima do tempo real e taxas que não corroem a operação.
O perfil é especialmente atrativo para o investidor de varejo. Plataformas como Backed Finance, Ondo e xStocks priorizaram o ecossistema Solana justamente porque a base técnica suporta liquidação rápida sem a fricção dos rollups do Ethereum, onde o usuário ainda precisa pagar gas em ETH e lidar com pontes.
O Ethereum não está fora do jogo apenas opera num público diferente. A rede continua dominante em RWAs institucionais de maior ticket, como títulos do Tesouro tokenizados pela BlackRock e fundos da Franklin Templeton. A Solana, em contrapartida, virou o terreno do investidor pessoa física buscando exposição a Apple, Tesla ou Nvidia diretamente em carteira não-custodial.
Contexto regulatório e o mercado brasileiro
A expansão acontece em paralelo a uma mudança de postura nos Estados Unidos. A SEC vem sinalizando abertura para um regime específico de equities tokenizadas, conforme adiantamos na cobertura sobre a isenção em estudo para exchanges cripto. Caso o framework saia do papel, a curva de adoção tende a inclinar ainda mais.
No Brasil, o cenário é diferente. A CVM mantém o sandbox regulatório e classifica tokens que replicam valores mobiliários como ativos sujeitos à mesma regra das ações tradicionais. Plataformas locais que oferecem exposição sintética a papéis estrangeiros operam sob esse arcabouço, e nenhuma utiliza Solana como camada principal até o momento. A liderança vista on-chain reflete, portanto, demanda de mercados onde o produto já chegou ao varejo sobretudo Ásia, Europa Oriental e América Latina hispânica.
O contraste com outros segmentos da Solana também chama atenção. Enquanto memecoins perderam volume após a mudança da Pump.fun para pares em USDC, a tokenização de ações apresenta crescimento orgânico e menos dependente de especulação de curto prazo.
O tamanho real do mercado
Apesar da expansão, o volume absoluto ainda é marginal frente ao mercado tradicional. As bolsas globais movimentam trilhões de dólares por dia. As ações tokenizadas, somadas em todas as redes, mal arranham alguns bilhões em capitalização.
A leitura, portanto, é de tendência não de domínio. Se a SEC avançar com a isenção e corretoras tradicionais aderirem ao modelo on-chain, a infraestrutura mais usada hoje sai na frente. SOL, nesse cenário, deixa de ser apenas uma rede de memecoins e ganha narrativa de gateway para ativos do mundo real algo que ETH explora há mais tempo, mas com público distinto.
O mesmo movimento se conecta a outras frentes de adoção institucional, como a integração da MoonPay com o ChatGPT para compra direta de cripto, que coloca Bitcoin, XRP e Solana no mesmo balcão de varejo digital.
Os dados completos da segmentação por rede podem ser consultados no painel da Token Terminal.