- AlejandroBTC vê topo em US$ 82 mil e projeta fundo na região de US$ 40 mil
- CryptoCon calcula que bear market atual está apenas 55% concluído após 216 dias
- CryptoRover lista três gatilhos que podem antecipar queda de até 65%
A recente recuperação do Bitcoin acima de US$ 82 mil pode ter sido apenas um respiro técnico dentro de um ciclo de baixa ainda em curso. Três analistas com forte audiência no X cruzaram dados de ciclos passados, derivativos e macroeconomia para chegar à mesma conclusão: o risco assimétrico continua apontando para baixo.
A leitura mais agressiva veio de AlejandroBTC, que classificou o movimento recente como um clássico dead cat bounce. No cenário que ele descreve como mais otimista, o topo do atual rali já teria sido formado acima de US$ 81 mil. A partir daí, o caminho seria uma correção da ordem de 50% até a região de US$ 40 mil, patamar que, para ele, funcionaria como base sólida para a próxima fase de acumulação.
Ciclo de baixa pela metade
Outro analista, CryptoCon, prefere olhar pela lente do tempo. Segundo seus cálculos, o atual bear market completou 216 dias dos 391 dias médios observados em ciclos anteriores. Em outras palavras, a fase de correção estaria apenas 55% concluída.
O drawdown máximo registrado até agora é de cerca de -52%, valor 25% acima da pior queda do ciclo passado. A leitura é direta: se a história servir de bússola, o Bitcoin ainda não tocou o piso típico que costuma marcar o fim de mercados de baixa anteriores. Esse argumento dialoga com o padrão pós-halving que parte do mercado vem monitorando.
Vale lembrar que o mesmo raciocínio cíclico já foi usado por Chiefy, que projetou alvo ainda mais baixo, perto de US$ 42 mil. A convergência entre projeções independentes reforça o desconforto técnico do momento.
Três gatilhos no radar
O analista CryptoRover elevou o tom ao afirmar que esta semana “pode marcar o topo do Bitcoin”. Ele recorreu ao histórico para sustentar a tese. Em 2014, padrão semelhante antecedeu queda de 65%. Em 2018, derretimento de 64%, e 2022, recuo de 52%.
Três catalisadores compõem o cenário negativo descrito por Rover. O primeiro é o open interest em derivativos. O Bitcoin registrou em 2026 o maior salto mensal de OI do ano, padrão repetido em altcoins enquanto traders correm atrás do movimento. Picos abruptos desse indicador costumam preceder cascatas de liquidação quando o preço inverte.
O segundo gatilho é institucional: a possível confirmação de um novo presidente do Federal Reserve nesta semana. Segundo Rover, toda transição na cadeira do Fed coincidiu historicamente com pressão vendedora no BTC. A leitura ganha peso com a expectativa em torno de Kevin Warsh, cotado para a função.
O terceiro fator é a euforia no mercado acionário americano. Enquanto índices renovaram máximas históricas recentemente, Bitcoin e altcoins seguem distantes dos próprios topos. Uma correção em ações tenderia a contaminar o setor cripto, que já vem performando abaixo da média do risco global.
O que muda para o investidor brasileiro
Para o investidor local, o cenário traz duas leituras práticas. Uma queda a US$ 40 mil levaria o Bitcoin a algo próximo de R$ 220 mil considerando o câmbio atual na casa dos R$ 5,50, patamar que apagaria boa parte dos ganhos acumulados desde o último halving. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso costumam registrar picos de volume justamente em movimentos dessa magnitude, principalmente em ordens de compra escalonadas.
O segundo ponto é regulatório. A CVM mantém postura cautelosa sobre alavancagem em produtos cripto oferecidos no varejo, e uma cascata de liquidações global pode acelerar discussões internas sobre limites para derivativos perpétuos via corretoras locais. Enquanto isso, fluxos institucionais seguem na direção oposta, a Strategy retomou compras com 535 BTC, sinalizando que o lado comprador institucional não compartilha do pessimismo dos analistas técnicos.
O contraste entre a tese baixista de curto prazo e o acúmulo corporativo aparece em diversos relatórios. A VanEck, por exemplo, manteve sua projeção de US$ 1 milhão em cinco anos mesmo diante da volatilidade.