- Jordi Visser identifica primeira divergência altista de RSI no Bitcoin desde dezembro
- Analista projeta BTC acima de US$ 70 mil se Fed mantiver juros em 29 de julho
- Cenário admite recuo até US$ 45 mil antes de superar US$ 100 mil em 12 meses
O investidor macro Jordi Visser afirmou ter identificado a primeira divergência altista de RSI no bitcoin desde o fim do ano passado, sinal que, segundo ele, reorganiza a leitura de curto prazo para o ativo. A cotação atual gira em torno de US$ 64.109, equivalente a cerca de R$ 328 mil, sem variação nas últimas 24 horas.
Veterano em análise macro e adepto da teoria de Elliott, Visser explicou que a divergência apareceu no gráfico de 4 horas quando o BTC perfurou os US$ 60 mil. O preço marcou nova mínima, mas o indicador de força relativa permaneceu acima do piso anterior descompasso clássico que costuma anteceder recuperações.
A leitura técnica de Visser
“Como trader, eu penso: agora posso comprar quando voltarmos acima de 60 e me proteger com stop abaixo das mínimas”, declarou o analista em entrevista pública.
Ele avalia que o Bitcoin está próximo do fundo do intervalo para os próximos 12 meses, embora não descarte um mergulho adicional até US$ 50 mil ou US$ 45 mil.
A convicção maior mora no horizonte mais longo.
“Vamos estar acima de 100 mil daqui a um ano? Sim”, disse. “Então tanto faz se comprei em 60 ou em outro nível.”
A postura ecoa a de casas como a Fidelity, que já colocou o ativo em zona de acumulação em torno de US$ 60 mil pelo modelo de power law.
Para onde foi o dinheiro em 2026
Visser admitiu ter subestimado o volume de capital que migraria para ações ligadas à inteligência artificial em detrimento do cripto. Ele citou a Micron, cuja ação, segundo o analista, multiplicou por vinte. “Não se vê isso em empresas grandes, e essa é uma empresa grande”, comentou. Startups sem ângulo de IA, na avaliação dele, tiveram dificuldade para atrair capital nos últimos doze meses.
Esse deslocamento coincidiu com o lançamento do Opus 4.5 em outubro e com a dissolução da expectativa de novos cortes de juros. No fim de setembro, o mercado precificava 150 pontos-base de afrouxamento até o meio de 2026 cenário que se inverteu para a hipótese de nova alta. A migração de capital para chips e memória já apareceu, inclusive, no fluxo de traders da Binance dobrando aposta em Micron e Sandisk.
Fed de 29 de julho decide o rumo
A próxima reunião do Federal Reserve, marcada para 29 de julho, carrega probabilidade entre 35% e 40% de alta de juros, segundo Visser. Ele diz que diretoria evita novo aperto e vê IA causando choque inflacionário breve antes de tendência deflacionária.
Se o Fed segurar a taxa, Visser projeta o Bitcoin negociado acima de US$ 70 mil patamar que exige valorização de aproximadamente 9% frente ao preço atual. O mercado, argumenta, retiraria dos preços qualquer aumento antes das eleições de meio de mandato nos EUA. A leitura conversa com a tese de Tom Lee sobre desinflação puxada por IA em 2026.
Bessent coloca cripto no centro do Tesouro
Visser destacou ainda um discurso recente do secretário do Tesouro Scott Bessent, no qual ativos digitais e stablecoins aparecem como peças centrais na estratégia da Casa Branca para redesenhar o papel dos EUA nas finanças globais. Essa direção conversa com o cronograma do GENIUS Act, que dá aos reguladores prazo até julho de 2026 para consolidar regras de stablecoins.