BlackRock recebe aval da SEC para ETF BITA com renda em Bitcoin

  • SEC aprovou em 15 de junho o iShares Bitcoin Premium Income ETF, da BlackRock
  • BITA vai operar com cobertura de opções sobre o IBIT e taxa anual de 0,65%
  • Estreia na bolsa está prevista para quinta-feira, segundo analista Eric Balchunas

A Securities and Exchange Commission deu sinal verde ao novo produto cripto da BlackRock e abriu caminho para a estreia de mais um veículo regulado de exposição ao Bitcoin na bolsa americana. O iShares Bitcoin Premium Income ETF, que vai operar sob o ticker BITA, teve a notificação de eficácia processada nesta segunda-feira, 15 de junho. O protocolo da gestora ocorreu três dias antes disso.

A diferença em relação ao já consagrado IBIT está na estrutura. O BITA não compra Bitcoin diretamente. Em vez disso, o fundo concentra a alocação em cotas do próprio iShares Bitcoin Trust. Ele gera receita vendendo opções de compra contra essas posições. O setor chama isso de estratégia covered call.

Como o BITA gera renda com Bitcoin

Bitcoin strategy

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Assim, o prospecto final indica taxa anual de patrocínio de 0,65%, cobrada diariamente e repassada ao menos a cada trimestre. É um custo superior ao do IBIT, que cobra 0,25%, mas a justificativa está na operação de derivativos embutida no produto.

Na prática, o trust escreve opções de compra sobre suas cotas do IBIT e embolsa os prêmios pagos pelos compradores dessas opções. Esse fluxo de prêmios funciona como uma renda recorrente, distribuída ao investidor. Além disso, a posição-base mantém exposição às variações do Bitcoin dentro de um teto pré-definido pelos contratos vendidos.

A contrapartida é conhecida em estratégias do tipo: o ganho fica limitado em rallies fortes. Além disso, se o BTC dispara acima do strike das opções vendidas, o fundo abre mão do upside excedente em troca do prêmio embolsado. Em mercados laterais ou de alta moderada, a estrutura tende a render mais. Em correções, o prêmio amortece parte da queda, mas não anula a perda direcional.

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Além disso, o prospecto também detalha que despesas com comissões de corretagem, custos de operação com opções, honorários jurídicos e taxas de financiamento podem ser cobertas com a venda de ativos subjacentes. Esse ponto merece atenção de quem busca preservação de capital.

Balchunas aponta estreia na quinta-feira

O analista Eric Balchunas, da Bloomberg, escreveu em publicação no X que a negociação do BITA deve começar nesta quinta-feira. Ele classificou o produto como o aguardado complemento ao IBIT, que descreve como o ETF de crescimento mais rápido da história. A submissão do Form 8-A na sexta-feira anterior já sinalizava lançamento dentro de uma semana, e a eficácia confirmada pela SEC apenas chancelou o calendário.

O contexto de mercado favorece o timing. O Bitcoin opera nesta segunda-feira perto de US$ 66.224, com alta de 2,7% em 24 horas, o equivalente a cerca de R$ 338,2 mil na cotação atual do dólar a R$ 5,10. Mesmo após semanas turbulentas em fluxo institucional, a BlackRock segue ampliando o leque de produtos para encaixar diferentes perfis de risco. A lógica é clara: investidor de renda fixa que torce o nariz para volatilidade pura recebe agora uma porta de entrada com cupom embutido.

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BITA amplia leque da BlackRock no pós-aprovação

Assim, para o investidor brasileiro, o BITA não estará disponível diretamente em corretoras locais sem operação internacional, mas serve de termômetro. Estruturas semelhantes podem chegar ao país via BDRs ou réplicas locais. A B3 já abriga ETFs cripto desde 2021 e a CVM tem sinalizado abertura para produtos com derivativos. Gestoras como Hashdex e QR já oferecem fundos de Bitcoin no Brasil. Elas tendem a observar o desempenho do BITA como referência para futuros lançamentos com renda.

O lançamento também acontece em meio a movimentação mista no segmento. A BlackRock registrou saques recentes no IBIT, mas o conjunto de ETFs spot voltou a captar nas últimas sessões. Em paralelo, a SEC aprovou nas últimas semanas estruturas mais agressivas, como o ETF cripto da T. Rowe Price com SHIB e DOGE. Isso indica que o regulador americano segue ampliando o cardápio de produtos atrelados a ativos digitais. O foco agora é o volume que o BITA conseguirá atrair no primeiro dia. Além disso, veremos se a fórmula de cupom mensal repetirá o sucesso do IBIT entre investidores institucionais.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.