- TradingShot projeta fundo do bitcoin entre US$ 38.500 e US$ 50.550 em outubro de 2026
- Cada ciclo baixista do BTC fechou em banda de EMA semanal mais baixa que o anterior
- BTC opera a US$ 66.529 abaixo das médias de 50 e 200 dias com RSI em 41,7
O bitcoin pode encerrar o atual ciclo de baixa em patamares muito abaixo do nível atual, segundo projeção do analista TradingShot publicada em post no TradingView. O cenário base aponta para um fundo entre US$ 44.250 e US$ 50.550 em outubro de 2026, com possibilidade de queda até US$ 38.500 no desfecho mais agressivo.
A leitura se apoia em um padrão recorrente dos mercados baixistas anteriores do ativo, a relação entre o preço e as médias móveis exponenciais semanais de longo prazo, as chamadas EMAs. Para o investidor brasileiro, a tese importa porque ancora uma possível queda adicional de até 42% em relação à cotação atual de US$ 66.560, equivalente a cerca de R$ 339.783.
Cada ciclo fecha uma banda de EMA abaixo
O argumento central do analista é geométrico. O fundo de janeiro de 2015 se formou entre as EMAs de 200 e 300 semanas. O piso do bear market de 2018 voltou a essa mesma faixa, antes de o crash da COVID em março de 2020 empurrar o ativo para a banda EMA300-400. Em novembro e dezembro de 2022, o bitcoin tocou o fundo dentro do intervalo EMA400-500.
O padrão sugere que cada ciclo baixista encontra suporte uma banda abaixo do anterior. Aplicada ao atual movimento, a regra produz dois cenários. No mais otimista, o BTC defenderia a faixa EMA400-500, com piso entre US$ 44.250 e US$ 50.550. No pessimista, romperia esse suporte e iria buscar a banda EMA500-600, entre US$ 38.500 e US$ 44.250.
Há ainda simetria temporal no estudo. Os ciclos de baixa anteriores duraram entre 364 e 413 dias, seguidos por ciclos de alta de cerca de 1.064 dias. Pelas contas, o atual movimento corretivo estaria próximo do estágio final, mas ainda exigiria algumas semanas para completar o desenho histórico.
Médias de 50 e 200 dias seguram recuperação
No curto prazo, o quadro técnico continua desfavorável aos compradores. O Bitcoin sobe 3,4%, porém permanece abaixo das médias móveis de 50 e 200 dias importantes. Enquanto essas resistências não cederem, o viés permanece vendedor.
O RSI de 14 dias está em 41,7, ainda em terreno neutro, mas abaixo da linha central de 50. A leitura indica que o momentum de baixa persiste, embora o ativo não esteja sobrevendido. Uma virada acima de 50 sinalizaria recuperação de força, uma queda em direção a 30 reforçaria a tese do analista do TradingShot.
Saques em ETFs acumulam US$ 4,4 bilhões em 2026
O pano de fundo institucional ajuda a explicar a fragilidade. Os ETFs de bitcoin à vista nos EUA registraram resgates recordes ao longo de 2026, com retomada pontual de entradas em 12 de junho após semanas de pressão vendedora. A reversão ainda é tímida diante do volume sacado nos meses anteriores.
A divergência interna nos próprios produtos também chama atenção. A BlackRock viu seu IBIT, principal veículo do segmento, alternar dias de captação e saques pontuais ao longo do mês, sinalizando que mesmo o investidor institucional norte-americano ainda não decidiu o lado da operação.
Vale colocar a projeção em perspectiva. O Standard Chartered seguiu trajetória oposta na semana passada e afirmou que o fundo do ciclo já foi marcado em US$ 59 mil, conforme nota de Geoff Kendrick. A divergência entre as projeções revela elevada incerteza, com diferença superior a US$ 20 mil no Bitcoin.
Para o trader brasileiro, a leitura prática é direta. Se o cenário do TradingShot se confirmar, o BTC ainda teria de perder em torno de R$ 142 mil em valor nominal antes de fechar o ciclo. Se a leitura do Standard Chartered prevalecer, o pior já passou.