BlackRock perde US$ 355 milhões com criptomoedas

  • IBIT da BlackRock perdeu cerca de US$ 355 milhões entre 8 e 12 de junho
  • ETFs de Ethereum da gestora captaram US$ 21,4 milhões líquidos no mesmo período
  • Mercado de ETFs de cripto nos EUA acumulou US$ 322 milhões em saques na semana

Os ETFs à vista de Bitcoin e Ethereum da BlackRock fecharam a semana encerrada em 12 de junho com saída líquida combinada de aproximadamente US$ 333,6 milhões. O movimento concentra um padrão de aversão a risco institucional. Isso voltou a pressionar produtos cripto listados nos Estados Unidos ao longo de junho.

Quase toda a sangria veio de um único produto. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), principal veículo da gestora no segmento, perdeu cerca de US$ 355 milhões em cinco pregões, segundo dados consolidados pela Coinglass. Os ETFs de Ethereum da casa, por outro lado, tiveram desempenho misto, com captação líquida de US$ 21,4 milhões no agregado.

Assim, o quadro contrasta com a cotação à vista. O BTC opera em US$ 64.588 (R$ 329.870), com alta de 1,1% nas últimas 24 horas, enquanto o ETH está em US$ 1.675,50 (R$ 8.557). A divergência entre preço estável e fluxo negativo reforça a leitura de que a queda partiu de realocações de portfólio, não de pânico vendedor.

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Dias 8 e 10 concentraram a fuga

Bitcoin (4)

Além disso, o calendário da semana mostra que o estrago foi pontual. Em 8 de junho, investidores retiraram US$ 232,9 milhões do IBIT. Além disso, em 10 de junho houve saída de US$ 148,5 milhões e mais US$ 61,6 milhões no dia 9. Em três sessões, o produto perdeu mais de US$ 443 milhões em ativos sob gestão.

A virada veio nos dois últimos pregões. O fundo voltou a captar US$ 30,3 milhões em 11 de junho e US$ 57,7 milhões em 12 de junho. Esse último dia levou o agregado de ETFs de Bitcoin nos EUA a um saldo positivo de US$ 85,9 milhões, com a BlackRock liderando o retorno. No entanto, a reversão não foi suficiente para zerar o vermelho da semana.

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O cenário se conecta à pressão observada desde o início do mês. Reportagem do BitNotícias já mostrou que os ETFs de Bitcoin perderam US$ 2,1 bilhões em junho com a escalada do conflito no Oriente Médio. Isso indica que o saque de US$ 355 milhões do IBIT é parte de um movimento mais amplo de derrisco.

ETHB capta US$ 26,9 milhões em um único pregão

Do lado do Ethereum, a BlackRock opera com dois produtos. O ETHA registrou saída líquida de US$ 7,2 milhões nos cinco dias, puxado por resgates de US$ 20,6 milhões em 10 de junho e US$ 8,5 milhões em 9 de junho. Por outro lado, o ETHB seguiu o caminho oposto. Captou US$ 28,6 milhões no período, com destaque para a entrada de US$ 26,9 milhões em 8 de junho.

Assim, o resultado deixa o ETH como o ativo mais resiliente do portfólio cripto da gestora na semana. A divergência também aparece no mercado on-chain. O saldo de baleias sacando ETH de exchanges sinaliza apetite de longo prazo entre grandes endereços, mesmo com o token operando próximo de US$ 1.675.

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Setor perde US$ 322 milhões na semana

Dados consolidados do mercado americano apontam saída líquida de aproximadamente US$ 322 milhões em ETFs cripto à vista nos últimos sete dias. O Bitcoin respondeu pela maior parcela do saque, enquanto produtos de Ethereum registraram resgates marginais. As informações de fluxo podem ser conferidas no painel da Coinglass, que agrega os dados oficiais reportados pelos emissores.

Para o investidor brasileiro, o efeito chega por dois canais. O primeiro é a referência de preço — a maior parte das ordens via exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit segue a cotação à vista global. Essa cotação reflete diretamente o saldo dos ETFs. O segundo é o BDR de IBIT listado na B3, cujo prêmio costuma comprimir quando o produto-mãe captura. A captação de US$ 57,7 milhões em 12 de junho, somada à retomada de captação no IBIT, pode antecipar reposicionamento institucional. Isso ocorre caso o BTC sustente o patamar acima de US$ 64 mil nas próximas sessões.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.