- Dificuldade do Bitcoin sobe a 136,61 trilhões, primeira alta em mais de um mês
- Hashprice cai de US$ 38,97 para US$ 35,29 por PH/s em quatro dias
- Taxas on-chain representam só 0,59% da recompensa total dos blocos
A mineração de Bitcoin entrou em uma janela mais apertada depois de um respiro breve na semana anterior. No bloco 949.536, registrado em 15 de maio, a rede aplicou o primeiro ajuste positivo de dificuldade em mais de duas épocas — algo que não acontecia há cerca de um mês.
A alta foi de 3,12%, levando o indicador de 132,47 trilhões para 136,61 trilhões. É o quarto aumento de dificuldade em 2026 e o terceiro maior do ano. Na prática, o número significa que minerar um bloco hoje é 136,61 trilhões de vezes mais difícil do que em 2009, quando Satoshi Nakamoto rodou o software original.
Hashprice recua e pressiona margem
O dado que mais machuca o caixa dos mineradores, porém, é outro. O hashprice — receita diária estimada por 1 PH/s de poder computacional — desabou nos quatro dias seguintes ao ajuste. Segundo levantamento do hashrateindex.com, o indicador estava em US$ 38,97 em 14 de maio e recuou para cerca de US$ 35,29, queda de 9,44%.
Esse movimento combina dois ventos contrários ao mesmo tempo: dificuldade maior dilui a fatia de cada operador, enquanto o preço do BTC caminha de lado. A criptomoeda chegou a tocar acima de US$ 82.000 na quarta-feira anterior e operava a US$ 76.680 às 15h (horário de Nova York) desta segunda-feira, 18 de maio. Na ponta, é menos receita por terahash entregue.
As taxas de transação on-chain seguem pouco relevantes na conta final. Nas últimas 24 horas, elas responderam por apenas 0,59% da recompensa total dos blocos. O grosso da remuneração permanece atrelado ao subsídio do bloco — e, portanto, refém do preço de mercado do Bitcoin.
Hashrate recua de 1 ZH/s
O poder de processamento da rede flertou com um marco histórico em 11 de maio, quando ultrapassou rapidamente os 1.000 EH/s — equivalente a 1 zettahash por segundo. A festa durou pouco. Às 15h30 desta segunda, o hashrate havia recuado para 959,03 EH/s, reflexo direto do aperto na receita e do salto de dificuldade.
Intervalos médios entre blocos também ficaram ligeiramente mais lentos, em torno de 10 minutos e 12 segundos. Isso abre espaço para uma projeção otimista: o próximo ajuste, esperado para 29 de maio, pode trazer queda na dificuldade. Faltam cerca de 1.576 blocos para a virada de época, e o cenário ainda pode mudar bastante até lá.
Impacto no Brasil e leitura de mercado
Para mineradores brasileiros, a equação fica ainda mais delicada. A energia elétrica industrial no país opera entre R$ 380 e R$ 550 por MWh, patamar que coloca a maioria das operações domésticas no terceiro quartil global de custo. Com hashprice em US$ 35,29 por PH/s, máquinas de gerações antigas como Antminer S19 (95 TH/s) entregam algo próximo de US$ 3,35 brutos por dia — margem que evapora quando o BTC perde suporte técnico.
O quadro lembra ciclos anteriores, como o do segundo semestre de 2024, quando a combinação entre halving e dificuldade crescente forçou consolidação no setor. Empresas listadas nos EUA chegaram a vender parte das reservas em BTC para cobrir despesas operacionais. Movimentos similares começaram a aparecer nas tesourarias agora, conforme noticiado em operações recentes da Strategy.
A pressão também se conecta ao macro. A distribuição de baleias na região dos US$ 76 mil tem limitado o fôlego do BTC, enquanto saídas relevantes nos ETFs spot drenam liquidez. Sem recuperação do preço ou ajuste mais suave em 29 de maio, mineradores com custo de energia acima de US$ 0,06/kWh devem operar no vermelho. Eficiência energética e renegociação de PPAs voltam ao centro da estratégia para quem opera com margem fina.