- Carteiras com 100 mil ETH ou mais somam 17,41 milhões de tokens
- Grandes holders detêm 22,03% da oferta circulante, pico de 10 semanas
- ETH é negociado abaixo de US$ 1.800 após queda de 5,6% em 24 horas
O ethereum opera abaixo da marca psicológica de US$ 2.000, mas o comportamento das maiores carteiras conta outra história. Endereços que guardam pelo menos 100 mil ETH aumentaram suas posições nas últimas semanas e agora controlam o maior volume agregado em mais de dois meses.
Levantamento da firma de análise on-chain Santiment mostra que esses endereços somam 17,41 milhões de ETH, o maior saldo registrado em nove semanas. O dado contrasta com o sentimento bearish observado entre traders alavancados na semana passada.
Concentração bate 22,03% da oferta
O número mais expressivo está na fatia da oferta circulante sob controle dessas baleias. As carteiras gigantes detêm 22,03% de todo o ETH em circulação, máxima de dez semanas e sinal de concentração crescente no topo da pirâmide de holders.
Na prática, a cada cinco tokens emitidos, mais de um está parado em endereços que raramente movimentam para exchanges. Esse padrão costuma reduzir a oferta líquida disponível para venda imediata, ainda que não elimine o risco de distribuição coordenada.
No preço, o cenário segue desafiador. O Ethereum é negociado a US$ 1.785,60 (R$ 9.119,60), com recuo de 5,6% em 24 horas, segundo cotações desta terça-feira. O ativo perdeu o suporte de US$ 2.000 e testa zona que não era visitada de forma sustentada havia meses.
Varejo compra dip enquanto baleias silenciam
A Santiment também mapeou o discurso nas redes sociais e identificou uma divergência clássica. Pequenos traders inundaram X e Telegram com mensagens de “buy the dip”, sinalizando otimismo elevado mesmo com a queda persistente do preço.
Esse tipo de euforia do varejo costuma preceder movimentos contrários ao consenso. Mercados tendem a punir a narrativa majoritária dos pequenos investidores, e a leitura histórica sugere cautela diante do entusiasmo coletivo em momentos de fraqueza técnica.
As baleias, por outro lado, operam em silêncio. A acumulação não vem acompanhada de declarações públicas nem de chamadas para que outros sigam o movimento. Essa assimetria de comportamento é justamente o que torna o dado on-chain valioso para quem acompanha fluxo institucional.
Contexto brasileiro e pressão de saídas
Para o investidor brasileiro, a queda do ETH abre uma janela de entrada em reais bem abaixo dos picos recentes. Exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso registram aumento no volume de ordens de compra parceladas em ETH, segundo dados públicos de book dos últimos dias.
Vale lembrar que o Banco Central exige auditoria independente de exchanges a partir deste ano, o que tende a fortalecer a infraestrutura local justamente em momentos de volatilidade como o atual. A regra reduz o risco operacional para quem mantém posição em corretora brasileira.
No exterior, o quadro é misto. Empresas com tesouraria em ETH continuam ampliando reservas a Bitmine adquiriu mais US$ 52 milhões em ETH recentemente, elevando seu estoque a 5,4 milhões de tokens. Em paralelo, uma baleia OG do Ethereum vendeu US$ 136 milhões próximo da marca de US$ 2 mil, mostrando que nem todo grande holder está comprando.
Acumulação coexiste com saídas de ETF
É preciso analisar o dado da Santiment em conjunto com o fluxo dos ETFs spot de Ethereum nos Estados Unidos, que registraram saques líquidos em parte das últimas sessões. A acumulação das baleias on-chain compensa parte dessa pressão, mas não elimina o desequilíbrio entre oferta e demanda observado no curto prazo.
A próxima referência técnica fica na faixa de US$ 1.750. Uma perda desse patamar abriria espaço para teste da região de US$ 1.600, nível em que a média de custo dos grandes endereços ainda permaneceria positiva, segundo agregados públicos de análise on-chain.