EUFN vs KBE: qual ETF financeiro paga mais dividendo

  • EUFN paga dividend yield de 4,10% contra 2,10% do KBE
  • KBE cobra taxa de 0,35% e usa estratégia equal-weight em 103 bancos
  • HSBC lidera EUFN com 9,42% e fundo tem 84 posições europeias

A disputa entre dois ETFs do setor financeiro global voltou ao radar de investidores brasileiros que buscam exposição a bancos fora da bolsa local. De um lado, o iShares MSCI Europe Financials ETF (EUFN), listado na Nasdaq, oferece acesso ao setor financeiro europeu. Do outro, o State Street SPDR S&P Bank ETF (KBE), negociado na NYSE, concentra 100% da carteira em bancos americanos.

Os dois fundos partilham a etiqueta de “financeiro”, mas entregam produtos radicalmente diferentes em geografia, composição e política de distribuição. Para quem investe via BDR, corretora internacional ou conta offshore, a escolha entre eles muda o perfil de risco e o retorno esperado.

EUFN paga quase o dobro em dividendos

O ponto mais chamativo está no rendimento. O EUFN distribuiu US$ 1,65 por cota nos últimos 12 meses. Sobre a cotação recente de US$ 39,81, o dividend yield chega a 4,10%. Já o KBE pagou US$ 1,47 por cota no mesmo período. Com a ação a US$ 68,32, o yield fica em 2,10% praticamente metade do concorrente europeu.

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Essa diferença reflete uma tradição de mercado. Bancos europeus historicamente distribuem parcela maior do lucro aos acionistas do que os pares americanos, que preferem recomprar ações. Para o investidor brasileiro focado em renda em dólar, o EUFN funciona como alternativa a REITs e a ETFs de dividendos tradicionais.

A contrapartida aparece no custo. O KBE cobra taxa de administração de 0,35%, patamar competitivo para produtos setoriais. O EUFN opera com expense ratio mais salgado, algo esperado em ETFs internacionais com custódia em múltiplos mercados.

HSBC, Santander e Allianz dominam o EUFN

A composição interna reforça as diferenças. O EUFN mantém 84 posições, com HSBC Holdings puxando a carteira em 9,42%, seguida por Banco Santander com 5,58% e Allianz com 5,23%. A alocação segue metodologia por valor de mercado, o que concentra performance nas grandes instituições. O fundo foi lançado em 2010 e cobre serviços financeiros amplos, bancos comerciais, seguradoras e gestoras.

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O KBE segue lógica oposta. Com 103 holdings e estratégia equal-weight modificada, evita que gigantes como JPMorgan ou Bank of America dominem o resultado. As maiores posições The Bancorp (1,09%), Rocket (1,07%) e Nicolet Bankshares (1,06%) pesam quase igual. O fundo, lançado em 2005, entrega exposição pulverizada a bancos regionais americanos, um segmento que sofreu com a crise do Silicon Valley Bank em 2023 e ainda opera com múltiplos comprimidos.

Liquidez do KBE atrai trader ativo

Para quem opera com frequência, o volume médio importa. O KBE movimenta cerca de 2,1 milhões de cotas por dia, o dobro das 1,2 milhão registradas pelo EUFN. Volume maior significa spread mais apertado entre compra e venda, algo relevante para posições grandes ou giro rápido.

O EUFN adiciona um fator que o KBE não tem: risco cambial. Como as ações-lastro são denominadas em euro, libra, franco suíço e coroas nórdicas, o retorno em dólar depende também do comportamento dessas moedas. Com o EUR/BRL a R$ 5,85 e o USD/BRL a R$ 5,12, o investidor que aporta em reais assume dupla camada cambial ao comprar EUFN real contra dólar e dólar contra cesta europeia.

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Contexto brasileiro e alternativa via BDR

No Brasil, exposição a ETFs americanos passa por BDRs listados na B3 ou conta em corretora internacional. A página oficial do EUFN na iShares detalha holdings atualizadas e histórico de distribuição. Investidores que já acompanham comparativos setoriais podem revisar o duelo entre ETFs de tecnologia dos EUA para entender como a escolha de metodologia market-cap versus equal-weight altera o resultado ao longo do ciclo.

Vale lembrar que o setor bancário americano segue pressionado pelo debate sobre custódia de contas master no Fed e pela regulação de stablecoins após o GENIUS Act, fatores que afetam diretamente as carteiras do KBE mas passam ao largo do EUFN, mais exposto ao ciclo de juros do BCE.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.