Grayscale coloca XRP como ativo dos pagamentos globais

  • Grayscale classifica XRP como ativo de pagamentos globais em novo framework
  • Gestora oferece oito ETFs cripto, incluindo GXRP listado na NYSE Arca
  • XRP cai 1,4% em 24h e é negociado a US$ 1,08

A gestora Grayscale incluiu o XRP em um quadro de classificação que agrupa criptoativos pela função central de cada rede. No mapa divulgado em publicação no X no dia 8 de julho, o token da Ripple aparece rotulado como o ativo de pagamentos globais, categoria separada do Bitcoin (“dinheiro digital”) e do Ethereum (“computador mundial”).

A leitura chega em um momento sensível para o token. O XRP é negociado a US$ 1,07 (R$ 5,53) nesta noite de domingo, com queda de 1,4% em 24 horas. A narrativa da Grayscale, portanto, aterrissa em um mercado ainda buscando fôlego depois da correção que derrubou o preço abaixo dos US$ 1,20.

Gráfico XRP
Fonte: coinmarketcap

Grayscale associa XRP ao XRP Ledger

Segundo a gestora, o rótulo reflete a integração do token ao XRP Ledger (XRPL), blockchain descentralizada projetada para liquidação rápida e transferência de valor entre partes. A rede vem sendo empurrada como trilho alternativo para remessas internacionais e settlement bancário, com casos de uso liderados pela própria Ripple.

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O framework não parou no XRP. A Grayscale também classificou a Solana como “alta performance”, a Hyperliquid como “trading on-chain 24/7”, a Chainlink como “tokenização e oráculos”, a Sui como “infraestrutura de próxima geração” e a Avalanche como “customização em massa”. Cada rótulo mira uma vertical distinta do ecossistema.

O detalhe institucional pesa mais que o texto no X, a Grayscale tem produtos regulados para todos os oito ativos do quadro. Na lista, entram GBTC (Bitcoin), ETHE (Ether com staking), GXRP (XRP), GSOL (Solana), HYPG (Hyperliquid), GLNK (Chainlink), GSUI (Sui) e GAVA (Avalanche). Os veículos são acessíveis via conta de corretora tradicional nos EUA.

Ripple mira mercado de US$ 16 trilhões

O rótulo de “pagamentos globais” dialoga direto com o discurso de Brad Garlinghouse, CEO da Ripple. O executivo já disse enxergar uma oportunidade anual de US$ 16 trilhões em pagamentos e clearing entre os negócios que a empresa conecta por meio de aquisições. Segundo ele, os criptoativos ainda representam fatia mínima desse fluxo.

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Reece Merrick, também da Ripple, comparou recentemente a curva de adoção dos pagamentos cripto ao início do e-commerce nos anos 2000. A tese, a infraestrutura amadurece antes do volume. Se essa leitura se confirmar, o rótulo dado pela Grayscale funciona como carimbo institucional em uma narrativa que a Ripple vinha construindo sozinha há anos.

Vale lembrar que a própria empresa quase fechou as portas durante o processo movido pela SEC. O fim do litígio, em 2024, destravou o caminho para produtos regulados como o GXRP e reduziu o risco jurídico que travava investidores institucionais.

Contexto brasileiro e o Drex

Para o investidor brasileiro, a leitura tem dois vetores. O primeiro é o de exposição, a XRP segue disponível nas principais exchanges locais (Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitso, Binance BR), e o carimbo da Grayscale tende a alimentar demanda incremental via arbitragem com o mercado americano.

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O segundo vetor é regulatório. O Banco Central segue desenvolvendo o Drex, plataforma de liquidação tokenizada que tem sobreposição funcional com o que o XRPL oferece globalmente. Bancos como o Itaú já testam depósitos tokenizados, sinal de que o “trilho pagamentos” também está sendo construído com infraestrutura nacional não necessariamente com XRP.

No curto prazo, o token ainda enfrenta pressão vendedora. O BitNotícias mostrou que os futuros de XRP perderam US$ 700 milhões em open interest nas semanas anteriores, com ETFs interrompendo sequência de nove semanas positivas. A narrativa institucional pode ajudar a estancar o fluxo, mas não substitui os catalisadores on-chain que o mercado ainda espera.

GXRP abre porta para alocação tradicional

Com o GXRP listado na NYSE Arca, a Grayscale posiciona o XRP no mesmo balcão de RIAs, family offices e wealth managers que já operavam GBTC e ETHE. O rótulo de pagamentos globais serve de justificativa temática para inserir o ativo em portfólios diversificados como aposta em infraestrutura de settlement categoria que compete diretamente com Swift, ACH e trilhos bancários tradicionais.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.