- Hut 8 paga US$ 2,35 milhões para encerrar ação coletiva sobre fusão com USBTC
- Ação HUT cai 7% no pré-mercado e reverte para alta de 2,36% após abertura
- Mineradora soma US$ 16,8 bilhões em contratos de data center de IA no 1T26
A Hut 8 (NASDAQ: HUT) fechou um acordo de US$ 2,35 milhões para encerrar uma ação coletiva movida por investidores que acusaram a mineradora de omitir problemas durante a fusão com a U.S. Bitcoin Corp (USBTC), em 2023. O anúncio saiu em 22 de junho e empurrou o papel para uma sessão volátil em Wall Street.
Ao longo do pregão, o movimento se inverteu, HUT subiu 2% e opera em US$ 123. A reação refletiu o alívio com o tamanho do acordo, equivalente a apenas 19,6% do dano máximo estimado pelos autores da ação.
O que os investidores alegavam contra a Hut 8
A ação coletiva, movida após a fusão de novembro de 2023 entre Hut 8 e USBTC, sustentava que a empresa amenizou problemas operacionais em King Mountain, joint venture de mineração no Texas em que a USBTC detinha metade. Os autores também afirmavam que o quadro financeiro da USBTC apresentado ao mercado não correspondia à realidade.
Em setembro de 2025, o juiz federal Victor Marrero, do Distrito Sul de Nova York, derrubou a maior parte do processo, incluindo as acusações de fraude. Sobrou um conjunto restrito de pedidos relacionados à forma como a Hut 8 divulgou riscos de energia e conectividade no site texano. É justamente sobre esse núcleo remanescente que recai o acordo, que não traz reconhecimento de culpa e ainda precisa de aval preliminar e final do magistrado.
De mineradora pura a plataforma de IA
A Hut 8 já não é a mesma empresa que se fundiu com a USBTC. Hoje, posiciona-se como plataforma de infraestrutura de energia e inteligência artificial, com aproximadamente US$ 16,8 bilhões em receita contratada de leasing de data centers de IA divulgados no primeiro trimestre de 2026. Mantém ainda participação majoritária na American Bitcoin (NASDAQ: ABTC), o braço de mineração apoiado pela família Trump.
Essa dupla identidade explica a oscilação do papel. HUT virou proxy tanto da queda do Bitcoin quanto da rotação que tira capital das ações de IA. Ambos os movimentos pesaram simultaneamente nesta semana. O filing oficial da empresa detalha a estrutura da exposição contratual e os termos da operação.
Bitcoin perde os US$ 63 mil e pressiona mineradoras
O cenário macro não ajuda. O Bitcoin opera em US$ 62.203, com queda de 3,6% em 24 horas, segundo cotações deste 23 de junho. Em reais, o ativo está em R$ 322.262. A pressão derruba margens das mineradoras listadas e amplia a sensibilidade do segmento a qualquer ruído jurídico ou contábil. Outros pares do setor enfrentam dinâmica parecida a Bitdeer minerou 921 BTC em maio, mas viu sua reserva minguar enquanto migra capital para IA.
A leitura técnica reforça o desconforto. Analistas citados em avaliações recentes do gráfico do BTC tratam o patamar atual como reteste de resistência, não como reversão de tendência o que significa que a janela de alívio para mineradoras pode ser curta.
Hut 8 fica como termômetro de risco para BDRs cripto
Para o investidor brasileiro com exposição a teses híbridas de Bitcoin e IA via BDRs ou ETFs no exterior, o caso Hut 8 funciona como aviso prático. Empresas que pivotaram de mineração pura para data centers de IA carregam passivos legados que continuam emergindo King Mountain é só um exemplo. O acordo de US$ 2,35 milhões é pequeno frente ao valor de mercado da companhia, mas evidencia que o discurso de reposicionamento estratégico convive com problemas operacionais antigos. A próxima audiência de Marrero, ainda sem data confirmada, vai definir se o tema sai da pauta ou volta a pressionar o papel.