- Riot fecha 2025 com receita de US$ 647 milhões e alta de 72%
- Hut 8 tem contrato de US$ 7 bilhões em 15 anos no River Bend
- Ambas registram prejuízo bilionário puxado pela marcação do Bitcoin
A disputa entre Hut 8 Corp (NASDAQ:HUT) e Riot Platforms (NASDAQ:RIOT) deixou de ser sobre quem minera mais Bitcoin. Agora, as duas empresas competem para se transformar em desenvolvedoras de data centers voltados para inteligência artificial, num movimento que já reconfigura o balanço de ambas.
O ano fiscal de 2025 escancarou o custo dessa transição. A Riot faturou US$ 647,4 milhões, avanço de 72% ante 2024, mas fechou o exercício com prejuízo líquido de US$ 663,2 milhões. Já a Hut 8 reportou receita de US$ 235,1 milhões, alta de 45%, e prejuízo de US$ 226,1 milhões. Em ambos os casos, a marcação a mercado das reservas em BTC — atingidas pela queda do ativo em 2025 — respondeu pela maior parte do vermelho.
Contratos de longo prazo sustentam a tese da Hut 8

A Hut 8 se apresenta como provedora diversificada de infraestrutura de computação, com ativos espalhados pela América do Norte. A joia da coroa é o campus River Bend, arrendado por 15 anos em um contrato estimado em US$ 7 bilhões para hospedar cargas de IA. A unidade canadense da empresa presta serviços de colocation para mais de 200 clientes corporativos.
A companhia também reestruturou seu balanço ao spin-off da subsidiária de mineração pura, agora listada como American Bitcoin (NASDAQ:ABTC), da qual mantém o controle majoritário. O objetivo declarado foi simplificar a narrativa e reposicionar a Hut 8 como desenvolvedora de infraestrutura energética com receita previsível de aluguéis. Ainda assim, o resultado consolida a operação de BTC, o que mantém o preço do ativo como variável determinante do resultado.
No balanço de dezembro de 2025, a alavancagem aparece contida: dívida sobre patrimônio de aproximadamente 0,3x. O fluxo de caixa livre nos últimos 12 meses ficou negativo em US$ 132,6 milhões, reflexo do capex agressivo.
Riot aposta em integração vertical e fecha com a AMD
A Riot Platforms segue caminho parecido, mas com escala maior e concentração geográfica no Texas e no Kentucky. A estratégia é a integração vertical entre mineração, engenharia e fabricação. O contrato âncora foi firmado com a Advanced Micro Devices (NASDAQ:AMD), um arrendamento de 10 anos na planta de Rockdale.
A empresa também estuda soluções energéticas fora do padrão. Uma parceria com a Terrestrial Energy avalia o uso de reatores nucleares de sal fundido em futuras instalações. O apetite por expansão, porém, pesou no caixa: o fluxo de caixa livre foi negativo em US$ 774,3 milhões em 2025. Além disso, a dívida sobre patrimônio também está em 0,3x, patamar considerado conservador. Recentemente, a companhia transferiu 500 BTC para a NYDIG, movimento lido pelo mercado como sinalização de pressão de capex.
Riot negocia a múltiplo menor do que Hut 8
Assim, o contraste de valuation é o que inclina a balança. O preço/valor patrimonial da Riot está em 3,5x, enquanto o da Hut 8 chega a 7,9x. Somem-se múltiplos de receita e lucro projetados mais comprimidos na Riot, e o desconto relativo fica evidente. A análise da Motley Fool publicada no Yahoo Finance concluiu que a Riot Platforms é a escolha preferida entre as duas para 2026.
Analistas de Wall Street projetam receita de US$ 1,9 bilhão para a Riot em 2029 e cerca de US$ 1,4 bilhão para a Hut 8 em 2030. As estimativas dependem de execução impecável nos planos de IA e energia — algo longe de garantido.
BTC em US$ 63 mil mantém risco atrelado à cotação
Assim, para o investidor brasileiro, o ponto crítico é que HUT e RIOT continuam funcionando como proxies alavancados do Bitcoin, mesmo com o discurso de IA. A Hut 8 controla cerca de US$ 675 milhões em BTC e a Riot mantém mais de US$ 900 milhões. Com o Bitcoin cotado a US$ 63.594 nesta segunda-feira, alta de 1,5% em 24 horas, essas reservas seguem oscilando e contaminando o resultado contábil. A B3 não lista essas empresas via BDR, o que obriga o investidor local a acessá-las via corretora com conta internacional. O paralelo doméstico é a IREN, que também tem enfrentado turbulência na transição para IA, sinalizando que o setor inteiro paga caro para migrar do modelo de mineração pura.