- Kiyosaki vê ouro chegando a US$ 35 mil a onça até 2035
- Autor reforça aposta em Bitcoin, Ethereum, prata e petróleo
- Mensagem ataca dólar e cita expansão monetária e dívida dos EUA
Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre, voltou a defender Bitcoin e ativos físicos em uma publicação no X feita em 15 de junho. O texto saiu logo após o ouro subir mais de US$ 100 em um único pregão e se aproximar de US$ 4.300 a onça, movimento que o investidor classificou como apenas o início de uma corrida muito mais longa. A frase-chave do post, kiyosaki projeta o metal a US$ 35 mil até 2035.
O número não veio sozinho. Kiyosaki já havia endossado, semanas antes, projeções de US$ 27 mil por onça em cenário de estresse monetário severo. Agora, estica o horizonte e coloca o teto ainda mais alto, num jogo de palavras com a coincidência entre o preço-alvo e o ano de referência. A mensagem central segue a mesma há anos, trocar o que ele chama de “dinheiro falso” por “dinheiro de verdade”.
Dólar no alvo e Bitcoin no mesmo cesto
Boa parte da publicação ataca o dólar. Kiyosaki repete a expressão “cash is trash” e afirma que poupadores serão os grandes perdedores diante da expansão monetária nos Estados Unidos. Em texto publicado dois dias antes, ele já havia criticado o nível da dívida americana e a velocidade da emissão de moeda pelo Tesouro.
A recomendação prática veio em uma linha, tirar parte do caixa e comprar ouro, prata, Bitcoin, Ethereum ou petróleo. O Bitcoin, hoje cotado a US$ 66.277 (cerca de R$ 334,6 mil), e o Ethereum, em US$ 1.799, aparecem lado a lado com os metais na cesta sugerida. Para Kiyosaki, os cinco ativos cumprem a mesma função, proteger poder de compra contra a desvalorização do dólar.
O autor também repetiu projeções antigas sobre o universo cripto. Mais cedo neste ano, ele cravou meta de US$ 750 mil para o Bitcoin e US$ 95 mil para o Ethereum, condicionadas a um colapso financeiro global. As previsões ecoam alertas anteriores sobre uma possível depressão e dificuldades para a geração baby boomer ainda em 2026.
Como a tese encaixa no portfólio brasileiro
No Brasil, o discurso ganha contornos próprios. O dólar opera em R$ 5,0529 e o euro, em R$ 5,8613, num momento em que o investidor local convive com juros altos, fluxo cambial volátil e debate sobre o avanço do Drex. A combinação ouro mais Bitcoin descrita por Kiyosaki não é estranha por aqui, gestoras como Hashdex e Itaú Asset já oferecem produtos que misturam metais e cripto em uma mesma carteira de proteção.
A leitura, porém, exige cautela. Kiyosaki não explica o alvo para ouro, e suas projeções dependem de crise macro ainda improvável. ETFs brasileiros de cripto seguem captando, mas os fluxos recentes mostram desempenho misto entre BTC e ETH sinal de que o investidor institucional segue seletivo, não comprador automático da tese de hiperinflação.
Ouro recua após bater acima de US$ 4.300
O próprio metal que motivou o post de Kiyosaki vive momento turbulento. O ouro caiu 2,4% na última semana após o CPI americano vir em 4,2%, pressionando expectativas sobre o ritmo de cortes de juros pelo Fed. O movimento indica que o rali não é linear e ainda disputa espaço com títulos americanos acima de 4%.
O Bitcoin, por sua vez, encerrou a última semana em recuperação após tocar US$ 59 mil. Baleias retiraram US$ 700 milhões em BTC das exchanges, sinalizando que grandes carteiras seguem acumulando comportamento que, em parte, dá sustentação ao argumento de Kiyosaki sobre escassez.