Lawrence Lepard projeta Bitcoin a US$ 1 milhão e mantém aposta no ouro

  • Ouro recuou a US$ 4.156 em 19 de junho, terceira semana seguida de perdas
  • Goldman Sachs reduziu meta de 2026 para o ouro de US$ 5.400 a US$ 4.900
  • Lepard vê Bitcoin caminhando para US$ 1 milhão com expansão monetária prolongada

O gestor americano Lawrence Lepard, fundador da Equity Management Associates, voltou a defender uma tese pouco usual entre investidores tradicionais, ouro e bitcoin como ativos complementares em um cenário de deterioração fiscal nos Estados Unidos. Em entrevista ao Kitco News nesta semana, o gestor projetou que a maior criptomoeda pode alcançar US$ 1 milhão em prazo medido em décadas, com chance de avançar até US$ 10 milhões em um ciclo mais longo.

A declaração veio em meio a uma correção relevante no mercado de metais preciosos. O ouro à vista abriu a semana próximo de US$ 4.155 por onça em 13 de junho, chegou a tocar US$ 4.380 no meio do período com otimismo sobre a trégua entre EUA e Irã, mas reverteu o movimento após sinais hawkish do Federal Reserve. O metal fechou perto de US$ 4.156 em 19 de junho, acumulando perda de 3,4% na semana e cerca de 8,5% no mês.

Goldman Sachs corta meta do ouro para US$ 4.900

O Goldman Sachs revisou para baixo sua projeção do ouro para o fim de 2026, de US$ 5.400 para US$ 4.900 por onça. O banco citou o adiamento dos cortes de juros pelo Fed e a demanda mais fraca por ETFs lastreados em ouro. Modelos do Trading Economics apontam o metal próximo de US$ 4.162 ao fim do segundo trimestre, com projeção de 12 meses em torno de US$ 4.527.

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O dólar americano subiu ao maior nível em 13 meses durante a semana, encarecendo o ouro para compradores em outras moedas. Para o investidor brasileiro, o movimento tem leitura direta, com o dólar a R$ 5,1603, qualquer alta da moeda americana amplifica ganhos em ativos dolarizados, mas também eleva o custo de oportunidade frente ao Tesouro Direto, que ainda oferece taxas reais competitivas.

Os rendimentos dos Treasuries pressionaram ainda mais o metal. Investidores que carregam ativos sem rendimento, como o ouro, enfrentam custo de oportunidade maior quando os juros sobem. A inflação ao consumidor nos EUA avançou 4,2% em maio na comparação anual, a maior leitura desde 2023, e os mercados passaram a precificar uma alta de juros já em setembro.

Frank Giustra vê bancos centrais sustentando o rali

O financista canadense Frank Giustra, ex-Wheaton River Minerals/Goldcorp e atual líder do Fiore Group, descreveu a queda como correção normal dentro de um ciclo de alta. Para ele, bancos centrais impulsionaram o ouro de US$ 1.800 para cerca de US$ 5.608, deixando varejistas atrás.

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Giustra atribui o movimento à desdolarização global e aos esforços dos BRICS por sistemas alternativos de pagamento. No Brasil, o tema ganha força porque a corrida global por ativos não dolarizados recolocou o ouro. na pauta.

Lepard cita escassez digital do Bitcoin

Lepard considera o limite de 21 milhões de Bitcoins uma escassez digital complementar à do ouro. O gestor considera a correção atual moderada e atribui a resiliência do Bitcoin ao capital institucional. O BTC opera a US$ 63.636 (R$ 327.962), com queda de 0,5% nas últimas 24 horas.

Para o gestor, a única coisa que mudaria seu cenário otimista seria disciplina fiscal por parte dos governos algo que considera improvável. Lepard vê ouro e prata no início de um ciclo, enquanto capital permanece concentrado em tecnologia. A leitura ecoa projeções extremas de longo prazo compartilhadas por gestoras como ARK e Fidelity.

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Suporte em US$ 4.000 vira referência técnica

O ouro fechou abaixo da média móvel de 200 dias por período prolongado pela primeira vez desde o fim de 2023. Operadores monitoram a faixa entre US$ 4.000 e US$ 4.100 como próximo nível de suporte caso a correção avance. A prata sofreu mais, recuando para cerca de US$ 64,90 em 19 de junho, com perda mensal próxima de 14%. Nos próximos dias, o foco fica em novos dados de inflação, emprego e desdobramentos do acordo entre Washington e Teerã todos com potencial de redefinir o caminho do ouro e, indiretamente, do Bitcoin no curto prazo, conforme detalhado em cobertura do Kitco News.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.