Morgan Stanley vê Bitcoin a US$ 1 milhão como possível, mas sem atalho

  • Amy Oldenberg, do Morgan Stanley, diz que Bitcoin a US$ 1 milhão é possível, mas não rápido
  • Banco recomenda alocação de até 4% em BTC para perfis mais agressivos
  • ETF MSBT teve a melhor estreia da história do Morgan Stanley em ativos

A executiva responsável pela estratégia de ativos digitais do Morgan Stanley, Amy Oldenberg, afirmou que ver o Bitcoin negociado a US$ 1 milhão é um cenário plausível, desde que o mercado aceite que isso só ocorrerá no tempo certo. A declaração foi dada ao podcast Coin Stories, da jornalista Natalie Brunell, e dimensiona o tom institucional num momento em que o ativo é negociado a US$ 63.083, equivalente a R$ 327,4 mil.

Oldenberg evitou cravar uma meta de preço, mas foi direta ao responder se o Bitcoin pode chegar a sete dígitos.

“Não vejo por que não poderíamos”, disse.

Em seguida, condicionou esse movimento a uma trajetória longa ou a um evento extremo nos mercados tradicionais. Para ela, qualquer salto vertical sem fundamento embute um problema maior em outro lugar do sistema financeiro global.

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Sem J curve até 2030, diz executiva

A leitura central da estrategista é que a próxima fase de adoção do Bitcoin será gradual. Ela rejeitou a tese de uma “J curve” em 2027, modelo defendido por entusiastas que projetam aceleração vertical de preço puxada por adoção institucional súbita.

“Acho que será muito parecido com o que já vivemos: novos entrantes chegando, sendo educados, entendendo o ativo, e o preço subindo aos poucos”, afirmou.

O cenário descrito é de grind higher alta lenta, em escadinha, até 2030. A fala destoa de previsões mais agressivas, como a do analista que projeta US$ 150 mil após queda e dos modelos de stock-to-flow que sustentaram o ciclo anterior.

Oldenberg reconheceu uma incômoda contradição na narrativa institucional. O Bitcoin é vendido a clientes como ativo real ou reserva neutra, mas continua se comportando como ativo de risco em momentos de estresse macroeconômico diferente do ouro, por exemplo. Esse descolamento incompleto da curva de risco é, segundo ela, o que ainda confunde parte dos investidores tradicionais que chegam ao banco.

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MSBT tem melhor estreia da história do banco

O Morgan Stanley já opera o ETP de Bitcoin MSBT, que segundo Oldenberg teve a melhor estreia em ativos sob gestão de um produto listado na história do banco. A taxa de administração foi fixada em 14 pontos-base, e a estrutura de custódia envolve Coinbase e BNY Mellon.

A executiva também detalhou a política de alocação. O banco recomenda exposição de 0% a 2% em portfólios conservadores e de 2% a 4% em perfis mais agressivos, com taxa de empréstimo (release rate) de 50% sobre as cotas do ETF para clientes que migram a posição para a plataforma de wealth. Na prática, um cliente com US$ 1 milhão em MSBT pode tomar até US$ 500 mil emprestados contra o produto.

Ela fez questão de demarcar uma diferença que ainda é pouco compreendida, ter cotas de um ETF de Bitcoin não é o mesmo que ter Bitcoin. “As pessoas me dizem ‘tenho exposição ao Bitcoin, então se algo der errado eu tenho Bitcoin’. Não, você não tem. Você tem cotas de um ETF que oferecem exposição ao preço”, explicou. A distinção é relevante num momento em que ETFs spot dominam o fluxo institucional e ofuscam o autocustódio.

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Bancos travam em tratamento de capital

Oldenberg atribuiu a lentidão dos bancos em segurar Bitcoin diretamente não a hostilidade ideológica, mas a regras de capital e eficiência de balanço. Para que instituições financeiras carreguem BTC ou aceitem o ativo como colateral em escala, o tratamento regulatório precisa avançar debate paralelo ao que ocorre no Brasil, onde o marco regulatório segue em construção e a CVM ainda calibra a integração dos criptoativos com o sistema bancário tradicional.

A executiva fez ainda um alerta sobre a tendência de empacotar criptoativos como se fossem intercambiáveis. Bitcoin, Ethereum, Solana e XRP, disse, atendem propósitos distintos e não podem ser tratados como o mesmo produto só porque compartilham o rótulo “cripto”. A diferenciação é sensível para a indústria de fundos que precisa explicar a clientes por que o BTC, negociado hoje em R$ 327,4 mil com alta de 3,3% nas últimas 24 horas, tem dinâmica diferente do ETH a R$ 8.611. A fala completa de Oldenberg está disponível na entrevista ao Coin Stories.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.