- Strategy comprou 1.550 BTC por US$ 101,3 milhões após venda simbólica de 32 moedas
- Tesouraria chega a 845.256 BTC adquiridos por quase US$ 64 bilhões
- MSTR subiu 5,6% na segunda, mas ainda acumula queda de 74,7% desde julho
A Strategy voltou ao modo comprador e dissipou em 48 horas o desconforto que tomou conta do mercado na semana passada. Em filing enviado à SEC na segunda-feira, a companhia comandada por Michael Saylor revelou ter levantado US$ 181 milhões com venda de ações e usado parte do montante para adquirir mais 1.550 bitcoin por aproximadamente US$ 101,3 milhões. Foi o suficiente para reverter o clima de desconfiança e empurrar a ação MSTR para cima.
A aquisição elevou o estoque total da empresa para 845.256 BTC, comprados por quase US$ 64 bilhões ao longo dos últimos anos. A posição reforça a Strategy como a maior detentora corporativa de bitcoin do mundo, em um momento em que o ativo opera perto de US$ 61.802, segundo cotação desta terça-feira no mercado spot.
Venda de 32 bitcoin assustou acionistas
O movimento veio depois de um susto. Dias antes, a Strategy havia se desfeito de 32 BTC por US$ 2,5 milhões para cumprir obrigações de dividendo sobre ações preferenciais. O volume era simbólico, mas bastou para gerar dúvidas sobre o mantra do hold eterno cultivado por Saylor desde 2020. A MSTR fechou a pior semana desde o fim de 2022, e analistas do JPMorgan classificaram a operação como voluntária e pequena, mas suficiente para levantar suspeitas sobre necessidade de recompor caixa.
A leitura da segunda-feira foi outra. Em vez de recuar, a empresa repetiu o roteiro que define sua tese desde que pivotou o modelo de negócio, emitir capital, comprar BTC e segurar. A ação respondeu com alta de 5,6% no pregão, dentro de uma recuperação de 11,3% desde a mínima de US$ 104,17 registrada em fevereiro. Ainda assim, o papel acumula queda de 74,7% desde o topo de US$ 457,22 marcado em julho de 2025.
Prejuízo contábil de US$ 14 bilhões no 1T26
O balanço do primeiro trimestre fiscal de 2026, divulgado em 5 de maio, ajudou a contextualizar a aversão recente. A receita de software chegou a US$ 124,3 milhões, alta anual de 11,9%, com margem bruta de 67,1%. O problema apareceu na linha das criptos, a queda do bitcoin durante o trimestre forçou o registro de uma perda não realizada de US$ 14,46 bilhões, que jogou o resultado operacional para US$ 14,47 bilhões negativos. São perdas marcadas a mercado, não vendas efetivas.
O CFO Andrew Kang reiterou que a estratégia não mudou captar, comprar e elevar a métrica de BTC por ação. Saylor destacou o papel do produto Stretch, ação preferencial perpétua que paga dividendo anualizado de 11,5% e levantou US$ 8,5 bilhões em menos de um ano. É hoje a maior preferred publicamente negociada do mundo, segundo a própria companhia.
Investidor brasileiro monitora via BDR e ETF
Para o público local, a MSTR funciona como termômetro indireto do bitcoin. O papel é negociado na B3 via BDR e também serve de referência para fundos cripto listados na bolsa brasileira. Quando Saylor compra, sinaliza demanda institucional contínua fator que, historicamente, antecipou pisos no preço do BTC. Para uma leitura mais ampla sobre o apetite institucional no nível atual, dados da Coinbase mostram que grandes players têm comprado mais agressivamente perto dos US$ 60 mil do que faziam em US$ 125 mil.
O consenso de Wall Street segue otimista, apesar do tombo. Dos 18 analistas que cobrem o papel, 15 recomendam Strong Buy, com preço-alvo médio de US$ 363,62 potencial de 209,7% sobre o nível atual. O alvo mais agressivo, do Bernstein, é US$ 645. Analistas da casa argumentam que o acesso da Strategy ao mercado de capitais segue intacto, com captações superiores a US$ 1 bilhão em janelas curtas. A próxima leitura virá no balanço do 2T26, quando o mercado vai comparar o ritmo de acumulação com a evolução do passivo preferencial.