- USDT chega a US$ 189,63 bilhões e mantém 58,76% do mercado de stablecoins
- USDC recebe US$ 1,61 bilhões em entradas líquidas entre 3 e 10 de maio
- USDG dispara 11,89% na semana e lidera ganhos no top 10
O mercado global de stablecoins voltou a engordar. Entre 3 e 10 de maio de 2026, o setor adicionou cerca de US$ 2 bilhões em capitalização e atingiu US$ 322,74 bilhões, segundo dados compilados pelo DefiLlama. O movimento marca a retomada da entrada líquida de capital em ativos atrelados ao dólar, depois de semanas de fluxo irregular.

Tether segue sem rival no topo. O USDT alcançou US$ 189,63 bilhões e respondeu por 58,76% de todo o mercado, embora a alta semanal tenha sido tímida, de apenas 0,05%. A liderança absoluta consolida a stablecoin como principal veículo de liquidez no ecossistema cripto, papel que se reflete também no volume diário negociado em exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso.
Circle acelera e ganha terreno
A Circle foi quem mais surpreendeu entre os pesos-pesados. O USDC avançou 2,08% na semana e fechou o domingo em US$ 78,96 bilhões, mantendo a vice-liderança. Foram US$ 1,61 bilhão em entradas líquidas no período um dos melhores desempenhos semanais entre as grandes emissoras.
O fôlego do USDC ocorre em paralelo ao avanço regulatório nos EUA. A discussão sobre regras de stablecoins no Congresso e no OCC tem favorecido emissoras vistas como mais transparentes, com reservas auditadas e relacionamento bancário regulado. Para o investidor brasileiro, isso importa porque define qual stablecoin deve concentrar liquidez nos próximos ciclos e, consequentemente, qual tende a oferecer melhores spreads em pares como BRL/USDC e BRL/USDT.
Na terceira posição, o USDS, da Sky, recuou 6,37% e caiu para US$ 7,88 bilhões. Foi a maior perda relativa entre as dez principais. O DAI, também da Sky, ficou em quarto com US$ 4,66 bilhões e variação positiva de 0,63%. O USD1, da World Liberty Financial, fechou o top 5 com US$ 4,43 bilhões, após queda de 2,12% no período.
Yield-bearing e Treasuries tokenizadas no radar
Depois de várias semanas vendo capital sair, o USDe, da Ethena, voltou a captar. A stablecoin com rendimento embutido subiu 1,6% e chegou a US$ 3,96 bilhões, ocupando a sexta posição. Em seguida vieram o PYUSD, do PayPal, com US$ 3,41 bilhões e alta de 1,11%, e o BUIDL, da BlackRock, que subiu 5,81% e atingiu US$ 2,986 bilhões.
O bom desempenho do BUIDL reforça uma tendência que vem se consolidando: a fusão entre stablecoins e produtos de renda fixa tokenizados. A própria BlackRock ampliou recentemente sua linha tokenizada com novos fundos lastreados em Treasuries dos EUA registrados na SEC. O USYC, da Circle, segue caminho parecido — ganhou 2,68% na semana e bateu US$ 2,981 bilhões, praticamente empatado com o BUIDL.
USDG lidera e novos emissores aparecem
A décima posição trouxe a maior alta percentual da semana. O USDG avançou 11,89% e chegou a US$ 2,658 bilhões, deixando claro que a competição entre emissoras menores começa a movimentar o tabuleiro. Stablecoins de nicho voltadas a remessas, pagamentos automatizados ou agentes de IA vêm tentando conquistar fatias de um mercado historicamente dominado por dois nomes.
Esse movimento ecoa lançamentos recentes como o da Exodus, que estreou a XO Cash em Solana voltada a agentes de IA, e tentativas de big techs entrarem no setor. A divisão de desempenho dentro do top 10 mostra que o capital está rotacionando: sai de algumas stablecoins e entra em outras, em vez de inflar o setor de forma uniforme.
No Brasil, o peso das stablecoins continua crescendo. Dados da Receita Federal apontam o USDT como o ativo cripto mais movimentado entre operações declaradas por brasileiros, à frente do próprio Bitcoin em volume um padrão que se repete em outros mercados latino-americanos, onde as moedas atreladas ao dólar funcionam como hedge cambial em um cenário regulatório ainda em construção. Os números do DefiLlama estão disponíveis em painel público.

