Strategy compra mais 1.587 BTC e chega a 846.842 bitcoins

  • Strategy paga US$ 100 milhões por 1.587 BTC a preço médio de US$ 63.024
  • Estoque total chega a 846.842 BTC, cerca de 4% de todo o supply
  • Empresa fez duas compras em junho somando mais de US$ 200 milhões

A Strategy, antiga MicroStrategy comandada por Michael Saylor, voltou ao mercado e adicionou 1.587 BTC ao seu balanço. A compra foi divulgada em 15 de junho, custou cerca de US$ 100 milhões e saiu a um preço médio de US$ 63.024 por unidade, segundo o documento 8-K registrado na SEC.

Com a operação, o estoque corporativo subiu para 846.842 BTC. O número equivale a aproximadamente 4% de todo o Bitcoin que existirá quando a emissão acabar. Nenhuma outra companhia listada sequer chega perto desse patamar.

Duas compras em uma semana

Bitcoin strategy

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A aquisição desta semana vem na esteira de outra rodada anunciada em 8 de junho. Naquele dia, a empresa havia comprado 1.550 BTC por US$ 101 milhões, a um preço médio de US$ 65.332. Duas operações em sete dias, somando mais de US$ 200 milhões em exposição nova ao ativo.

O ritmo confirma o roteiro que Saylor segue desde 2020: captar recursos via emissão de ações ou instrumentos de dívida, comprar Bitcoin, registrar 8-K na SEC e postar tudo no X. Assim, a rotina virou ritual. Cada anúncio cai no feed do executivo com pontualidade quase contábil.

Além disso, o padrão, no entanto, teve uma quebra recente. Em 1º de junho, a Strategy vendeu 32 BTC por US$ 2,5 milhões — a primeira venda registrada desde 2022. O volume é simbólico, mas marca o fim de uma narrativa de “nunca vender” sustentada por quase quatro anos. Se o movimento se repetir, muda o discurso de tesouraria que Saylor construiu para defender a estratégia.

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Rendimento Bitcoin entre 9% e 13%

Assim, os arquivamentos de meio de junho reportam um Bitcoin Yield entre 9% e 13%. A métrica é proprietária e mede se a empresa acumula BTC mais rápido do que dilui o capital social via emissão de novas ações. Em outras palavras, é uma tentativa de mostrar ao mercado que cada acionista detém mais Bitcoin por papel ao longo do tempo, mesmo com o estoque sendo financiado por equity.

Além disso, críticos questionam o indicador. Como mostrou matéria recente sobre as métricas criadas pela própria companhia, parte do mercado enxerga os números como ferramenta de marketing — especialmente em momentos em que a ação MSTR negocia perto ou abaixo do valor líquido dos bitcoins em caixa.

Hoje, com o Bitcoin cotado a US$ 66.247 (alta de 2,8% em 24 horas) e a paridade dólar/real em R$ 5,1073, o estoque de 846.842 BTC vale aproximadamente US$ 56,1 bilhões, ou cerca de R$ 286,5 bilhões. Para efeito de comparação, o número supera o valor de mercado de boa parte das maiores empresas listadas na B3.

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Concentração vira risco de mercado

Assim, o tamanho da posição transforma a Strategy em proxy quase puro para o preço do Bitcoin. Investidores que querem exposição alavancada ao ativo sem comprá-lo diretamente usam MSTR como substituto — algo parecido com o que ETFs spot oferecem, mas com a camada extra de risco corporativo.

Esse risco tem nome: concentração. Uma queda de 50% no Bitcoin, padrão histórico em ciclos de baixa, derruba o balanço inteiro. Métricas de yield não protegem contra drawdown no ativo subjacente. E o cenário macro não ajuda: o eventual aperto do Banco do Japão e os fluxos recentes de saques em ETFs de Bitcoin mostram que o mercado segue sensível a choques externos.

Para o investidor brasileiro, há um efeito indireto. Quando a Strategy compra em volume, retira oferta do mercado spot e reforça a tese de escassez programada — argumento usado por gestoras locais que oferecem produtos cripto via ETFs na B3, como QBTC11 e HASH11. A leitura também pressiona mineradoras listadas no Brasil e tesourarias corporativas que tentam replicar, em escala menor, o playbook de Saylor.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.