Binance lista ação STRC da Strategy após venda de 3.588 BTC

  • Binance Stocks lista STRC ao lado de outras oito ações e ETFs
  • Strategy vende 3.588 BTC por US$ 216 milhões para bancar dividendos
  • Empresa mantém 843.775 BTC e US$ 2,55 bilhões em caixa

A Binance incorporou nesta segunda-feira (6) a ação preferencial STRC, emitida pela Strategy, ao seu balcão de negociação tokenizada. A listagem chega no mesmo dia em que a companhia liderada por Michael Saylor confirmou a venda de 3.588 bitcoins para financiar dividendos de seus produtos de crédito digital.

De acordo com o comunicado oficial da exchange, o STRC integra um pacote de nove novos ativos disponibilizados no serviço Binance Stocks, com acesso 24/5, corretagem zero e mais de 7 mil papéis elegíveis. Além disso, o programa de empréstimo de títulos totalmente pagos (FPSL) só será liberado após a liquidação completa das operações.

Ao lado do STRC entraram na plataforma Adapti (ADTI), Antalpha (ANTA), Astronics Classe B (ATROB), Cerebras Systems (CBRS), Tema Memory ETF (DISK), Tuttle Pure Play Photonics (FOTO), PLUS Korea Defense ETF (KDEF), Kurv Memory Select (KMEM) e Quantinuum (QNT). Esse movimento reforça a estratégia da exchange de aproximar ativos tradicionais do público cripto. Exchanges brasileiras como Mercado Bitcoin e Foxbit tentam replicar isso via BDRs tokenizados e fundos de renda variável.

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Strategy vende BTC para pagar dividendo, não para reduzir exposição

Bitcoin mineração

Assim, a tesouraria da Strategy desovou 3.588 BTC por US$ 216 milhões, com o objetivo declarado de honrar as distribuições atreladas às suas Digital Credit securities. Saylor confirmou o número em publicação no X e detalhou que a empresa segue com 843.775 BTC em reservas. Essa posição é avaliada em cerca de US$ 53,6 bilhões pela cotação atual do Bitcoin próximo de US$ 63,5 mil.

O caixa em dólar subiu para US$ 2,55 bilhões após a operação. É a segunda vez no ano em que a Strategy usa BTC do balanço para cobrir obrigações de suas ações preferenciais. No primeiro trimestre, a companhia havia vendido apenas 32 bitcoins com a mesma finalidade. O salto de escala explica a atenção redobrada do mercado. Isso porque a empresa é a maior detentora corporativa listada do ativo.

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A leitura editorial aqui é importante para o investidor brasileiro que acompanha as MSTR e as preferenciais Strategy via BDR ou corretora internacional. O modelo de financiamento de Saylor depende de janelas favoráveis de mercado para emitir dívida e ações. Quando esses canais fecham, o balanço vira a única fonte de pagamento. Assim, o discurso de hodl absoluto perde parte da consistência, como o JPMorgan já havia sinalizado ao criticar plano de venda de até US$ 1,25 bilhão em BTC.

STRC e MSTR sobem no pré-mercado com dividendo de 12%

Apesar da venda de bitcoins, os papéis da Strategy seguem em alta. O STRC fechou a sessão anterior a US$ 87,87, com ganho de 0,47%, acumulando avanço de quase 22% na semana. No pré-mercado desta segunda, o preferencial subia perto de 2%, para US$ 89,57. Mesmo assim, o valor ainda está abaixo do par de US$ 100.

A recuperação vem depois de a Strategy anunciar programa de recompra para as ações MSTR, elevar o dividendo anual do STRC para 12% e reforçar o caixa em dólar. As ações ordinárias MSTR também subiram mais de 3% no pré-mercado, para US$ 104,35, após ganho semanal de 21%.

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Bitcoin devolve parte do rali com volume 23% maior

Enquanto os ativos da Strategy sobem, o próprio Bitcoin corrige após a retomada recente. A criptomoeda opera perto de US$ 63.536, equivalente a R$ 329.116 pela cotação do dólar em R$ 5,18. O volume negociado em 24 horas avançou 23%. Isso é sinal de que investidores estão realocando posições em meio à leitura das ações de tesouraria da Strategy.

Para o mercado brasileiro, o cruzamento entre BTC físico e derivativos tokenizados de ações corporativas ligadas à criptomoeda amplia o cardápio de exposição. A CVM ainda estuda como enquadrar produtos híbridos desse tipo, enquanto o Banco Central aperta requisitos de capital para exchanges com atuação local a partir de 2027.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.