VanEck desmente compra de 1.000 BTC pela MARA e aponta foco em IA

  • Sigel afirma que MARA não comprou 1.000 BTC pela FalconX
  • Mineradora teria recebido colateral de empréstimo, não compra de mercado
  • Foco da MARA é infraestrutura de IA com aquisição da Long Bridge

A especulação de que a MARA Holdings teria comprado mais 1.000 BTC via FalconX foi desmentida nesta segunda-feira por Matthew Sigel, chefe de pesquisa em ativos digitais da VanEck. Em publicação no X, o executivo classificou a leitura como incorreta e explicou que a movimentação on-chain não representa acumulação nova da mineradora.

O alerta original havia partido da plataforma de análise Lookonchain, que identificou a transferência e a relacionou a um possível retorno da mineradora ao mercado comprador. Segundo Sigel, os tokens são, na verdade, moedas devolvidas de um empréstimo — provavelmente o encerramento de uma operação garantida por Bitcoin, com a MARA recebendo de volta o colateral.

Empresa monetiza data centers em vez de empilhar BTC

O executivo da VanEck reforçou que acumular Bitcoin não é mais prioridade para a MARA. A mineradora, hoje uma das maiores tesourarias corporativas de BTC do mundo, redirecionou capital para infraestrutura de inteligência artificial e computação de alta performance (HPC). Sigel citou parcerias para monetização do portfólio de data centers com a Starwood, nos Estados Unidos, e a Exaion, na Europa.

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A guinada estratégica ganhou peso em abril, quando a MARA anunciou a aquisição da Long Bridge por US$ 1,5 bilhão, voltada justamente para ampliar capacidade de processamento dedicada a cargas de IA. O movimento é coerente com uma tendência setorial: mineradoras de Bitcoin têm aproveitado contratos de energia, infraestrutura elétrica robusta e galpões prontos para se reposicionar como provedoras de capacidade computacional. A captação recente de US$ 20 bilhões em bonds pela Nvidia reforçou esse arranjo ao destravar crédito direcionado ao segmento.

Outro ponto técnico levantado por analistas reforça a tese de Sigel. Historicamente, a MARA envia cada novo lote comprado para uma carteira inédita, o que cria rastro claro de acumulação. A transferência detectada agora não seguiu esse padrão, o que é consistente com a hipótese de devolução de colateral em vez de compra spot.

MARA segue quarta maior tesouraria mesmo sem comprar

Apesar de não estar mais empilhando Bitcoin de forma agressiva, a mineradora mantém posição relevante. De acordo com dados do BitcoinTreasuries, a MARA detém mais de 35.000 BTC, o que a coloca como a quarta maior tesouraria corporativa do ativo. À frente aparecem a Strategy, de Michael Saylor, a Twenty-One Capital e a Metaplanet.

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No primeiro trimestre, a mineradora chegou a vender 20.880 BTC por aproximadamente US$ 1,5 bilhão, ao preço médio de US$ 70.137 por moeda. Os recursos foram canalizados para financiar a transição rumo à IA. Com o Bitcoin operando hoje a US$ 65.837 (R$ 333,1 mil) e em queda de 1,5% nas últimas 24 horas, a decisão de liquidar parte da posição naquele patamar tornou-se um ponto de comparação relevante para investidores que acompanham gestoras voltadas à acumulação pura, como a Strategy, que segue ampliando reservas.

Ação da MARA sobe 62% no ano na contramão do setor

O mercado parece premiar a tese. A MARA acumula valorização superior a 62% no acumulado de 2026 e avança mais de 18% nos últimos cinco pregões, segundo dados do TradingView. O desempenho destoa do restante das ações de empresas cripto, pressionadas pela combinação de saques em ETFs spot e enfraquecimento do BTC no curto prazo.

Para o investidor brasileiro que acessa o papel via BDR ou conta internacional, a leitura é dupla. Por um lado, a MARA deixa de ser uma proxy pura de Bitcoin — algo que, no passado, atraía traders locais buscando alavancagem indireta no ativo. Por outro, passa a oferecer exposição a um setor em consolidação no Brasil, onde operadores de data center disputam contratos de energia barata em regiões como Norte e Nordeste, e onde a corrida por capacidade de IA começa a moldar precificação de ativos listados no exterior.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.