- Entradas semanais em ETFs de XRP recuaram 93% e derrubaram volume
- XRP perdeu temporariamente o posto de quarto maior ativo cripto global
- Ripple avança com licença MiCA e expansão da stablecoin RLUSD na Europa
O fluxo de capital para os ETFs de XRP desabou 93% na semana passada, sinalizando uma retração abrupta do apetite institucional pelo token da Ripple. A queda derrubou o volume de negociação nos mercados à vista e fez o preço recuar às mínimas recentes.
Com o encolhimento da capitalização de mercado, o XRP perdeu temporariamente sua posição como quarto maior ativo digital do mundo. O movimento reforça a leitura de que parte do dinheiro que havia entrado após a aprovação dos fundos migrou para Bitcoin e Ethereum, considerados mais líquidos em ambientes de aversão a risco.
Rotação institucional esvazia fundos de XRP
Segundo dados divulgados pela Ripple, os produtos listados nos Estados Unidos vinham recebendo aportes consistentes desde a estreia. A queda de 93% em uma única semana quebra esse ritmo e sugere três forças agindo em conjunto: realização de lucros, redução de alocação tática e rotação para ativos mainstream.
O fenômeno não é isolado. Na semana passada, os ETFs de Bitcoin captaram US$ 854 milhões em cinco pregões, enquanto altcoins listadas em veículos regulados enfrentaram saques. O padrão indica que gestores estão concentrando exposição em BTC e ETH e reduzindo posições em tokens de segunda linha, comportamento típico de fases de compressão de risco.
Análises técnicas reforçam o cenário de fragilidade. O XRP acumula queda de 73% desde a máxima histórica de 2025, com supply em circulação praticamente dobrado em relação ao topo anterior. A diluição adicional pressiona qualquer tentativa de recuperação sustentada, mesmo quando surgem catalisadores positivos no lado regulatório.
Ripple avança na Europa com MiCA e RLUSD
No plano estrutural, a companhia dirigida por Brad Garlinghouse conquistou a autorização MiCA na União Europeia, permitindo que ofereça serviços regulados de ativos digitais em todo o bloco. A expansão da stablecoin RLUSD e da plataforma Ripple Mint, focada em tokenização, alimenta a tese de longo prazo do ecossistema.
Desenvolvimentos no XRP Ledger sobretudo em tokenização de ativos reais também ganham tração. O segmento vive um ciclo de aceleração, a tokenização de ativos reais já soma US$ 38 bilhões, puxada por Treasuries e fundos monetários on-chain. Se a Ripple capturar uma fatia desse pipeline, a demanda estrutural pelo XRP pode voltar a crescer, mesmo com o humor de curto prazo pesado.
Investidor brasileiro enfrenta câmbio e novas regras do BC
Para quem negocia XRP em exchanges locais, o cenário adiciona uma camada extra de complexidade. Com o dólar cotado a R$ 5,1095, cada movimento no preço global do token é amplificado ou amortecido pela variação cambial. Uma queda de 5% em dólares pode significar recuo maior em reais dependendo do dia.
Além disso, o novo arcabouço regulatório doméstico começa a valer. O Banco Central passou a exigir retenção de 24 horas em envios de cripto acima de US$ 10 mil, medida que afeta traders que operam entre corretoras e wallets próprias. Somado ao prazo até outubro de 2026 para exchanges pedirem licença, o ambiente local caminha para maior formalização.
Baleias defendem piso técnico em US$ 1
No mercado à vista, grandes endereços têm agido para conter a queda. Registros on-chain mostram que baleias acumularam 380 milhões de XRP na defesa do patamar de US$ 1, criando uma zona de suporte relevante. O RSI mensal do token atingiu o nível mais sobrevendido de sua história recente, o que estatisticamente antecede repiques técnicos.
Ainda assim, sem retomada do fluxo institucional via ETFs, qualquer recuperação tende a ser limitada. A próxima semana concentra atenção em novos dados de captação dos fundos e em possíveis anúncios da Ripple envolvendo parcerias bancárias na Europa, principal frente aberta pela empresa após a licença MiCA.



