- XRP testa suporte crítico em US$ 1,04 após perder o nível de US$ 1,17
- RSI semanal cai para 28 e atinge zona oversold inédita desde 2022
- Transações de baleias acima de US$ 100 mil despencam de 898 para 90
O XRP chegou ao fim de uma linha de defesa que vinha sustentando o gráfico semanal desde meados de 2025. A cotação opera em US$ 1,04 (R$ 5,42), com recuo de 2% nas últimas 24 horas e queda superior a 11% na semana. O movimento confirma a perda do suporte técnico em US$ 1,17 e abre espaço para uma correção mais profunda.
O nível rompido coincide com a retração de Fibonacci de 0,786 traçada a partir da máxima histórica de US$ 3,66, registrada em julho de 2025. Desde então, o ativo já devolveu mais da metade do preço, em um movimento de escada descendente com topos e fundos cada vez mais baixos.
Triângulo rompido aponta US$ 0,73 como alvo
A estrutura técnica que mais preocupa traders é o rompimento de um triângulo simétrico no gráfico semanal. A projeção medida do padrão coloca o objetivo de queda em US$ 0,73 patamar que não aparece nas cotações desde o início do bull run de 2024.
Entre US$ 1,17 e US$ 0,73 há pouca estrutura intermediária de suporte. Em termos práticos, se o preço fechar a semana abaixo do nível atual, o caminho até a próxima região de demanda relevante fica aberto, sem zonas claras de absorção.
O volume semanal segue em queda, sinal de que compradores não estão dispostos a defender o preço. A resistência descendente puxada do topo de US$ 3,66 já rejeitou o ativo em quatro tentativas distintas, reforçando o domínio vendedor no médio prazo.
RSI semanal quebra linha de suporte desde 2022
O Índice de Força Relativa no tempo gráfico semanal entrou em território de sobrevenda perto de 28 pontos leitura que não era vista desde o bear market de 2022. A linha ascendente que sustentou o indicador por mais de três anos foi perdida no início de 2026 e retestada por baixo em maio, sem reconquista.
Leituras profundas de oversold costumam preceder repiques de curto prazo. O problema é que, com a tendência principal apontada para baixo e a linha de tendência do RSI quebrada, eventuais saltos tendem a funcionar como oportunidade de venda em vez de reversão estrutural.
Baleias somem e domínio social derrete
A leitura on-chain reforça o quadro técnico. Dados da Santiment mostram que as transações acima de US$ 100 mil despencaram para perto de 90 movimentações diárias, contra um pico de 898 no início de fevereiro. Relatórios recentes mostram que grandes baleias reduziram participação na oferta circulante durante maio, contrariando expectativas de acumulação.
O domínio social métrica que mede a fatia das menções ao XRP nas redes sobre o total cripto está em torno de 0,259%, bem abaixo dos picos observados em março e maio. Quando atenção e preço caem juntos, o comportamento típico é de distribuição, não de acumulação.
O cenário tem leitura direta para o investidor brasileiro. Em reais, o XRP caiu para R$ 5,40, ampliando perdas de investidores que compraram entre R$ 15 e R$ 18. Vale notar que o token segue como o terceiro ativo mais negociado em volume nas exchanges nacionais, atrás apenas de BTC e ETH. Para acompanhar a dinâmica de oferta nas corretoras, leia também a análise sobre o índice de escassez do XRP na Binance, que caiu para 0,34.
Reclaim de US$ 1,17 define mudança de tendência
Para neutralizar o cenário de baixa, o XRP precisa fechar uma semana acima de US$ 1,17 e o RSI semanal precisa recuperar a linha de tendência rompida. Sem essa dupla confirmação, a tese de queda até US$ 0,73 permanece tecnicamente viva, segundo a leitura do analista Jakub Dziadkowiec, que descreveu o quadro como um “fio de navalha” no fechamento semanal.
O contexto macro não ajuda. Com o tom hawkish do novo Fed e saída líquida nos ETFs spot de Bitcoin, o apetite por altcoins de capitalização média segue contraído. Outra aposta agressiva de baleia em XRP via Hyperliquid já mostrou os riscos de operar alavancado contra essa corrente.