- Bitcoin caiu de US$ 61.868 para cerca de US$ 58 mil em minutos na quinta
- Modelo Power Law registra primeiro fechamento abaixo do suporte em sua história
- BTC opera 53% abaixo do topo de US$ 126.198 marcado em outubro de 2025
O bitcoin escorregou para a casa dos US$ 58 mil na manhã de quinta-feira, em um flash crash que pegou compradores desprevenidos e rompeu uma referência técnica que vinha de pé há mais de uma década. A queda confirmou o tom baixista que domina o mercado desde o topo histórico de outubro de 2025.
Horas antes, o ativo havia chegado a US$ 61.868. Em poucos minutos, vendedores tomaram o controle e derrubaram o preço para a mínima de aproximadamente US$ 58 mil. A recuperação parcial ao longo da manhã levou a cotação a oscilar perto dos US$ 59.239, queda de 2,1% em 24 horas e cerca de 53% abaixo da máxima de US$ 126.198 registrada em 6 de outubro de 2025.
Power Law perde piso histórico pela primeira vez

O movimento de quinta-feira ganhou peso simbólico ao romper o suporte do Power Law, modelo de valuation de longo prazo popularizado pelo físico Giovanni Santostasi. A curva, traçada em escala logarítmica entre preço e tempo, conteve toda a ação do bitcoin desde os primeiros anos da rede.
Analistas que acompanham o indicador apontam que houve flertes com o piso em momentos extremos — como o crash da covid em março de 2020 e o colapso da FTX em novembro de 2022 —, mas nunca um fechamento sustentado abaixo da banda inferior. A linha de suporte sobe cerca de 0,093% ao dia conforme a rede amadurece e estava posicionada na casa baixa dos US$ 60 mil quando a quebra ocorreu.
O mergulho intraday aos US$ 58 mil aprofundou o desvio. Se a perda de referência marca uma ruptura estrutural do modelo ou apenas uma excursão temporária antes de uma recomposição é o debate que divide mesas operacionais. Historicamente, leituras extremas do Power Law Oscillator anteciparam recuperações relevantes — mas a base estatística agora se altera.
Saques em ETFs e venda da Strategy alimentam o estresse
O pano de fundo da liquidação está documentado nos fluxos das últimas semanas. Os ETFs à vista de bitcoin acumulam saques bilionários, com o IBIT da BlackRock entre os mais pressionados. A Strategy vendeu BTC pela primeira vez em quatro anos, movimento que arranhou a confiança institucional em torno da tese de tesouraria corporativa.
Ao mesmo tempo, a tensão entre Estados Unidos e Irã empurrou o petróleo para cima, reabriu o debate inflacionário e levou alguns dirigentes do Federal Reserve a sugerir altas de juros em vez de cortes. A rotação de capital para ações ligadas a inteligência artificial completou o quadro, drenando liquidez do segmento cripto. Como apontou a BlackRock, o boom da IA tem sugado o oxigênio do bitcoin no curto prazo.
Cotação em real cai a R$ 308 mil e baleias somam prejuízo
Convertido ao câmbio atual de R$ 5,2019 por dólar, o bitcoin é negociado perto de R$ 308.155 nas exchanges brasileiras. O patamar joga investidores domésticos que entraram entre setembro e outubro para o vermelho profundo, especialmente os que compraram via corretoras locais com spreads mais largos.
O ambiente segue hostil para posições alavancadas. Dados recentes da Coinglass mostram que liquidações cripto passaram da casa do bilhão de dólares em sessões pontuais deste ciclo, conforme o BitNotícias registrou. Os ETFs também seguem no vermelho, com o IBIT puxando a fila de resgates.
MSTR perde US$ 100 e cenário aponta para US$ 50 mil
Assim, a ação da Strategy (MSTR) rompeu para baixo a barreira simbólica dos US$ 100, abrindo espaço para projeções de que o bitcoin pode visitar a faixa dos US$ 50 mil se a venda de tesourarias corporativas ganhar tração. O movimento da empresa de Michael Saylor funciona hoje como termômetro de risco institucional: enquanto Strategy hesita, traders preferem reduzir exposição. Dados da Glassnode mostram que a demanda real nas exchanges segue tímida, sem absorver a oferta que chega ao mercado a cada quebra de suporte.