- Token M despencou de quase US$ 3 para US$ 0,50 em horas
- Liquidações somaram US$ 9,27 milhões, com US$ 8,26 milhões em longs
- Relatos apontam que 99% do supply estava nas mãos de insiders
O token M, do projeto Memecore, protagonizou um dos colapsos mais violentos de 2026 entre ativos digitais de média capitalização. Em apenas 24 horas, a cotação despencou cerca de 67%, partindo de quase US$ 3,00 e furando sem resistência os suportes em US$ 2,50, US$ 1,90 e US$ 1,24.
No fundo do movimento, o ativo chegou a tocar US$ 0,50 patamar visto pela última vez em agosto de 2025. Houve uma recuperação parcial até a casa dos US$ 0,90, mas o estrago já estava feito, aproximadamente US$ 2,7 bilhões em capitalização de mercado simplesmente desapareceram.
Longs alavancados pagam a conta do tombo
O mercado de derivativos conta a história com mais clareza do que o próprio gráfico de preço. As liquidações totais somaram US$ 9,27 milhões durante o selloff, com posições compradas respondendo por US$ 8,26 milhões desse total.
O volume negociado em derivativos disparou 1.252%, chegando a US$ 354,02 milhões. Ao mesmo tempo, o open interest desabou 71,47%. A combinação é eloquente, traders não estavam abrindo apostas novas, estavam fugindo das existentes. Não foi especulação, foi evacuação.
O padrão lembra eventos recentes em outras pontas do mercado de alavancagem. Há poucos dias, baleias de Solana e XRP também foram pegas em posições alavancadas de alto risco, ainda que sem o componente de float artificial que pesou sobre o M.
99% do supply concentrado em insiders
O gatilho da queda foi a circulação de relatórios apontando que cerca de 99% da oferta total do token estaria sob controle de insiders, deixando apenas uma fatia mínima disponível para o público. Segundo essas análises, o Memecore chegou a registrar um fully diluted valuation de US$ 34,5 bilhões com apenas US$ 100 mil de liquidez on-chain e mantinha capitalização próxima de US$ 900 milhões antes do colapso.
Quando o float real é tão estreito, basta um punhado de detentores decidir realizar lucro para que o livro de ofertas evapore. Foi exatamente o que aconteceu. O alerta foi amplificado pelo analista Ash Crypto, que publicou post no X classificando o episódio como mais um “golpe” de tokenomics manipulada.
Lição para o investidor brasileiro em memecoins
Para quem opera no Brasil, o caso reforça um ponto sensível, a maior parte das exchanges locais lista memecoins agressivamente, sem qualquer obrigação de divulgar concentração de supply. A CVM e o Banco Central ainda não exigem disclosure obrigatório desse tipo de métrica em ativos digitais distribuídos no país, ao contrário do que ocorre em ações listadas na B3.
O cenário se agrava quando o investidor brasileiro acessa esses tokens via pares em USDT. Movimentações recentes, como a integração entre Oobit, USDT e Pix, facilitam a entrada em ativos exóticos sem qualquer filtro adicional de risco. O resultado é que perdas em dólar viram perdas em real com câmbio a R$ 5,1789, ampliando o prejuízo na conversão.
Não é um problema novo. Já alertamos no portal que projetos com narrativa inflada e promessas de retornos exponenciais raramente entregam o que vendem e tendem a colapsar quando a liquidez some.
Recuperação do M enfrenta resistências pesadas
Após a sangria, o token segue muito abaixo dos suportes anteriores, que agora funcionam como teto. A pressão vendedora persistente e o histórico de liquidações forçadas deixam analistas em dúvida sobre se o repique a US$ 0,90 marca estabilização ou apenas uma pausa antes de novo movimento de baixa.
Enquanto isso, o restante do mercado opera relativamente calmo. O Bitcoin negocia perto de US$ 59.481, com leve alta de 0,3% nas últimas 24 horas, e o Ethereum sobe 0,4%, em US$ 1.567. O colapso do M ficou contido ao próprio ativo, sem contágio aparente para majors.