- Marco Aurélio crava o recuo do Bitcoin dos atuais US$ 75,5 mil para US$ 72 mil nesta semana, com possibilidade de buscar liquidez entre US$ 65 mil e US$ 63 mil.
- O analista descarta o conflito geopolítico como direcionador de longo prazo, classificando-o como um “desvio” que potencializa volatilidade, mas não sustenta altas.
- A liberação de 37,3% do gamma e a concentração de liquidez na parte baixa, somadas ao padrão de mínimas aos domingos, indicam ambiente pessimista e novas realizações.
O analista de mercado Marco Aurélio, CIO da Vault Capital, entrega sua projeção para o Bitcoin nesta semana. Ele crava um movimento de queda. O preço da criptomoeda deve recuar dos atuais US$ 75,5 mil para US$ 72 mil. O especialista descarta qualquer influência duradoura da guerra como direcionador do ativo.
“A guerra traz junto a ela um mandato de desinformação”, alerta Marco Aurélio. Ele classifica o conflito como um “grande desvio”. Este desvio potencializa movimentos para cima e para baixo, mas não serve como bússola. O analista critica o pensamento comum de que a resolução da guerra salvará o mercado de alta. “Nem foi a guerra que nos trouxe até aqui, então por que seria ela a nos levar para frente?”, questiona. Ele ordena: “Esqueça a guerra.”
O mercado apresentou volatilidade recente. O Bitcoin chegou próximo do call wall de US$ 80 mil. Os dealers atuaram na região conforme o esperado. O Irã então desmentiu todas as afirmações de Trump sobre as negociações. Este fato potencializou ainda mais o retorno do preço. Novas ações se desencadearam: os EUA tomaram posse de um navio iraniano. O Irã revidou com ataques de drones. “O ciclo continua”, resume o analista.

Preço do Bitcoin
Marco Aurélio observa um padrão que se repete. Em março, o Bitcoin subiu no meio do mês por causa dos ruídos da guerra. Deixou sua máxima e nas semanas seguintes realizou queda. “O mesmo parece estar acontecendo agora”, afirma. Ele crava a recusa do preço em US$ 75,5 mil como ponto de inflexão. Este nível deve levar o ativo de volta para US$ 72 mil.
O movimento da semana passada desencadeou liquidações nas regiões acima. Estas liquidações deixaram uma assimetria maior na parte de baixo. O analista identifica grande concentração de liquidez entre US$ 65 mil e US$ 63 mil. Ele chama atenção para o padrão intraday que se repete com consistência aos domingos: o preço marca mínima às 19h na abertura do asiático e máxima na abertura do americano.
O cenário técnico se fragiliza ainda mais. Nesta semana, o mercado libera 37,3% do gamma. Durante o mês, as travas testaram apenas para cima. Este movimento deixou os níveis inferiores fragilizados. “Num ambiente pessimista, o mercado vai em busca de toda a liquidez que os participantes deixaram na parte de baixo”, explica Marco Aurélio.
A agenda econômica e política também influencia. Segunda-feira começa a segunda rodada de negociações entre EUA e Irã. Terça-feira o mercado acompanha dados de vendas no varejo e imóveis pendentes de março. O prazo do cessar-fogo vence na terça. Sexta-feira sai a inflação de expectativas do Michigan de abril. Além disso, aproximadamente 15% das empresas do S&P 500 divulgam seus resultados ao longo da semana. O analista recomenda atenção a todos esses fatores, mas mantém sua projeção de queda para o Bitcoin.

