ETFs de Bitcoin disparam no Brasil enquanto EUA registram fuga de capital

Reabertura do governo dos EUA pode desencadear um boom nos ETFs de criptomoedas
  • Institucionais brasileiros seguem comprando ETFs de cripto, enquanto investidores dos EUA realizam resgates intensos.
  • B3 destaca que ETFs representam menos de 1% do mercado local, contra 33% nos Estados Unidos.
  • Especialistas apontam que a estrutura de derivativos, garantias e empréstimos será decisiva para ampliar a adoção institucional.

Durante o Blockchain Conference Brasil, o painel “ETFs e fundos cripto, o motor da adoção institucional” reuniu representantes de gestoras, infraestrutura de mercado e plataformas para discutir o avanço desses produtos entre investidores profissionais.

A mediação foi de Claudia Mancini, do Blocknews, com participação de Samir Kerbage (Hashdex), Murilo Cortina (QR Asset), Bianca Maria (B3) e Julio Bispo (Urban Exchange). Eles destacaram que o movimento dos investidores profissionais começa a ganhar contornos mais definidos no Brasil. Ainda que em ritmo diferente do observado nos Estados Unidos e na Europa.

Samir Kerbage, CIO da Hashdex, afirmou que a maior parte do volume sob gestão da gestora no país vem de profissionais de investimento. Embora o varejo concentre o maior número de cotistas. Segundo ele, o fluxo recente mostra comportamentos opostos entre mercados. “Os investidores institucionais de longo prazo estão comprando sem parar. No Brasil há um aporte e lá fora há muitos resgates”, disse.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Kerbage atribuiu essa diferença ao estágio do mercado: no exterior, investidores institucionais ainda iniciam suas posições, enquanto no Brasil parte dos investidores presentes desde 2021 faz rebalanceamentos após fortes altas acumuladas.

ETFs de Bitcoin - Blockchain Conference Brasil

ETFs cripto

Bianca Maria, responsável pelos produtos de Cash Equities (Fundos Listados, Ações e BDRs). da B3, lembrou que a bolsa autorizou os primeiros ETFs de cripto em 2021. Ela destacou também que o segmento ainda opera com ampla margem de expansão. “Nos Estados Unidos, ETFs representam 33% de todas as operações; no Brasil, ainda não chegamos a 1%”, afirmou.

Assim, ela destacou que a ampliação do público institucional depende da consolidação de instrumentos complementares. “A pessoa física compra o ETF e acha que está resolvido, mas o institucional precisa de derivativos, empréstimos e uso em garantia. Esse ecossistema está sendo desenvolvido e é chave para o avanço institucional”, disse.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Murilo Cortina, da Head Comercial da QR Asset, também comentou sobre os comportamentos no Brasil e nos Estados Unidos. 

“O ponto principal não é só a educação. Também é a estrutura do mercado norte-americano que é muito diferente da nossa. O volume que eles aportam é muito diferente do nosso. Há o fator que é muito mais sensível para eles que é a questão macro. Essa questão estamos vivendo lá fora e ela acaba impactando mais fortemente de uma forma direta”, comenta.

X
Siga o BitNotícias no X para notícias em tempo real
Compartilhe este artigo
Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.