- Itaú avalia que o mercado cripto absorveu parte do impacto do ataque à Binance, embora a tendência dos principais ativos continue indefinida.
- Bitcoin precisa superar R$ 445 mil para buscar R$ 481 mil e R$ 523 mil, enquanto Ethereum enfrenta risco de queda até R$ 8.960.
- Banco também identifica suportes e resistências para XRP, Solana e cinco ETFs de criptomoedas negociados na B3.
O Itaú divulgou suas projeções para o mercado de criptomoedas em novembro de 2026, identificando níveis de preço que podem determinar os próximos movimentos do Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), XRP e Solana (SOL). Apesar da turbulência provocada pelo ataque hacker à Binance, o banco considera que o setor demonstrou resistência e conseguiu evitar, até agora, uma deterioração estrutural dos preços.
No relatório Cenário Cripto – Novembro de 2026, elaborado pelo analista Lucas Piza (CNPI), do Íon Itaú/Itaú BBA, a instituição apresenta cenários de recuperação e de novas quedas para os principais criptoativos. No caso do Bitcoin, a análise identifica a possibilidade de uma valorização até R$ 523.250, desde que determinadas resistências sejam superadas.
O banco também alerta para riscos envolvendo as altcoins. O Ethereum, por exemplo, poderá recuar até R$ 8.960 caso perca suportes importantes. Solana e XRP enfrentam situações semelhantes, enquanto os ETFs de criptomoedas negociados na Bolsa brasileira também apresentam tendências indefinidas.
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Entretanto, mesmo diante das incertezas, o Itaú considera que o cenário ainda oferece condições para estratégias de investimentos graduais, especialmente entre os ativos que conseguiram preservar níveis técnicos de longo prazo.
Itaú diz que mercado cripto resistiu ao ataque da Binance e vê oportunidade para aportes graduais
Segundo o relatório, outubro terminou com um desempenho levemente negativo para o mercado de criptomoedas. A pressão vendedora aumentou durante os últimos dias do mês, especialmente após o ataque hacker à Binance, uma das maiores exchanges do mundo.
O episódio provocou uma deterioração do sentimento dos investidores e ampliou a aversão ao risco. O Itaú chegou a comparar a relevância do incidente aos episódios históricos envolvendo a FTX e a Mt. Gox, embora tenha ressaltado que a reação dos preços foi menos intensa do que o impacto inicial poderia sugerir.
Na avaliação do banco, boa parte dos criptoativos analisados continuou sendo negociada próxima de suas médias móveis exponenciais de 200 períodos. Esse comportamento sugere que o mercado conseguiu absorver uma parcela significativa do choque sem apresentar, até o fechamento do relatório, uma ruptura generalizada das estruturas de preço.
Isso não significa, entretanto, que os riscos tenham desaparecido. O documento destaca a importância de acompanhar os desdobramentos do ataque durante novembro, especialmente diante da possibilidade de novos episódios de volatilidade.
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Um dos dados mais relevantes é que todos os dez ativos e índices acompanhados pelo Itaú aparecem com tendência de médio prazo indefinida. Além disso, todos estavam abaixo de suas médias móveis exponenciais de 21 períodos.
A situação da média de 200 períodos é um pouco diferente. Bitcoin, BITH11 e HASH11 permaneciam acima desse indicador, enquanto Ethereum, XRP, Solana e seus respectivos ETFs negociavam abaixo dele. O Nasdaq Crypto Index também estava abaixo dessa referência.
Essa distinção é importante porque a média móvel de 200 períodos costuma ser utilizada na análise técnica para identificar a direção mais ampla dos preços. Embora não seja um indicador definitivo, permanecer acima dela pode sugerir maior resistência do ativo durante correções de mercado.
Diante desse cenário, o Itaú considera que estratégias de Dollar-Cost Averaging (DCA) continuam pertinentes, principalmente para os ativos que conseguiram defender suas médias de 200 períodos.
A estratégia consiste em realizar compras periódicas, distribuindo os aportes ao longo do tempo, em vez de concentrar todo o investimento em uma única operação. Dessa forma, o investidor reduz a dependência de acertar exatamente o melhor momento de entrada, embora continue exposto às oscilações e ao risco de perdas.
Mercado cripto precisa superar resistências para recuperar tendência de alta
O banco também analisou o Nasdaq Crypto Index (NCI), índice desenvolvido pela Nasdaq em parceria com a Hashdex, que acompanha uma carteira diversificada de criptomoedas.
De acordo com a composição apresentada no relatório, o Bitcoin representa 75,32% do índice, seguido pelo Ethereum, com 11,08%, XRP, com 4,80%, Hyperliquid, com 3,71%, e Solana, com 3,66%. Outras criptomoedas, como Cardano, Chainlink, Stellar e Bitcoin Cash, possuem participações menores.
A concentração em Bitcoin significa que os movimentos da maior criptomoeda do mercado exercem uma influência significativa sobre o desempenho do índice.
Para novembro, o Itaú identifica 4.240 pontos como a principal resistência do NCI. Caso esse patamar seja superado, o índice poderá iniciar uma recuperação de curto prazo em direção a 4.490 e 4.875 pontos.
Por outro lado, a perda do suporte de 3.580 pontos representaria um sinal negativo, abrindo espaço para quedas em direção a 3.295 e 2.900 pontos.
O cenário reforça a avaliação de que o mercado ainda não apresentou evidências técnicas suficientes para confirmar uma recuperação ampla das criptomoedas.
Bitcoin pode chegar a R$ 523 mil, enquanto Ethereum corre risco de cair a R$ 8.960
Para o Bitcoin, o Itaú considera que outubro terminou com relativa estabilidade, apesar das turbulências do mercado. No levantamento realizado em 30 de outubro, às 10h39, a criptomoeda apresentava preço de referência de R$ 417.175, com capitalização de mercado estimada em R$ 8,39 trilhões.
O principal desafio do BTC em novembro será superar a resistência de R$ 445 mil, segundo o banco. Esse patamar é considerado determinante para que a criptomoeda volte a apresentar uma trajetória positiva no curto prazo.
Se conseguir romper essa barreira, o Bitcoin poderá buscar inicialmente R$ 481.310. Uma continuidade do movimento de valorização abriria espaço para um segundo objetivo, localizado em R$ 523.250.
Entretanto, a instituição também identifica um nível importante de proteção contra quedas. Para evitar a formação de uma tendência de baixa no curto prazo, o Bitcoin precisará permanecer acima de R$ 390.100.
Uma perda desse suporte representaria um enfraquecimento do cenário técnico, indicando a necessidade de reavaliar a estrutura de preços. O relatório, porém, não apresenta objetivos adicionais de queda para o BTC abaixo dessa região.
O banco observa ainda que o Bitcoin permanece acima da média móvel exponencial de 200 períodos, diferentemente de outras criptomoedas analisadas. Essa condição é um dos elementos que sustentam sua avaliação relativamente mais favorável para o ativo.
Ethereum enfrenta suporte decisivo em R$ 11.655
A situação do Ethereum exige atenção adicional. Segundo o Itaú, a criptomoeda também apresentou relativa estabilidade durante outubro, mas terminou o período negociando abaixo de suas médias móveis de 21 e 200 períodos.
Na coleta de dados realizada em 30 de outubro, às 10h40, o ETH apresentava preço de referência de R$ 12.113, com aproximadamente 122,17 milhões de unidades em circulação e capitalização de mercado estimada em R$ 1,48 trilhão.
O relatório identifica R$ 11.655 como o principal suporte a ser acompanhado em novembro. Caso o Ethereum perca esse nível, a análise aponta a possibilidade de novas quedas em direção a R$ 10.050.
Uma continuidade do movimento negativo poderia levar a criptomoeda até R$ 8.960, região que representa o segundo objetivo de baixa apresentado pelo banco.
No cenário otimista, o Ethereum precisará superar a resistência de R$ 14.230 para recuperar uma trajetória positiva. Caso isso aconteça, os próximos objetivos técnicos estarão localizados em R$ 16.175 e R$ 18.625.
A diferença entre os cenários mostra que o Ethereum se encontra em uma região de indefinição, com espaço tanto para uma recuperação quanto para uma continuidade das perdas, dependendo da reação dos compradores e vendedores.
A avaliação também evidencia uma condição técnica diferente daquela observada no Bitcoin. Enquanto o BTC permanece acima da média móvel de 200 períodos, o Ethereum negocia abaixo dessa referência, indicando maior fragilidade em sua estrutura de preços segundo os critérios utilizados no relatório.
Itaú também alerta para Solana, XRP e ETFs de criptomoedas da B3
Além de Bitcoin e Ethereum, o Itaú analisou as perspectivas para Solana e XRP, dois dos principais criptoativos do mercado. Ambos encerraram outubro em situações de indefinição e próximos de regiões consideradas importantes para evitar novas quedas.
No caso da Solana (SOL), o preço de referência utilizado pelo banco foi de R$ 517,08, em 30 de outubro. A criptomoeda apresentava capitalização estimada em R$ 305,10 bilhões e aproximadamente 590,04 milhões de unidades em circulação.
O suporte mais próximo está localizado em R$ 496,95. Segundo o relatório, uma perda desse nível poderá colocar a Solana em uma tendência de baixa no curto prazo, com objetivos em R$ 432,55 e R$ 371,30.
Para recuperar o cenário positivo, a SOL precisará superar uma resistência considerada forte em R$ 635. Acima desse patamar, a análise identifica a possibilidade de avanços até R$ 695,90 e, posteriormente, R$ 791,65.
O Itaú também considera a superação de R$ 635 um possível ponto de compra sob a perspectiva da análise técnica, condicionado à confirmação do movimento.
Já o XRP, token nativo da XRP Ledger, sofreu com o sentimento negativo que atingiu o mercado durante os últimos dias de outubro.
Com preço de referência de R$ 6,79 no levantamento do banco, o XRP terminou o período próximo de um suporte importante localizado em R$ 6,45.
Caso perca esse patamar, o ativo poderá iniciar uma tendência de baixa no curto prazo, com objetivo na região de R$ 5,15, considerada pelo Itaú um suporte mais forte.
Por outro lado, uma recuperação consistente dependerá da superação da resistência em R$ 8,55, nível que o analista considera necessário para o retorno de um cenário positivo.
ETFs de Bitcoin, Ethereum, Solana e XRP também estão sob pressão
O relatório também acompanha cinco ETFs de criptomoedas negociados na B3: HASH11, BITH11, ETHE11, XRPH11 e SOLH11.
No caso do HASH11, que acompanha o Nasdaq Crypto Index, o Itaú identifica resistência em R$ 59,65. Se esse valor for superado, o fundo poderá buscar R$ 65,75 e R$ 72,15. Entretanto, a perda do suporte de R$ 50,30 poderá abrir espaço para quedas até R$ 46,15 e R$ 38,80.
O BITH11, ETF de Bitcoin da Hashdex, apresenta uma situação semelhante à da criptomoeda. O fundo precisa superar R$ 102,45 para buscar R$ 109,20 e R$ 119,50. No cenário negativo, a principal região de suporte está em R$ 86,65, seguida por R$ 80,10 e R$ 66,70.
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Para o ETHE11, que oferece exposição ao Ethereum, a resistência decisiva está em R$ 41,80. Acima dessa região, os próximos objetivos são R$ 47,25 e R$ 56,20. Por outro lado, a perda do suporte em R$ 33,80 poderá levar o ETF a R$ 28,70 e R$ 25,55.
O XRPH11, ligado ao desempenho do XRP, também apresenta uma situação delicada. Segundo o Itaú, o ETF negocia próximo do suporte em R$ 10,00. Uma perda desse patamar poderá levar o ativo a R$ 7,80, enquanto a recuperação depende de uma superação da resistência em R$ 13,00.
Por fim, o SOLH11, ETF de Solana, apresenta suporte em R$ 13,75. Abaixo desse nível, o fundo poderá buscar R$ 12,40 e R$ 10,20. No cenário de recuperação, a resistência mais importante está em R$ 18,00, seguida por objetivos em R$ 22,35 e R$ 25,40.
Todos os cinco ETFs permanecem sem tendência definida de médio prazo, de acordo com os critérios utilizados pelo Itaú.
Confira os preços que podem determinar o futuro das criptomoedas em novembro
A tabela abaixo reúne os principais suportes e resistências identificados pelo Itaú para os dez ativos e índices acompanhados em seu relatório de novembro de 2026.
| Ativo | Suporte principal | Resistência principal |
|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | R$ 390.100 | R$ 445.000 |
| Ethereum (ETH) | R$ 11.655 | R$ 14.230 |
| XRP | R$ 6,45 | R$ 8,55 |
| Solana (SOL) | R$ 496,95 | R$ 635,00 |
| HASH11 | R$ 50,30 | R$ 59,65 |
| BITH11 | R$ 86,65 | R$ 102,45 |
| ETHE11 | R$ 33,80 | R$ 41,80 |
| XRPH11 | R$ 10,00 | R$ 13,00 |
| SOLH11 | R$ 13,75 | R$ 18,00 |
| Nasdaq Crypto Index | 3.580 pontos | 4.240 pontos |
Fonte: Itaú BBA/Íon Itaú, relatório Cenário Cripto – Novembro de 2026. Preços e níveis técnicos de referência do levantamento de 30 de outubro de 2026.
Apesar dos riscos apontados, a principal conclusão do Itaú não é de que o mercado necessariamente enfrentará uma nova rodada de fortes quedas. A instituição considera que a reação relativamente contida dos preços ao ataque à Binance mostra que os criptoativos conseguiram absorver parte do impacto inicial.
Porém, a continuidade dessa resistência dependerá da capacidade dos compradores de defender os suportes identificados e superar as regiões de resistência.




