- Carteiras associadas à Binance movimentaram aproximadamente US$ 2 bilhões nas primeiras três horas após a retomada dos saques.
- Whale Alert identificou transferências de 10 mil BTC, 30 mil ETH e aproximadamente US$ 1,2 bilhão em stablecoins para endereços desconhecidos.
- Binance reabre os saques gradualmente, anuncia novos endereços de carteira e afirma ter reposto 95% dos ativos afetados pelo ataque.
A Binance registrou aproximadamente US$ 2 bilhões em movimentações de criptomoedas nas primeiras três horas após a retomada dos saques, neste domingo (1º), depois de suspender o serviço em resposta ao ataque hacker que provocou perdas estimadas em US$ 6,3 bilhões. As transferências foram identificadas pelo serviço de monitoramento blockchain Whale Alert e envolvem grandes quantidades de Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH) e stablecoins.
Segundo levantamento publicado pelo BeInCrypto, as movimentações ocorreram pouco depois de a maior exchange de criptomoedas do mundo iniciar a reabertura gradual das retiradas. Os registros mostram transferências para endereços classificados como desconhecidos pelo Whale Alert, o que levantou questionamentos sobre a reação dos investidores ao incidente de segurança.
Entretanto, não há confirmação de que os US$ 2 bilhões representem exclusivamente saques realizados por clientes. Parte das transferências pode estar relacionada à reorganização das carteiras da própria Binance, que anunciou a criação de novos endereços para processar as retiradas após o ataque.
A movimentação representa um dos primeiros grandes testes para a plataforma desde o incidente de 29 de outubro. A empresa afirma que os fundos dos usuários continuam protegidos e que já conseguiu recompor aproximadamente 95% dos ativos afetados, utilizando recursos próprios e mecanismos de proteção.
Binance movimenta 10 mil Bitcoins e quase US$ 1 bilhão em USDT após reabrir saques
Os registros divulgados pelo Whale Alert identificaram grandes transferências de criptomoedas associadas à Binance durante as primeiras horas de funcionamento do serviço de saques.
Entre as movimentações identificadas estão 10 mil Bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 779 milhões, enviados para endereços não identificados pelo serviço de monitoramento. O volume representa uma das maiores transferências individuais registradas durante o período.
Além do Bitcoin, os registros apontaram movimentações de aproximadamente US$ 1 bilhão em Tether (USDT) e outros US$ 200 milhões em USD Coin (USDC), duas das principais stablecoins do mercado.
Também foram identificadas transferências de 30 mil ETH, avaliados em aproximadamente US$ 68 milhões. Somadas, as operações destacadas pelo levantamento representam cerca de US$ 2 bilhões movimentados em um intervalo de aproximadamente três horas.
O volume chamou atenção porque ocorreu imediatamente após um período de suspensão das retiradas, adotado como medida preventiva para conter possíveis novas perdas e permitir que a exchange revisasse sua infraestrutura de segurança.
Contudo, os dados blockchain apresentam uma limitação importante. O Whale Alert classifica como desconhecidos os endereços que não consegue identificar publicamente, mas isso não significa necessariamente que pertençam a clientes, concorrentes ou criminosos.
Uma transferência entre carteiras controladas pela mesma empresa também pode aparecer como uma saída para endereço desconhecido. Por isso, as movimentações não demonstram, isoladamente, uma retirada líquida de US$ 2 bilhões das reservas da Binance.
Binance muda carteiras de saque após ataque hacker
A possibilidade de transferências internas ganhou relevância após um novo anúncio da própria Binance.
Neste domingo, a exchange informou que atualizou sua lista de endereços vinculados à Prova de Reservas (Proof of Reserves), incluindo carteiras recém-criadas como parte das medidas de segurança adotadas após o incidente.
Segundo a empresa, todas as novas retiradas passarão a ser processadas por esses endereços, substituindo a infraestrutura utilizada anteriormente.
A mudança busca reduzir os riscos associados às carteiras e aos sistemas que poderiam ter sido comprometidos durante o ataque. Entretanto, ela também significa que grandes transferências poderão ocorrer entre endereços antigos e novos sem representar, necessariamente, uma fuga de recursos dos clientes.
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A Binance ainda não apresentou uma correspondência pública individual entre todas as operações identificadas pelo Whale Alert e os novos endereços incluídos na Prova de Reservas.
Dessa forma, ainda não é possível determinar quanto dos US$ 2 bilhões corresponde a saques efetivos e quanto está relacionado a movimentações operacionais da exchange.
Binance retoma saques em 15 redes e confirma recomposição de 95% dos ativos
A retomada das retiradas foi anunciada oficialmente pela Binance em sua quarta atualização sobre o incidente de segurança, publicada neste domingo (1º).
A exchange estabeleceu uma janela entre 6h e 9h UTC, equivalente a 3h e 6h no horário de Brasília, para iniciar a primeira fase de reabertura. O Bitcoin foi uma das primeiras redes a ter o serviço restabelecido.
A primeira etapa contempla 15 redes blockchain, incluindo Bitcoin, Ethereum, BNB Smart Chain, Tron, Solana, XRP Ledger, Zcash, Dogecoin, TON, Polygon, Avalanche, Arbitrum, Base, Optimism e Sui.
Entretanto, a empresa destacou que a disponibilidade será restabelecida gradualmente, dependendo da conclusão das verificações de segurança e estabilidade para cada rede e criptomoeda.
A Binance também alertou que o aumento da demanda poderá provocar atrasos temporários no processamento das retiradas, especialmente durante as primeiras horas de funcionamento.
Em paralelo, a empresa anunciou avanços na recomposição dos ativos comprometidos pelo ataque hacker.
De acordo com o comunicado oficial de 1º de novembro, aproximadamente 95% dos ativos afetados já haviam sido repostos, acima dos 90% informados anteriormente.
A exchange afirma que os saldos de Bitcoin, Ethereum, USDT, BNB, Solana, USDC, XRP, USD1, RLUSD e Zcash já estão integralmente respaldados por reservas na proporção de 1:1.
Os 5% restantes envolvem criptomoedas de menor liquidez, cuja aquisição em grandes quantidades exige mais tempo e poderá ocorrer tanto em negociações tradicionais quanto no mercado de balcão (OTC).
A Binance também informou que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos relacionados ao ataque foram congelados, graças à colaboração com emissores de stablecoins, empresas de análise blockchain e autoridades.
É importante destacar que o congelamento desses recursos é diferente da reposição realizada pela exchange. Os valores bloqueados continuam sujeitos aos procedimentos de recuperação, enquanto a recomposição das reservas utiliza recursos disponibilizados pela própria Binance.
Brasileiros estão seguros? Binance Brasil mantém fundos segregados após o hack
O episódio também trouxe questionamentos sobre a segurança das criptomoedas dos clientes brasileiros, especialmente após a divulgação das transferências bilionárias registradas neste domingo.
Em comunicado anterior, publicado em 30 de outubro, a Binance Brasil afirmou que os recursos de seus clientes permanecem seguros e separados da estrutura global afetada pelo incidente.
Segundo a BBrasil SPSAV Ltda., entidade responsável pelos serviços de ativos virtuais no país, a operação brasileira observa as exigências de segregação patrimonial estabelecidas pelo Banco Central.
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A empresa também informou que utiliza carteiras frias (cold wallets) para proteger os criptoativos dos clientes, reduzindo a exposição dos recursos a sistemas permanentemente conectados à internet.
A estrutura faz parte das adaptações implementadas pela Binance para cumprir o novo marco regulatório brasileiro de prestadores de serviços de ativos virtuais.
A empresa havia suspendido preventivamente os saques após o ataque global, mesmo afirmando que os ativos dos clientes brasileiros não haviam sido comprometidos.
Com a retomada gradual anunciada neste domingo, a disponibilidade das retiradas deverá ser acompanhada diretamente na plataforma, conforme a rede e a criptomoeda selecionadas.
Apesar das garantias apresentadas pela Binance, o elevado volume de transferências observado nas primeiras horas reforça a importância da divulgação de informações adicionais sobre os novos endereços e a movimentação efetiva dos saldos dos clientes.
A exchange também prepara uma atualização mais completa de sua Prova de Reservas, com verificação criptográfica prevista para 3 de novembro, permitindo que usuários dos principais tokens consultem o respaldo de seus ativos.





