- Polícia Militar prendeu Josué Viana Medeiros em São Paulo após identificação pelo sistema Muralha Paulista.
- Esquema de investimentos em criptomoedas teria movimentado mais de R$ 45 milhões e prejudicado aproximadamente 300 pessoas.
- Investigação identificou promessas de rendimentos de 10% ao mês e suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Ferrari, McLaren e outros carros de luxo.
A Polícia Militar de São Paulo prendeu, na tarde de sábado (31), Josué Viana Medeiros, conhecido como “Rei das Criptomoedas”, por seu envolvimento em um esquema de investimentos fraudulentos que teria movimentado mais de R$ 45 milhões. O homem era procurado pela Justiça do Amazonas e, segundo as informações divulgadas sobre a prisão, foi condenado a oito anos de reclusão em regime fechado.
A prisão aconteceu no bairro de Perdizes, na zona oeste da capital paulista, depois que câmeras do programa Muralha Paulista identificaram o condenado enquanto ele caminhava pela Rua Itajobi. Policiais militares foram acionados, realizaram a abordagem e confirmaram a existência de um mandado de prisão em aberto.
Segundo investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, o esquema envolvia falsas oportunidades de investimentos em criptomoedas, com promessas de rendimentos mensais de aproximadamente 10%. A operação teria prejudicado cerca de 300 investidores em Manaus, além de envolver suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da compra e venda simulada de veículos de luxo.
Após a captura, Josué foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e, posteriormente, ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros. Conforme as informações divulgadas pelo Metrópoles, ele tinha uma audiência de custódia prevista para este domingo (1º).
Como funcionava o golpe de R$ 45 milhões com criptomoedas?
As investigações tiveram início em 2021, quando a Polícia Civil do Amazonas passou a apurar denúncias envolvendo uma suposta empresa de investimentos em criptomoedas que prometia lucros elevados e recorrentes.
Segundo a Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), os responsáveis convenciam investidores a assinar contratos e entregar recursos sob a promessa de receber rendimentos de aproximadamente 10% ao mês.
As vítimas acreditavam que o dinheiro seria aplicado em operações com criptomoedas e que receberiam pagamentos periódicos. Entretanto, conforme a investigação, os lucros anunciados não correspondiam a operações financeiras reais.
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O então titular da DERFD, delegado Adriano Félix, explicou em janeiro de 2022 que alguns investidores descobriram que os comprovantes apresentados pela empresa eram falsos e que os rendimentos prometidos não existiam.
Os documentos teriam sido utilizados para transmitir credibilidade ao negócio e convencer os clientes de que seus recursos estavam sendo administrados corretamente.
A apuração policial apontou que o esquema movimentou mais de R$ 45 milhões, com uma estimativa de aproximadamente 300 vítimas. O montante corresponde ao valor atribuído à operação investigada, não havendo comprovação pública de que toda essa quantia represente recursos individualmente apropriados pelo condenado.
Outro detalhe identificado pelas autoridades foi a participação de familiares e outros envolvidos. Josué Viana Medeiros atuava, segundo a polícia, com seu filho, Josué Victor Almeida de Figueiredo Medeiros, que tinha 24 anos quando foi identificado como procurado pela Justiça, em janeiro de 2022.
Na época, a Polícia Civil do Amazonas divulgou a identificação do filho e solicitou informações sobre seu paradeiro. As informações recentes sobre a prisão em São Paulo não esclarecem a situação judicial atual de Josué Victor.
Ferrari, McLaren e lavagem de dinheiro: o que a polícia descobriu?
Um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a movimentação de veículos de luxo associados ao grupo investigado.
Segundo a Polícia Civil do Amazonas, parte dos recursos obtidos pelo esquema teria sido utilizada em operações envolvendo estabelecimentos especializados na comercialização de automóveis importados.
A suspeita era de que integrantes do grupo realizassem compras simuladas de carros de alto padrão para ocultar a origem do dinheiro e dificultar o rastreamento dos valores recebidos dos investidores.
As investigações resultaram na Operação Blockchain Fake, deflagrada em novembro de 2021, quando as autoridades apreenderam cinco veículos associados ao caso.
Em Manaus, foram apreendidos uma BMW, um Troller e um Mini Cooper, avaliados conjuntamente em aproximadamente R$ 6 milhões, conforme os valores divulgados pela polícia na época.
Outros dois automóveis de luxo, uma Ferrari e uma McLaren, foram apreendidos em ações realizadas em Brasília e São Paulo. Segundo a investigação, cada um desses veículos foi avaliado em aproximadamente R$ 5 milhões.
A operação buscava identificar a movimentação patrimonial dos suspeitos e possíveis mecanismos utilizados para dissimular a origem dos valores.
O caso ganhou repercussão no Amazonas devido ao volume financeiro, ao número de vítimas e à exposição de automóveis de luxo associada aos investigados.
Em janeiro de 2022, Josué Viana Medeiros foi preso pela Polícia Rodoviária Federal em Santarém, no Pará, durante uma fiscalização. Ele foi posteriormente encaminhado ao Amazonas, onde respondia às acusações relacionadas ao esquema.
Registros do Tribunal de Justiça do Amazonas também mostram que, em maio de 2022, Josué obteve liberdade provisória mediante condições como comparecimento periódico à Justiça e monitoramento eletrônico.
A nova prisão, ocorrida em outubro de 2026, representa outro desdobramento do caso, agora relacionado ao cumprimento de mandado judicial após a condenação de oito anos divulgada pelas autoridades.
Reconhecimento facial ajudou PM a localizar condenado em São Paulo
A captura de Josué Viana Medeiros foi realizada com o auxílio do Muralha Paulista, sistema de monitoramento e inteligência utilizado pelo Governo de São Paulo para identificar pessoas procuradas pela Justiça.
O programa integra câmeras instaladas em diferentes regiões do estado, combinando equipamentos de reconhecimento facial, leitura automática de placas e monitoramento em tempo real.
As informações coletadas são cruzadas com bases de dados de segurança pública, incluindo registros do Banco Nacional de Mandados de Prisão. Quando um possível foragido é identificado, o sistema pode gerar um alerta para as equipes policiais.
Foi esse mecanismo que permitiu localizar Josué enquanto caminhava pelo bairro de Perdizes. Após receberem a informação, policiais militares foram até a região e confirmaram a existência da ordem judicial.
A utilização do reconhecimento facial tem sido ampliada pelo Governo de São Paulo. Em outubro, o estado anunciou novas integrações entre o programa e sistemas de monitoramento de rodovias e transportes públicos, buscando ampliar a capacidade de identificação de pessoas procuradas.




