- Fundador da BTC.TOP afirma que a falta de utilidade é o maior risco para o Bitcoin, superando até mesmo as ameaças da computação quântica à segurança da rede.
- Jiang Zhuoer alerta que o Bitcoin pode perder investidores caso deixe de oferecer retornos superiores aos da Nasdaq, enfraquecendo sua demanda e seus ciclos de valorização.
- Empresário aposta no Ethereum e na tokenização de ativos reais (RWA), argumentando que aplicações práticas podem garantir uma demanda mais sustentável pelo ETH.
O maior risco para o futuro do Bitcoin não está nos computadores quânticos, nas ameaças à sua criptografia ou mesmo na possibilidade de ataques contra carteiras antigas. Para Jiang Zhuoer, fundador da mineradora BTC.TOP e um dos nomes conhecidos do setor de mineração de criptomoedas na China, o verdadeiro perigo é que o Bitcoin não consiga sustentar seu valor caso os investidores deixem de enxergar motivos para acumulá-lo.
A declaração foi publicada no domingo, 25 de outubro, em uma postagem no X, na qual o empresário explicou por que decidiu privilegiar o Ethereum (ETH) em sua estratégia de investimentos. Segundo ele, a tokenização de ativos do mundo real, conhecida pela sigla RWA, representa a principal contribuição social da tecnologia blockchain e deverá beneficiar diretamente a rede Ethereum.
Ao avaliar os riscos para o Bitcoin, Zhuoer foi categórico. Para ele, os ataques quânticos representam um problema menor quando comparados à possibilidade de a criptomoeda não possuir demanda suficiente baseada em aplicações práticas. Em suas palavras, o maior risco para o BTC é “não ter utilidade”.
A análise chama atenção por partir de um empresário que construiu sua trajetória justamente na indústria de mineração de Bitcoin. Zhuoer participou de debates importantes sobre o desenvolvimento da criptomoeda e se tornou conhecido por suas posições sobre ciclos de mercado, mineração e disputas envolvendo o Bitcoin Cash.
Agora, sua preocupação está menos relacionada à segurança imediata da rede e mais à sustentabilidade econômica da demanda pelo BTC nas próximas décadas.
Bitcoin pode perder investidores se não superar a Nasdaq
Na avaliação de Jiang Zhuoer, o Bitcoin enfrenta um problema decorrente do próprio amadurecimento do mercado. À medida que grandes investidores e instituições financeiras tradicionais passaram a participar do setor, parte do potencial de valorização associado à entrada de novos compradores já teria sido incorporada ao preço.
O empresário observa que os ganhos percentuais registrados nos ciclos de alta do Bitcoin vêm diminuindo. Essa redução, segundo sua interpretação, pode colocar a criptomoeda em uma situação delicada caso seus retornos deixem de compensar os riscos assumidos pelos investidores.
O ponto central é a comparação com o mercado acionário norte-americano, especialmente o índice Nasdaq, associado às grandes empresas de tecnologia.
Se o Bitcoin deixar de superar consistentemente os retornos da Nasdaq, Zhuoer acredita que investidores poderão começar a questionar por que deveriam manter recursos em um ativo extremamente volátil, que não distribui dividendos e depende da demanda de mercado para se valorizar.
Nesse cenário, parte dos detentores de BTC poderia aproveitar momentos de valorização para vender suas posições, reduzindo o volume de investidores dispostos a comprar e manter a criptomoeda por longos períodos.
Segundo o empresário, isso colocaria em risco o mecanismo que ajudou a sustentar a valorização histórica do Bitcoin: o aumento do preço incentiva investidores a acumular moedas, e o acúmulo reduz a oferta disponível, contribuindo para novas altas.
O problema surgiria caso esse processo fosse invertido.
Em vez de estimular novas compras, a percepção de retornos cada vez menores poderia incentivar vendas. Com menos investidores interessados em acumular Bitcoin, a pressão compradora diminuiria e poderia transformar o ciclo de valorização em uma dinâmica negativa.
Zhuoer argumenta que o Bitcoin não teria uma demanda de utilização comparável à do ouro e do Ethereum para sustentar sua cotação em uma situação de perda de interesse especulativo.
Essa avaliação, entretanto, é controversa. Investidores institucionais e defensores do Bitcoin consideram que sua escassez programada, resistência à censura, possibilidade de transferência internacional e independência de emissores centrais já constituem formas relevantes de utilidade.
A Fidelity Digital Assets, por exemplo, defende em seus estudos que o Bitcoin pode funcionar como uma reserva de valor diferenciada, sem necessariamente precisar competir com redes de contratos inteligentes em funcionalidades.
Portanto, a afirmação de que o Bitcoin não possui utilidade representa a interpretação econômica de Zhuoer, e não uma conclusão consensual sobre a criptomoeda.
Ethereum pode assumir protagonismo com tokenização de ativos reais
A preferência de Jiang Zhuoer pelo Ethereum está diretamente relacionada ao crescimento da tokenização de ativos do mundo real, setor conhecido como Real World Assets (RWA).
A proposta consiste em representar ativos tradicionais, como títulos públicos, instrumentos de dívida, fundos de investimento e outros direitos econômicos, por meio de tokens registrados em blockchain.
Na visão do empresário, esse movimento representa a principal aplicação econômica da tecnologia blockchain, porque conecta a infraestrutura das redes descentralizadas a operações financeiras que já existem no mundo tradicional.
Enquanto o Bitcoin é utilizado predominantemente como ativo monetário e reserva de valor, o Ethereum oferece uma infraestrutura programável para execução de contratos inteligentes, criação de tokens e desenvolvimento de aplicações financeiras descentralizadas.
Essa diferença é fundamental para a tese de Zhuoer. Caso bancos, gestoras de recursos e instituições financeiras ampliem a emissão e movimentação de ativos tokenizados, redes que oferecem contratos inteligentes poderão receber uma demanda relacionada à execução dessas operações.
No Ethereum, o ETH é utilizado para pagar taxas de transação e participa do mecanismo de segurança da rede por meio do staking. Dessa forma, o crescimento da atividade econômica pode ampliar a utilização do ativo, embora não garanta sua valorização.
Zhuoer acredita que esse tipo de demanda proporciona uma sustentação econômica mais consistente do que a expectativa de que novos investidores continuem comprando Bitcoin simplesmente porque seu preço aumentou anteriormente.
O empresário já havia demonstrado preferência pelo Ethereum durante o segundo semestre de 2026. Em agosto, declarou que pretendia direcionar parte relevante de seus recursos à criptomoeda, apostando em um desempenho superior ao do Bitcoin durante o ciclo de mercado.
Entretanto, é importante observar que o Ethereum não é a única blockchain utilizada para tokenização de ativos reais. Redes como Solana e outras infraestruturas públicas e permissionadas também disputam esse mercado.
Além disso, o crescimento da tokenização não implica automaticamente aumento proporcional no preço do ETH. O resultado depende de fatores como demanda efetiva, volume de transações, taxas e participação das diferentes redes.
Computação quântica pode ser o golpe final para o Bitcoin?
Embora considere a falta de utilidade econômica um problema maior, Jiang Zhuoer não descarta os riscos associados à computação quântica.
Na verdade, o empresário acredita que os dois problemas podem se combinar e produzir consequências ainda mais graves para o Bitcoin.
A preocupação envolve o chamado Q-Day, expressão utilizada para descrever o momento em que computadores quânticos suficientemente avançados poderão comprometer sistemas criptográficos atualmente utilizados para proteger informações e transações digitais.
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No Bitcoin, uma das preocupações envolve os algoritmos de assinatura digital baseados em criptografia de curvas elípticas. Em um cenário de avanço significativo da computação quântica, determinadas chaves públicas expostas poderiam permitir a recuperação das chaves privadas correspondentes.
Esse risco é particularmente relevante para alguns formatos antigos de endereço e situações nas quais informações criptográficas permanecem publicamente disponíveis.
Entretanto, não existe confirmação pública de que computadores quânticos atuais sejam capazes de executar esse tipo de ataque contra a segurança do Bitcoin em condições práticas.
Também não há consenso sobre quando máquinas com essa capacidade estarão disponíveis.
Pesquisadores e desenvolvedores já discutem alternativas de proteção. Uma delas é a proposta BIP-360, que apresenta um novo formato de saída chamado Pay-to-Merkle-Root, projetado para reduzir determinadas formas de exposição das chaves públicas a ataques quânticos.




