- MARA destinou US$ 4,3 milhões à segurança pessoal do CEO Fred Thiel em 2025
- Gasto inclui US$ 430 mil para blindar veículo e reforços na residência do executivo
- CertiK contabiliza 72 ataques físicos a investidores de cripto neste ano, alta de 75%
A MARA Holdings, sétima maior mineradora de Bitcoin do mundo, gastou US$ 4,3 milhões com a segurança pessoal do CEO Fred Thiel durante o ano fiscal de 2025. O valor inclui US$ 430.780 apenas para blindar um veículo usado pelo executivo, além de escolta armada e fortificações na residência particular.
Os números constam do formulário DEF 14A entregue pela companhia à Securities and Exchange Commission em 30 de abril. A empresa, avaliada em mais de US$ 5 bilhões, também desembolsou cerca de US$ 58.810 com sistemas de proteção residencial do CEO.
A escalada é brutal na comparação anual. Em 2024, a MARA havia reportado US$ 191.040 em custos de segurança pessoal de Thiel. A rubrica “All Other Compensation” do executivo saltou de US$ 201.390 para US$ 4,4 milhões em um único exercício um aumento de mais de 2.000%.
Thiel não é o único protegido na folha de pagamento da mineradora. O CFO Salman Khan teve US$ 3,9 milhões destinados à sua segurança no mesmo período, incluindo US$ 438.380 para blindagem de veículo. Somados, os dois executivos consumiram mais de US$ 8 milhões em medidas de proteção física.
Onda de wrench attacks pressiona executivos
O salto orçamentário não acontece no vácuo. A empresa de cibersegurança CertiK contabilizou 72 incidentes verificados de coerção física contra detentores de cripto em 2025, alta de 75% ante o ano anterior. São os chamados wrench attacks ataques em que criminosos usam violência, sequestro ou ameaça direta para forçar a vítima a entregar chaves privadas, senhas ou acesso a contas.
Diferente de hacks remotos, esse tipo de crime ataca o elo humano. A portabilidade dos ativos digitais, combinada à exposição pública de fortunas em endereços rastreáveis, transformou executivos e investidores em alvos preferenciais. A França liderou as estatísticas de 2025 com 19 casos confirmados, levando o ministro-delegado do Interior Jean-Didier Berger a anunciar medidas preventivas específicas. Pelo menos 88 pessoas, incluindo dez menores de idade, foram indiciadas no país até 27 de abril por envolvimento em ataques do tipo.
Em fevereiro, um funcionário sênior da unidade francesa da Binance sofreu invasão domiciliar armada. Três suspeitos foram presos horas depois pela polícia local. O episódio acendeu o alerta em todo o setor.
Reflexo no Brasil e na contabilidade das mineradoras
O Brasil ainda não figura entre os países com maior número de wrench attacks documentados, mas o ambiente local não está imune. Casos de sequestro relâmpago envolvendo influenciadores e traders de cripto já apareceram em São Paulo e no Rio de Janeiro nos últimos dois anos, e a Polícia Civil paulista mantém grupo dedicado a investigar crimes patrimoniais ligados a ativos digitais. Para corretoras nacionais, a tendência costuma se traduzir em protocolos mais rígidos de KYC e em treinamento de equipes de atendimento para identificar transações sob coação.
No nível corporativo, o caso MARA pode estabelecer um novo benchmark contábil. Empresas listadas em bolsa que mantêm executivos com alta exposição pública ao Bitcoin caso de Strategy, Riot Platforms, CleanSpark e da própria SpaceX tendem a precisar justificar gastos crescentes com segurança em seus filings. Em 2024, a Strategy reportou cerca de US$ 540 mil em despesas semelhantes para Michael Saylor. A MARA agora opera em um patamar quase dez vezes superior.
O movimento também pressiona o balanço de mineradoras que já sofrem com a queda das margens pós-halving. A Canaan reportou prejuízo de US$ 88,7 milhões no primeiro trimestre, e a queda recente do Bitcoin abaixo dos US$ 77 mil reduziu ainda mais a folga operacional do setor. Para a MARA, somar US$ 8 milhões em segurança de dois executivos representa uma linha de custo fixa que dificilmente recua nos próximos anos.