MoneyGram vira validadora da Solana

  • MoneyGram passa a operar nó validador na rede Solana e faz staking de SOL
  • Empresa atende 60 milhões de clientes em quase 500 mil pontos físicos no mundo
  • Movimento segue lançamento da stablecoin MGUSD na rede Stellar em maio

A MoneyGram deu mais um passo para se transformar de empresa de remessas tradicional em operadora de infraestrutura cripto. A companhia anunciou que agora atua como validadora da rede Solana, processando blocos de transações e fazendo staking do token nativo SOL. Com isso, deixa de ser apenas usuária do blockchain e passa a participar diretamente da segurança da rede.

A iniciativa inclui também o ingresso na Solana Developer Platform, programa voltado a empresas que constroem aplicações financeiras sobre a rede. Não foi divulgado o volume exato de SOL em staking, mas o anúncio coloca a MoneyGram em um grupo restrito de companhias do setor financeiro tradicional que operam nós validadores em redes proof-of-stake.

Da stablecoin MGUSD ao nó validador

Assim, a jogada não veio do zero. Em maio, a empresa lançou a MGUSD, stablecoin lastreada em dólar emitida na rede Stellar. O token permite que usuários mantenham saldos em dólar digital, façam transferências internacionais e convertam para moedas locais diretamente pelo aplicativo da MoneyGram.

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Além disso, a companhia afirma que já utiliza infraestrutura blockchain e stablecoins em três frentes: tesouraria, desenvolvimento de produto e operações de pagamento. São mais de cinco anos integrando ativos digitais ao negócio, que atende cerca de 60 milhões de clientes em quase 500 mil pontos físicos ao redor do mundo. Operar um validador é o desdobramento natural dessa estratégia — em vez de pagar terceiros para custodiar e processar transações, a MoneyGram passa a capturar parte das taxas e recompensas do próprio protocolo.

Vale notar que o token Solana é negociado a US$ 73,15 no momento, o equivalente a R$ 376,86. A rede vem ganhando tração em volume spot e recentemente superou Coinbase e Kraken em volume de negociação via DEXs. Assim, isso acaba atraindo justamente empresas que enxergam na infraestrutura um custo operacional menor do que em redes mais saturadas.

Moneygran

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Western Union acelera corrida por stablecoin em remessas

O movimento da MoneyGram não acontece no vácuo. A concorrente direta Western Union lançou em maio sua própria stablecoin lastreada em dólar, a USDPT, também na Solana. O token estreou na Bolívia e nas Filipinas e deve chegar a mais de 40 países em 2026.

Além disso, em conferência da Bitso na Cidade do México, o vice-presidente de Ativos Digitais da Western Union, Malcolm Clarke, abriu números que explicam a pressa do setor. A empresa processa mais de US$ 100 bilhões em volume anual e estima que exigências de pré-funding, capital ocioso e tarifas bancárias consomem entre 6% e 9% desses fluxos. Portanto, migrar a liquidação para stablecoins, somada aos rendimentos dos ativos de reserva, poderia gerar margens de 2% a 3% em vez de queimar valor.

América Latina vê volume de stablecoin crescer 81%

Além disso, o contexto regional ajuda a explicar por que a infraestrutura está sendo construída agora. Segundo o relatório Stablecoin Landscape in Latin America da Bitso para o primeiro semestre de 2026, o volume transacionado em stablecoins pelos clientes institucionais da exchange cresceu 81% ano contra ano. Os vetores são gestão de liquidez, pagamentos transfronteiriços e operações de tesouraria.

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Para o investidor brasileiro, o recado é prático. Empresas como MoneyGram e Western Union operam corredores ativos de remessa entre EUA e Brasil — mercado onde Banco Central e Receita Federal já discutem a regulamentação de stablecoins sob a Lei 14.478/2022. Assim, quando esses players passam a liquidar internamente em USDC, MGUSD ou USDPT, a demanda por dólares físicos no corredor diminui. Consequentemente, cresce a pressão por integração entre exchanges locais e wallets multichain. O reflexo tende a aparecer primeiro nas tarifas de envio e na velocidade das liquidações em reais.

Ripple compra fatia da Flutterwave e leva RLUSD à África

Fora das Américas, a corrida segue. A Ripple adquiriu participação na fintech africana Flutterwave, que opera pagamentos transfronteiriços em 35 países. A empresa anunciou que vai integrar a stablecoin RLUSD, o Ripple Payments e o XRP Ledger à sua rede. De acordo com dados do setor, o XRP Ledger lidera tokenização com US$ 1,9 bilhão, à frente de Ethereum e Stellar. Isso é mais um indício de que o duelo entre redes para abrigar pagamentos institucionais está apenas começando. Mais informações estão no programa oficial da Solana Developer Platform.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.