- Oobit estreia na Colômbia como nono mercado após rodada de US$ 25 milhões com a Tether
- Brasileiros realizam média de 20 transações mensais no app, com gasto de US$ 400
- USDT lidera pagamentos, seguidos por compras em mercados, restaurantes e serviços
O aplicativo de pagamentos Oobit escolheu a Colômbia como porta de entrada para sua nona operação global e usou o desempenho brasileiro como principal argumento da expansão. A empresa, não custodial e voltada ao uso cotidiano de criptomoedas via cartão, registrou crescimento de 200% na base de usuários do Brasil desde a chegada ao país.
O movimento consolida a América Latina como o laboratório mais ativo de pagamentos cripto no varejo. Argentina, Brasil e Chile já operavam o serviço. Agora a Colômbia entra na lista um mercado em que o peso colombiano aparece em segundo lugar no ranking global de compras de stablecoins por moeda em exchanges centralizadas, segundo dados citados pela companhia.
Brasil vira vitrine da operação
Os números brasileiros chamam atenção pela frequência de uso, não apenas pelo volume. Usuários ativos no país gastam em média US$ 400 por mês e fecham cerca de 20 transações mensais pelo aplicativo. É um perfil de consumo recorrente, próximo ao de um cartão de débito tradicional, e não de uma carteira reservada para viagens ou compras esporádicas.
O mapeamento de gastos reforça a tese. Cerca de 35% dos pagamentos vão para supermercados e mercearias. Restaurantes respondem por 8,8% e lojas variadas de alimentos, por 7,2%. Salões de beleza, barbearias e postos de combustíveis aparecem em seguida categorias que indicam adoção fora da bolha cripto.
A moeda dominante nessas compras é o USDT, stablecoin da Tether atrelada ao dólar. O token nativo da Oobit aparece em segundo lugar, com distância considerável. Pesquisas da Chainalysis e Kaiko mostram que brasileiros usam stablecoins como dólar digital, não para especulação financeira.
Contexto regulatório brasileiro
A expansão da Oobit ocorre em paralelo ao avanço da regulação cambial no Brasil. O Banco Central finalizou em 2025 a consulta pública sobre prestadores de serviços de ativos virtuais e definiu que stablecoins lastreadas em moeda estrangeira, como o USDT, serão tratadas como operação de câmbio quando movimentadas entre carteiras autocustodiadas e exchanges nacionais.
Na prática, players estrangeiros que oferecem pagamentos em USDT operam em zona cinzenta até nova regulamentação infralegal vigorar. A janela explica parte da pressa, a empresa quer consolidar base ativa antes que regras de KYC reforçado e limites operacionais sejam implementadas pelo BC e pela fiscalização sobre cripto no país.
Aposta da Tether no Latam
A Oobit fechou em fevereiro uma rodada Série A de US$ 25 milhões liderada pela própria Tether, emissora do USDT. Na ocasião, o CEO da Tether, Paolo Ardoino, declarou em comunicado oficial que a aproximação reflete uma visão compartilhada de adoção global de criptomoedas como meio de pagamento.
O movimento é coerente com a estratégia recente da Tether, que vem direcionando capital para empresas que ampliam a circulação do USDT no varejo. A stablecoin já é amplamente usada em remessas e poupança informal em dólar na América Latina, mas o pagamento presencial ainda é a fronteira menos explorada justamente onde a Oobit aposta. A demanda local por dólar digital também ajuda a explicar o avanço de outras stablecoins regionais e o crescimento de redes que abrigam stablecoins em escala.
Para Amram Adar, cofundador e CEO da Oobit, a região deixou de tratar cripto como aposta financeira.
“Estamos vendo uma mudança regional em que cripto não é mais apenas investimento, mas a principal forma de pagar mercado e saúde”, afirmou o executivo.
Segundo Adar, a empresa quer ampliar a malha de comerciantes integrados em cada um dos nove mercados ativos.