- BIP-361 busca proteger 7 milhões de BTC contra computação quântica
- Charles Hoskinson afirma que 1,7 milhão de moedas permanecerão vulneráveis
- Bitcoin de Satoshi Nakamoto está entre os ativos em risco
Uma batalha técnica está dividindo a comunidade cripto. Charles Hoskinson, fundador da Cardano, afirma que a nova proposta de melhoria do Bitcoin conhecida como BIP-361 falha em proteger US$ 127 bilhões em BTC contra ataques de computadores quânticos.
A proposta pretende salvar 34% do supply total do Bitcoin. São mais de 7 milhões de moedas avaliadas em US$ 536 bilhões que seriam congeladas caso não migrem para endereços resistentes a ataques quânticos no futuro.
O debate ganha urgência com a aproximação do chamado “Q-Day”. Este é o momento em que computadores quânticos terão poder suficiente para quebrar a criptografia atual do Bitcoin. Além disso, o Google já sinalizou que planeja migrar toda sua infraestrutura para criptografia pós-quântica até 2029.
Plano em três fases divide opiniões
O BIP-361 funcionaria em etapas ao longo de vários anos. Primeiro, bloquearia transferências para endereços vulneráveis. Depois congelaria moedas antigas. A fase final prometeria recuperar Bitcoin de quem perdesse os prazos de migração.
“Isso é mentira”, disparou Hoskinson sobre a última fase. O executivo garante que 1,7 milhão de BTC não poderiam ser recuperados sob este esquema. “Você poderia recuperar parte dos 8 milhões de Bitcoin, mas 1,7 milhão não estão cobertos por este plano.”
A vulnerabilidade atinge principalmente moedas mineradas antes de 2013. Foi nesse ano que o BIP-39 introduziu o sistema de seed phrases para geração de chaves privadas. Endereços anteriores usam esquemas de assinatura mais antigos e expostos.
Mesmo reconhecendo as limitações, Hoskinson admitiu, “Não é uma proposta ruim. Entendo por que escreveram isso.” O fundador da Cardano foi enfático sobre o risco. “Se não fizerem algo, esse dinheiro será roubado nos anos 2030. É um fato.”
Fortuna de Satoshi em jogo
Dados da Arkham Intelligence mostram que pelo menos 1,1 milhão dessas moedas vulneráveis pertencem ao criador pseudônimo do Bitcoin, Satoshi Nakamoto. O tesouro vale aproximadamente US$ 82 bilhões aos preços atuais.
Essas moedas estão distribuídas em milhares de endereços antigos. Muitos foram minerados nos primeiros dias do Bitcoin, quando cada bloco rendia 50 BTC de recompensa. A maioria nunca se moveu desde então.
A exposição dessas moedas antigas cria um dilema para a rede. Por um lado, proteger o patrimônio é essencial. Por outro, congelar moedas sem autorização dos proprietários vai contra princípios fundamentais do Bitcoin.
Crítica à governança descentralizada
Ao mesmo tempo que entende a urgência, o cofundador do Ethereum criticou a resistência da comunidade Bitcoin em adotar inovações. “Se vocês tivessem governança on-chain, poderiam resolver isso”, provocou Hoskinson.
O executivo citou exemplos de outras blockchains. “Nós temos na Cardano, Polkadot tem, Tezoz, é uma boa ideia.” Sistemas de governança on-chain permitem que a comunidade vote diretamente em mudanças do protocolo.
“Mas somos shitcoiners, não temos boas ideias”, completou com sarcasmo. “Só vocês têm boas ideias.”
A provocação reflete uma tensão antiga entre maximalistas do Bitcoin e defensores de outras criptomoedas. Enquanto o Bitcoin prioriza estabilidade e resistência a mudanças, projetos como Cardano implementaram mecanismos mais flexíveis de evolução.
A proposta BIP-361 ainda está em fase inicial de discussão. Precisa passar por extenso debate na comunidade antes de qualquer implementação. O processo pode levar anos, enquanto o desenvolvimento da computação quântica acelera.
Para investidores brasileiros, o debate levanta questões importantes. Moedas antigas em carteiras esquecidas podem estar em risco. A migração para endereços seguros exigirá ação proativa dos detentores. Além disso, quem possui Bitcoin antes de 2013 precisa acompanhar de perto as discussões sobre proteção quântica.

