- Lote com 23 mineradoras de Bitcoin tem lance mínimo de R$ 73,1 mil
- Propostas vão de 5 a 9 de outubro pelo e-CAC, com lances em 13 de outubro
- Equipamentos foram apreendidos em Guarulhos e Viracopos pela Receita Federal
A Receita Federal em São Paulo abriu um novo leilão eletrônico de mercadorias apreendidas nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. Entre os lotes está um conjunto de 23 mineradoras de Bitcoin, com lance mínimo fixado em R$ 73.100.
É o quarto item mais caro da lista. Fica atrás apenas de um lote com 3 mil smartwatches da Amazfit (R$ 261.200), de 2.564,28 quilates de esmeraldas (R$ 187.500) e de peças de aeronave (R$ 108.200).
O restante do edital segue o padrão desses leilões: iPhones 17 a partir de R$ 600, um PlayStation 5 por R$ 300 e dezenas de lotes de R$ 100, que vão de discos rígidos a bonecos do Godzilla.
Máquinas apreendidas custam abaixo do preço de importação
A Receita não divulga modelo nem potência das máquinas no resumo do edital — essa informação consta na descrição detalhada do lote. Isso é decisivo para calcular viabilidade.
Dividido por unidade, o lance mínimo sai a pouco mais de R$ 3.178 por equipamento. O valor está bem abaixo do que custa importar uma mineradora ASIC nova no Brasil, onde imposto de importação, ICMS e frete costumam dobrar o preço de tabela do fabricante.
Com o Bitcoin cotado a US$ 86.272 (cerca de R$ 430.040), a margem de mineração no país continua apertada. A tarifa residencial brasileira gira em torno de R$ 0,80 a R$ 1,00 por kWh, patamar que inviabiliza operação doméstica com hardware de geração anterior.
Uma Antminer S19 consome aproximadamente 3.250 watts. Rodando 24 horas por dia, isso representa cerca de 78 kWh diários — perto de R$ 70 por dia em energia, por máquina. Multiplique por 23 unidades e o custo mensal ultrapassa R$ 48 mil.
Há ainda a alternativa de revenda. O mercado secundário de ASICs no Brasil é ativo, com negociação em grupos fechados e marketplaces especializados, e um lote inteiro tende a ser desmembrado por quem compra para repassar.
Receita exige conta gov.br Prata ou Ouro para dar lance
A disputa acontece no Sistema de Leilão Eletrônico, acessado pelo Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC). É obrigatório ter identidade digital gov.br com nível de confiabilidade Prata ou Ouro.
O processo tem duas etapas. Entre as 8h de 5 de outubro e as 21h de 9 de outubro, interessados registram CPF ou CNPJ, indicam os lotes e informam quanto pretendem pagar, de forma confidencial.
Só avançam para a fase de lances as propostas que não ficarem mais de 10% abaixo da maior oferta registrada para aquele lote. A sessão final está marcada para as 10h de 13 de outubro.
Pagamento exclusivamente por Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). A Receita reforça no edital publicado que nunca solicita depósito ou transferência para conta de terceiros — golpistas costumam explorar justamente esse ponto em leilões públicos. A retirada da mercadoria deve ocorrer em até 30 dias na unidade indicada.




