Standard Chartered vira 1º banco G-SIB a ofertar USDC direto

  • Standard Chartered é 1º banco G-SIB a oferecer mint e resgate de USDC
  • BNY liberou serviço parecido três dias antes, em 29 de junho
  • Circle busca bancos após tombo de 15% na ação com rival Open USD

O Standard Chartered tornou-se o primeiro banco de importância sistêmica global (G-SIB) a oferecer a clientes institucionais acesso direto à emissão e ao resgate de USDC, a stablecoin da Circle. O anúncio, feito nesta quinta-feira (2), foi publicado em comunicado oficial do banco britânico e coloca a instituição na dianteira da corrida por infraestrutura regulada de ativos digitais entre grandes bancos globais.

Clientes elegíveis podem converter dólares em USDC — e vice-versa — dentro do relacionamento bancário já existente, sem necessidade de abrir conta separada na Circle. A operação começa restrita ao Dubai International Financial Centre (DIFC) e cobre liquidação on-chain, tesouraria e gestão de liquidez, com casos de pagamento previstos para etapas posteriores.

G-SIB entra na fila do USDC com US$ 73 bi em circulação

A stablecoin da Circle mantém US$ 73,2 bilhões em capitalização, segundo dados do DefiLlama citados pelo banco. A parceria não é isolada: o Standard Chartered ajuda a desenhar a Circle Payments Network desde abril de 2025, ao lado de Santander, Deutsche Bank e Société Générale. Nesta semana, o banco também iniciou cobertura de análise sobre o protocolo DeFi Morpho.

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Roberto Hoornweg, CEO da divisão de Corporate and Investment Banking do banco, afirmou que ativos digitais viraram “componente cada vez mais importante da infraestrutura financeira global” e que clientes institucionais buscam o mesmo nível de governança dos mercados tradicionais. Expansão para outras jurisdições depende de aprovação regulatória país a país.

BNY largou três dias antes com US$ 59 trilhões em custódia

Apesar do rótulo de “primeiro G-SIB”, o Standard Chartered não abriu a temporada. Em 29 de junho, o BNY — antigo Bank of New York Mellon — habilitou clientes a criar, resgatar e custodiar USDC via sua plataforma Digital Asset Custody. O BNY não é figurante: custodia as próprias reservas do USDC e supervisiona US$ 59,3 trilhões em ativos sob custódia ou administração.

A instituição americana já sinalizou que pretende adicionar outros emissores de stablecoin ao serviço. Ao juntar BNY e Standard Chartered, a Circle passou a contar em menos de uma semana com dois trilhos bancários de peso para distribuir sua moeda entre tesourarias corporativas — algo que rivais como USDT, da Tether, ainda não têm.

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Circle corre atrás após ação cair 15% com Open USD

O timing das parcerias não é acidental. A ação da Circle recuou 15% na semana passada depois que 140 empresas — incluindo Visa e Coinbase — anunciaram apoio à stablecoin rival Open USD, que promete repassar rendimento a distribuidores. Ao amarrar bancos G-SIB, a Circle tenta blindar sua liderança institucional justo quando o flanco corporativo é atacado.

Para o mercado brasileiro, o movimento reforça uma tendência que já pressiona o debate regulatório local. Enquanto o Banco Central discute travar a movimentação de stablecoins em autocustódia — proposta que a ILM questionou publicamente —, jurisdições como Dubai avançam licenciando bancos globais para operar o produto. A assimetria pode encarecer o custo de acesso à stablecoin para tesourarias brasileiras que atendem clientes internacionais.

MiCA aprova USDC e derruba USDT na Europa

A vantagem regulatória da Circle já apareceu na Europa. Sob o marco MiCA, o USDC manteve suas listagens no bloco enquanto o USDT foi retirado de exchanges europeias por não cumprir exigências prudenciais. O encerramento do período de transição do MiCA autorizou 244 empresas cripto no continente e consolidou o USDC como stablecoin de referência para uso institucional regulado.

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Dubai também tem apetite comprovado: o emirado já emitiu 50 licenças de VASP, superando Cingapura e Hong Kong. O próximo teste da Circle é converter esses trilhos em fluxo real de liquidação — se tesoureiros começarem a rotear pagamentos via USDC emitido por banco, e não apenas via pilotos, o resto do grupo G-SIB tende a acelerar o passo.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.