Criptomoeda dispara 40x e supera Ethereum pela 1ª vez

  • Volume de RLUSD no XRP Ledger cresceu 40 vezes em seis meses
  • XRPL detém agora 52% do supply total, contra 17% em abril
  • Ripple integra consórcio do Open USD com BlackRock e Mastercard

A stablecoin RLUSD, emitida pela Ripple, viveu uma migração acelerada para a rede nativa do XRP. Dados on-chain apontam que o volume em circulação no XRP Ledger (XRPL) cresceu 40 vezes nos últimos seis meses.

O salto tem peso simbólico. Até abril, apenas 17% do supply da RLUSD estava no XRPL — o restante ficava concentrado na Ethereum. Agora, o XRP Ledger detém 52% do total, assumindo a maioria pela primeira vez desde o lançamento da moeda.

Assim, a mudança desmonta uma crítica recorrente. Detratores do XRP costumavam apontar a baixa presença da RLUSD no ledger nativo como prova de que a rede tinha pouca utilidade real. Com a inversão, o argumento perde força justo no momento em que o token opera a US$ 1,09 (R$ 5,67), com alta de 3,2% nas últimas 24 horas.

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Por que a migração acelerou

O movimento coincide com a expansão comercial da RLUSD em corredores de pagamento. Nos últimos meses, a Ripple firmou acordos que colocam a stablecoin em frentes com Mastercard, Japão e África, além de integrações com bancos regionais.

Outro fator técnico ajuda a explicar a mudança. Taxas mais baixas e liquidação em segundos no XRPL tornam o ledger mais competitivo para settlement institucional do que a Ethereum, onde custos de gás oscilam com a demanda. A Ripple também vem desenvolvendo infraestrutura complementar, como um protocolo de empréstimo voltado a bancos, o que ajuda a atrair capital para dentro do ecossistema.

Além disso, a stablecoin ainda é pequena diante das gigantes do setor. Segundo o CoinGecko, a Tether (USDT) mantém market cap de US$ 184 bilhões e continua sendo a referência global. A RLUSD ocupa um nicho regulado — foi aprovada pelo Departamento de Serviços Financeiros de Nova York — e mira o segmento corporativo, não o varejo especulativo.

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XRP RLUSD

Ripple entra em consórcio do Open USD

Assim, ao mesmo tempo em que fortalece a RLUSD, a Ripple aderiu a uma iniciativa que pode canibalizar sua própria moeda. A empresa é uma das mais de 140 signatárias do Open USD, uma stablecoin lastreada em dólar apoiada por BlackRock, Mastercard, Visa e outros pesos-pesados do setor financeiro.

Além disso, o consórcio posiciona o Open USD como utilidade compartilhada para pagamentos globais, com foco em interoperabilidade entre bancos e provedores. Para a Ripple, participar significa não ficar de fora do padrão que pode se consolidar entre grandes emissores. Resta ver se a RLUSD conseguirá coexistir com um projeto apoiado pela metade da indústria financeira tradicional.

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Regulação brasileira observa avanço das stablecoins reguladas

Assim, o avanço da RLUSD como stablecoin regulada acontece enquanto o Brasil ainda debate seu próprio marco. A ABToken defendeu as stablecoins em audiência pública na Câmara, argumentando contra restrições propostas pelo Banco Central que poderiam limitar transferências para carteiras próprias.

Para o investidor brasileiro que opera com XRP em exchanges locais, o dado técnico importa. Uma stablecoin robusta rodando no XRPL cria pares de negociação mais líquidos e reduz a dependência de pontes com a Ethereum para converter posições em dólar sintético. Corretoras que integram o ledger nativo passam a oferecer settlement direto entre XRP e RLUSD.

No mercado spot, o XRP testou o suporte em US$ 1,06 na semana passada antes de recuperar a marca psicológica do dólar. Baleias reduziram exposição durante a queda, mas o crescimento da RLUSD no ledger sinaliza fluxo estrutural entrando por outra via — não especulativa, mas de infraestrutura de pagamento. É esse tipo de métrica que o Ripple vem tentando destacar para diferenciar o XRP de puras narrativas de preço.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.