- Rede global cai de 38.708 para 27.945 ATMs de cripto em 14 meses
- Bitcoin Depot pediu Chapter 11 e retirou 9.700 máquinas em semanas
- Indiana, Tennessee, Minnesota e Vermont proibiram totalmente os caixas
A infraestrutura física que sustentou a entrada de milhões de novos usuários em Bitcoin nos últimos anos está encolhendo em ritmo sem precedentes. Dados do Coinatmradar mostram que o número global de caixas eletrônicos de cripto caiu para 27.945 máquinas em 8 de julho de 2026, ante o pico de 38.708 registrado no início de 2024.
A queda de 10.763 unidades desde 1º de maio equivale a uma contração de 28% em pouco mais de dois meses. É o menor patamar da rede desde outubro de 2021, apagando quatro anos de expansão contínua.
Bitcoin Depot tira 9.700 máquinas em semanas
O gatilho principal foi a falência da Bitcoin Depot, uma das maiores operadoras do setor nos Estados Unidos. A empresa protocolou pedido de recuperação sob o Chapter 11 em 18 de maio de 2026, alegando custos crescentes de compliance, banimentos estaduais e ondas de ações judiciais como razões para o modelo de negócio ter se tornado insustentável.
Com cerca de 9.700 caixas em operação antes do pedido, a Bitcoin Depot começou a desativar sua rede quase imediatamente. A administração judicial ficou a cargo da Kroll, e o gráfico mensal do Coinatmradar registrou uma variação líquida de aproximadamente -10.230 máquinas em 1º de junho, o pior mês da história do indicador.
Para investidores acompanhando o desfecho, a massa falida ainda guarda ativos relevantes: contratos com redes varejistas, parcerias comerciais e as próprias máquinas remanescentes podem ser adquiridos por concorrentes que operam em estados com regras mais brandas.
Quatro estados baniram de vez
A frente regulatória agiu em paralelo. Indiana abriu a série ao sancionar a HB 1116 em março, tornando-se o primeiro estado a proibir totalmente os equipamentos. Tennessee seguiu com a HB 2505, em vigor desde 1º de julho, transformando a operação em contravenção criminal cerca de 185 máquinas rodavam por lá antes do corte.
Minnesota assinou a SF 3868 em 5 de maio, com veto operacional em 1º de agosto e remoção total até 2027. Vermont fechou o quarteto com a Act 142, também vigente desde 1º de julho, invalidando qualquer registro existente. Delaware e Nova Jersey têm projetos parados em comissões, e cidades como Spokane (Washington) e St. Paul (Minnesota) já se anteciparam às legislaturas estaduais.
Estados que optaram por regular em vez de proibir Califórnia, Arizona, Geórgia, Virgínia e Arkansas impuseram limites de transação, avisos obrigatórios de fraude, licenciamento como transmissores de dinheiro e regras de reembolso para vítimas que registrem boletim de ocorrência.
Fraude em idosos motivou a onda de proibições
O argumento central dos legisladores foi o volume de golpes. Segundo relatos citados pelo Coinatmradar, o FBI teria registrado milhares de queixas envolvendo caixas de cripto em 2025, com prejuízos na casa das centenas de milhões de dólares. Romance scams e fraudes de investimento levam vítimas, muitas idosas, a máquinas pela rapidez e irreversibilidade das transações.
O Brasil não tem rede comparável e isso explica a diferença
O movimento é quase inteiramente americano. Os EUA responderam pela esmagadora maioria das perdas globais no primeiro semestre de 2026, saindo de 30.247 máquinas em 29 de março para 20.005 hoje. Não há contração equivalente na Europa, Ásia ou América Latina.
No Brasil, ATMs de cripto nunca ganharam escala relevante. O on-ramp local sempre passou por exchanges digitais e, mais recentemente, pelo Pix integrado a corretoras como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance. Isso torna o país imune à contração física observada nos EUA, mas também expõe a dependência do sistema bancário tradicional tema que voltou a debate após a disputa da Kraken sobre debanking nos Estados Unidos.
Banco Central mantém consulta sobre prestadoras de ativos virtuais e deve exigir compliance rígido de futuras operadoras físicas. Com Bitcoin cotado a US$ 62.242 (R$ 320.041) e volume institucional migrando para ETFs à vista, o canal de kiosk tende a perder relevância mesmo em jurisdições que ainda o permitem.
Restam 27.945 máquinas e nem todas devem sobreviver
As unidades ainda ativas estão concentradas em estados com regras mais leves, e novas instalações continuam ocorrendo em alguns deles. O ritmo, porém, está longe de compensar as remoções em massa. Trajetória restante depende da fraude até 2026 e dos ativos da Bitcoin Depot na falência conduzida pela Kroll.