Omã torna pool de mineração de Bitcoin obrigatório para licenciados

  • Omanhash.om será pool oficial e obrigatório para mineradores licenciados no Omã
  • Enegix Global entra como provedora técnica ao lado da Frontier Technologies
  • Projeto é o segundo pool soberano da Enegix após contrato no Cazaquistão

O Sultanato do Omã avançou para um modelo estatal de mineração de Bitcoin ao designar a plataforma Omanhash.om como pool oficial e obrigatório para todas as empresas licenciadas no país. A operação ficará sob comando da Enegix Global, que entra como provedora de tecnologia e liquidez, em parceria com a omani Frontier Technologies LLC.

O anúncio foi feito pela própria Enegix em comunicado corporativo divulgado nesta semana. Pela arquitetura proposta, mineradores autorizados pelo regulador local não poderão direcionar seu hash rate para pools privados internacionais como Foundry USA, AntPool ou ViaBTC. Toda a capacidade computacional terá de passar pelo Omanhash.

Como funciona o modelo soberano

Pools de mineração são consórcios que somam o poder computacional de diversos participantes para fechar blocos no Bitcoin e dividir as recompensas proporcionalmente. No mercado global, mineradores escolhem livremente seu pool com base em taxa, método de pagamento e reputação.

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O desenho omani inverte essa lógica. Ao tornar a participação compulsória, o governo cria uma camada de infraestrutura nacional que combina supervisão regulatória, monitoramento de hash rate e política industrial em um único ponto. A Enegix descreve o projeto como sua segunda iniciativa soberana, após contrato semelhante firmado com o Cazaquistão.

Para o investidor que acompanha o setor, o movimento sinaliza maturação. A mineração deixa de ser uma corrida puramente privada por eletricidade barata e passa a operar dentro de marcos formais, com licenças, parcerias energéticas e centros de dados planejados pelo Estado. O Bitcoin, cotado a US$ 64.628 (R$ 328.568) no fechamento desta quarta-feira, segue como ativo de referência desse modelo, mesmo com queda de 1,4% em 24 horas.

Gráfico Bitcoin
Fonte: coinmarketcap

Trade-off entre controle e fuga de mineradores

O ponto sensível está na flexibilidade. Mineradores costumam migrar entre pools quando uma taxa sobe ou um servidor falha. Concentrar todos os participantes em uma única infraestrutura cria risco operacional se o Omanhash sofrer queda técnica, o hash rate licenciado do país inteiro fica ocioso.

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Há também o aspecto competitivo. Jurisdições como Texas, Paraguai e até o Brasil disputam mineradores oferecendo energia excedente sem amarras de pool. Caso o Omã imponha taxas elevadas ou regras rígidas sobre pagamento, parte das empresas pode preferir não solicitar licença e operar em outros mercados. O movimento ecoa decisões recentes de bancos centrais que tentam blindar o ecossistema cripto, como o veto de Gana a carteiras em dólar.

O que muda para hash rate global e capital estrangeiro

O Brasil não tem pool estatal nem licenciamento formal de mineração operações como as da Atlas Lithium e fazendas no Sul do país atuam livremente, geralmente conectadas a pools dos Estados Unidos ou da Ásia. A CVM e o Banco Central tratam a mineração como atividade industrial comum, sujeita apenas a regras tributárias e ambientais.

Para empresas brasileiras de mídia listadas no setor, como a Hut 8 que recebeu aporte de Dan Loeb recentemente a tendência soberana adiciona uma variável geopolítica. Hash rate concentrado em jurisdições com pool estatal pode ser percebido como menos descentralizado pelo mercado, pressionando o prêmio pago por mineradoras que operam em ambientes mais livres.

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A Enegix afirma que o Omanhash funcionará dentro do marco regulatório aprovado pelo país, sem detalhar tarifas ou método de payout. A empresa não revelou metas de exa-hash, mas prevê expansão alinhada aos fornecedores regionais de energia.

Omanhash herda blueprint do Cazaquistão

O Cazaquistão chegou a abrigar 18% do hash rate global em 2021, antes que cortes de energia e instabilidade política derrubassem a participação para a casa de 4%. A Enegix replica naquele país um modelo semelhante de pool sob supervisão estatal, e agora exporta o desenho para o Golfo. Outros países do Oriente Médio acompanham o modelo, mas ainda não exigem participação obrigatória em pools de mineração.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.