- YLDS é uma stablecoin lastreada em dólar com rendimento e registro na SEC
- Stellar processou US$ 55,6 bilhões em pagamentos com stablecoins em 2025
- Rede ocupa 4º lugar em ativos reais tokenizados, com US$ 1,6 bilhão
A rede Stellar ganhou sua primeira stablecoin regulada com rendimento embutido. A Figure Technology Solutions (Nasdaq: FIGR) lançou o token YLDS no blockchain, um ativo pareado ao dólar e registrado na SEC que combina liquidez típica de stablecoin com retorno parecido ao de fundos de money market.
O produto é emitido pela Figure Certificate Company e mira clientes institucionais — fintechs, neobanks e plataformas que precisam manter dólares on-chain dentro de um arcabouço regulatório claro. Diferente de USDT ou USDC, o YLDS paga juros ao detentor sem exigir staking, lock-up ou conversão para outro produto.
O que muda com o YLDS na Stellar
“Construímos o YLDS para fazer o que os bancos fazem com seus depósitos: guardar dólares, render juros, movimentar dinheiro — mas on-chain e regulado”, afirmou Mike Cagney, presidente-executivo da Figure. A descrição entrega o ângulo central: trata-se de um substituto direto à conta bancária remunerada, transferível como qualquer token na rede.
Os números da Stellar ajudam a explicar a escolha. A rede processou US$ 55,6 bilhões em volume de pagamentos com stablecoins ao longo de 2025 e abriga mais de US$ 2 bilhões em ativos reais tokenizados, com emissores do porte de WisdomTree, Ondo e Franklin Templeton já presentes. Segundo dados da RWAxyz, a Stellar é a quarta maior blockchain em valor distribuído de RWAs, com US$ 1,6 bilhão em ativos tokenizados elegíveis para distribuição on-chain.
A infraestrutura para produtos financeiros mais sofisticados também avançou. Em março, a RedStone levou feeds de preço institucionais à rede, viabilizando derivativos, empréstimos colateralizados e estruturas de yield com dados confiáveis. O YLDS encaixa nesse cenário como peça de liquidez programável.
Contexto regulatório e leitura para o Brasil
O registro do YLDS na SEC é o detalhe que muda o jogo. Stablecoins com rendimento operam, na prática, como valores mobiliários — algo que a própria SEC vinha sinalizando em ações contra emissores de yield bearing tokens nos últimos anos. Ao registrar o produto previamente, a Figure remove o principal obstáculo legal e oferece um instrumento que tesourarias corporativas e fintechs podem manter em balanço sem risco regulatório.
Para o investidor brasileiro, a leitura é dupla. De um lado, o avanço de stablecoins regulamentadas e rentáveis pressiona o mercado nacional, onde USDT segue dominante mas sem rendimento nativo. De outro, casa com o movimento do Bradesco oferecendo custódia de stablecoins e com a entrada estruturada de exchanges sob CNPJ no país. A Receita Federal, via instrução normativa 1.888, já exige reporte mensal de operações com criptoativos, o que torna produtos tokenizados regulados mais palatáveis a clientes institucionais brasileiros do que stablecoins offshore.
Vale a comparação com outro movimento da semana: o JPMorgan registrou seu segundo fundo tokenizado em Ethereum junto à SEC. Bancos e fintechs estão escolhendo blockchains diferentes, mas seguem a mesma cartilha — registro formal, ativo lastreado, rendimento embutido. A briga por liquidez institucional on-chain deixou de ser entre redes e virou disputa por enquadramento legal.
Figure amplia presença on-chain
A Figure não é estreante. O token Figure Heloc, que representa empréstimos com garantia de imóvel originados on-chain, hoje figura entre as dez maiores criptomoedas por valor de mercado. Já a Provenance, blockchain própria da empresa, atingiu TVL recorde de US$ 1,2 bilhão no início do ano, puxada inteiramente pela operação da Figure Markets.
Raja Chakravorti, da Stellar Development Foundation, descreveu o lançamento como expansão do acesso a “produtos em dólar que combinam rendimento, usabilidade e alcance global”. Para o token nativo XLM, cotado na casa de US$ 0,16, o efeito imediato é de aumento de utilidade econômica — mais ativos rentáveis circulando na rede tendem a elevar volume de pagamentos e demanda por taxas em XLM. Detalhes oficiais constam no site da Figure.