- Prejuízo inclui US$ 266,5 mi em imparidades não-caixa
- Receita com mineração cai para US$ 30,1 mi no período
- Colocação de alta densidade gera 67% do faturamento total
A mineradora Core Scientific divulgou prejuízo líquido de US$ 347,2 milhões no primeiro trimestre, reflexo da queda acentuada nas receitas de mineração de Bitcoin e da transição acelerada para serviços de infraestrutura computacional.
O resultado negativo equivale a US$ 1,06 por ação diluída, invertendo completamente o lucro de US$ 1,24 por ação registrado no mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu US$ 266,5 milhões do prejuízo a encargos de imparidade não-caixa, além de US$ 30,8 milhões relacionados a mudanças no valor justo de warrants e direitos contingentes.
A receita total cresceu para US$ 115,2 milhões, ante US$ 79,5 milhões um ano antes. Mas o número ficou 4,1% abaixo das projeções dos analistas, que esperavam US$ 120,2 milhões segundo a Zacks Equity Research.
Mineração de Bitcoin encolhe drasticamente
A atividade principal da Core Scientific sofreu forte contração. A receita com mineração própria de ativos digitais despencou 55%, caindo de US$ 67,2 milhões para apenas US$ 30,1 milhões. A empresa minerou 279 bitcoins no trimestre, volume 45% inferior ao registrado no primeiro trimestre de 2024.
Durante o período, a companhia vendeu 2.385 bitcoins por US$ 208,3 milhões. Os recursos foram direcionados para despesas de capital planejadas e outras necessidades de caixa, conforme detalhado no formulário 10-Q apresentado à SEC.
O encolhimento da mineração contrasta com o crescimento explosivo dos serviços de colocação. A receita dessa divisão saltou de US$ 8,6 milhões para US$ 77,5 milhões, representando agora 67% do faturamento total da empresa.
Mercado reage negativamente
As ações da Core Scientific (CORZ) fecharam a quarta-feira cotadas a US$ 24,63, acumulando valorização de 19,6% em seis meses. Mas o pregão seguinte trouxe realização. No pré-mercado, os papéis recuavam 7,43% para US$ 22,80.
A reação negativa ocorre mesmo com a empresa avançando em sua estratégia de diversificação. A Core Scientific anunciou planos de expandir seu campus em Muskogee, Oklahoma, para 1,5 gigawatt de energia bruta, ou cerca de 1,0 gigawatt de capacidade locável.
Parte dessa expansão virá através da aquisição planejada da Polaris DS. A empresa também iniciou a construção de uma segunda instalação de 82,5 megawatts no mesmo campus, ainda sem contratos de locação definidos.
Contratos com IA dominam receitas
A transformação da Core Scientific fica evidente na composição de suas receitas. No final de março, a empresa faturava com 243 megawatts de capacidade contratada, gerando aproximadamente US$ 350 milhões em receita anualizada de colocação.
O principal motor dessa mudança são os acordos com a CoreWeave. Em junho de 2024, as empresas assinaram contratos de 12 anos para entrega de cerca de 200 megawatts de infraestrutura destinada a operações de computação de alto desempenho.
A parceria se expandiu rapidamente. Um documento protocolado na SEC em fevereiro de 2025 mostra que a infraestrutura total contratada pela CoreWeave alcançou 590 megawatts distribuídos em seis localidades.
Para mineradores brasileiros que acompanham o setor, a trajetória da Core Scientific ilustra os desafios enfrentados após o halving do Bitcoin. A redução das recompensas por bloco forçou operadores globais a buscar fontes alternativas de receita, com muitos migrando para serviços de data center voltados para inteligência artificial e computação em nuvem.
A velocidade dessa transição surpreende até analistas especializados. Em apenas um ano, a Core Scientific inverteu completamente seu mix de receitas, transformando-se de mineradora pura em provedora de infraestrutura computacional com foco em IA. O movimento reflete uma tendência mais ampla do setor, onde a busca por rentabilidade supera o compromisso ideológico com a mineração de Bitcoin.

