- UBS reportou 197.369 cotas do ETF da Volatility Shares avaliadas em US$ 1,49 milhão
- Banco suíço administra US$ 5,7 trilhões e também tem posição na Grayscale XRP
- Goldman Sachs lidera lista institucional com US$ 153,8 milhões em produtos ligados a XRP
O UBS Group, gigante bancário suíço com cerca de US$ 5,7 trilhões sob gestão, formalizou sua entrada em produtos ligados ao XRP. A informação consta de um formulário 13F entregue à SEC, que detalha as posições mantidas por grandes investidores institucionais nos Estados Unidos.
O documento mostra que o banco optou pela rota indireta. Em vez de comprar XRP diretamente em corretoras, adquiriu cotas de fundos negociados em bolsa que replicam o desempenho do ativo. Movimento típico de instituições reguladas.
Ao todo, o UBS reportou 197.369 cotas do Volatility Shares XRP ETF, avaliadas em aproximadamente US$ 1,49 milhão. Há ainda uma posição menor no fundo da Grayscale Investments dedicado ao XRP, no valor de cerca de US$ 8.248. Para uma casa que opera trilhões, os números são marginais — mas o sinal é o que pesa.
Wall Street amplia aposta em XRP
O banco suíço não está sozinho nessa frente. O Goldman Sachs aparece como o maior comprador institucional já identificado, com cerca de US$ 153,8 milhões distribuídos em diferentes fundos atrelados ao token da Ripple. Um salto considerável em relação a divulgações anteriores.
O Bank of America também entrou no radar. Reportou cerca de US$ 224 mil alocados no mesmo ETF da Volatility Shares utilizado pelo UBS. A presença de fundos quantitativos chama atenção: a Millennium Management, uma das maiores gestoras multimercado do mundo, declarou exposição a produtos vinculados a XRP em paralelo a posições bilionárias em ETFs de Bitcoin.
A Citadel Advisors, comandada por Ken Griffin, também aparece em produtos atrelados ao ativo. A casa expandiu suas operações de market-making cripto ao longo de 2026, segundo registros públicos. O conjunto de nomes sugere que o XRP deixou de ser tese exclusiva de varejo.
Por que instituições preferem ETFs
O caminho escolhido pelo UBS reflete uma diferença estrutural entre investidor institucional e investidor de varejo. Bancos não querem lidar com chaves privadas, custódia técnica ou risco operacional ligado à autocustódia.
O ETF resolve esse problema. Encaixa-se nas estruturas de compliance, custódia qualificada e auditoria que essas casas já operam para ações e renda fixa. Daí o crescimento acelerado dos produtos listados desde a aprovação dos ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos.
O modelo se replica em outras jurisdições. No Brasil, a CVM autorizou ETFs de Bitcoin e Ethereum desde 2021, e gestoras como Hashdex e QR já operam fundos listados na B3. Um eventual ETF de XRP no mercado americano com tração institucional pode acelerar pedidos similares por aqui — caminho que a regulação brasileira costuma seguir, com defasagem, em relação à SEC.
Preço do XRP segue sob pressão
Apesar do interesse crescente das mesas de Wall Street, o gráfico não acompanha o entusiasmo institucional. O XRP é negociado próximo a US$ 1,38, com queda de cerca de 1,6% nas últimas 24 horas, segundo dados de mercado citados pelo portal CoinPedia.
O ativo opera bem distante da máxima histórica registrada em ciclos anteriores. Para retornar ao topo, precisaria de uma valorização superior a 170%, conforme análise técnica recente sobre o comportamento do XRP no atual patamar. A divergência entre fluxo institucional e preço sugere que parte das compras recentes está sendo absorvida por vendedores de varejo e por realizações de holders antigos.
Do lado da demanda regulada, os ETFs de XRP captaram US$ 81,6 milhões em abril, número modesto frente aos volumes vistos em produtos de Bitcoin, mas que confirma a tendência de migração das alocações para o formato listado. A pressão vendedora no spot, somada à entrada gradual via fundos, desenha um cenário de acúmulo silencioso por parte das instituições.

