- Trump Media vendeu 2.650 BTC por US$ 205 milhões, segundo a Lookonchain
- Posição da empresa em Bitcoin acumula prejuízo de cerca de US$ 455 milhões
- Ações da DJT caem 40% no ano e 67% em 12 meses
A Trump Media and Technology Group entrou para a lista de tesourarias corporativas que recuam do Bitcoin após o ativo perder o patamar de US$ 100 mil. A companhia controlada pela família Trump desovou 2.650 BTC, equivalentes a US$ 205 milhões, em mais um sinal de capitulação institucional no atual ciclo.
A movimentação foi rastreada pela plataforma de inteligência on-chain Arkham e divulgada pela Lookonchain. Com o BTC oscilando perto de US$ 77 mil, a tesouraria da empresa agora carrega um prejuízo não realizado próximo de US$ 455 milhões.
A aposta que virou prejuízo
A Trump Media construiu sua posição comprando 11.542 BTC ao preço médio de US$ 118.522, totalizando desembolso de US$ 1,37 bilhão. Quatro meses antes da venda atual, a companhia já havia transferido outros 2.000 BTC ao custo médio de US$ 87.378 cada.
O resultado financeiro reflete o tamanho do erro de timing. No primeiro trimestre, a empresa reportou perdas superiores a US$ 402 milhões, dos quais US$ 244 milhões vieram diretamente da exposição a ativos digitais. No mesmo período do ano anterior, o prejuízo somava apenas US$ 32 milhões.
A ação DJT, listada na Nasdaq, sente o impacto. O papel cai 40% no acumulado de 2026 e perde 67% em 12 meses. A erosão de valor de mercado fragiliza qualquer nova rodada de capitalização e reduz o apetite da diretoria por novas compras. A própria companhia já havia desistido de lançar um ETF de Bitcoin pela Truth Social, sinal de retração estratégica no segmento.
Capitulação institucional em curso
A Trump Media não está sozinha. A Kulr Tech vendeu 300 BTC por US$ 23,3 milhões nas últimas semanas, e a própria Strategy, de Michael Saylor, sinalizou que pode usar receitas em BTC para recomprar US$ 1,5 bilhão em notas conversíveis de 2029. Seria uma quebra histórica da política de nunca vender Bitcoin defendida por Saylor há anos.
O Coinbase Premium Index, métrica que mede a diferença de preço entre a exchange americana e plataformas globais, ajuda a desenhar o cenário. O indicador ficou negativo em 24 dos últimos 30 dias, e somente duas vezes em maio registrou valor positivo. Traduzindo, investidores americanos estão majoritariamente do lado da venda.
Em quatro pregões recentes, traders dos EUA despejaram US$ 1,34 bilhão em Bitcoin no mercado, reforçando o quadro de aversão ao risco entre players institucionais.
Leitura para o investidor brasileiro
O movimento da Trump Media expõe a fragilidade de teses baseadas em tesouraria corporativa de Bitcoin compradas em pico de ciclo. O modelo, popularizado pela Strategy, funciona enquanto o ativo sobe e o custo do capital permanece baixo. Quando a tendência inverte, dívidas conversíveis e ações diluídas amplificam o prejuízo.
Para o investidor brasileiro acostumado a operar via exchanges locais como Mercado Bitcoin, Foxbit e Binance Brasil, o sinal é importante. Vendas concentradas em tesourarias americanas pressionam a cotação global e se refletem no BTC em reais, que opera abaixo de R$ 410 mil distante dos R$ 700 mil registrados no topo de 2025. A correlação direta significa que cada onda de saída institucional nos EUA chega ao book brasileiro em questão de horas.
O paralelo histórico mais próximo é o ciclo 2021-2022, quando empresas como Tesla e Block reduziram exposição após acumular nas máximas. Naquela ocasião, vendas institucionais antecederam o fundo de US$ 15,4 mil em novembro de 2022. Analistas da CryptoQuant já apontam padrões técnicos semelhantes ao bear market anterior, o que coloca o atual movimento da Trump Media dentro de um quadro mais amplo de desalavancagem do setor corporativo.
O risco imediato é uma reação em cadeia, empresas com custo médio acima de US$ 100 mil podem ser forçadas a liquidar posições para cobrir prejuízos contábeis e cláusulas de covenants em dívidas conversíveis, criando pressão vendedora adicional sobre o BTC.