Trump diz não e desiste de lançar ETF de Bitcoin

  • TMTG retira da SEC pedidos de ETFs de Bitcoin, Ether e XRP
  • Truth Social cobraria 0,95% de taxa, bem acima de IBIT e FBTC
  • Crypto.com seria a custodiante dos fundos da marca Trump

A Trump Media & Technology Group (TMTG), holding por trás da rede Truth Social, retirou silenciosamente da SEC os pedidos de registro para uma família de ETFs cripto com a marca Truth Social. A medida sepulta produtos que prometiam exposição a Bitcoin, Ether e XRP sob o guarda-chuva do conglomerado ligado a Donald Trump.

Foram três registros derrubados de uma só vez. Um ETF de Bitcoin puro, um fundo multiativos cripto e uma estrutura adicional que comporia o portfólio digital da marca. A linguagem oficial é a de praxe em desistências regulatórias: o trust decidiu não prosseguir com a oferta neste momento.

O que a TMTG tentava montar

Bitcoin quantica

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O ETF de Bitcoin da Truth Social foi desenhado como um business trust em Nevada, com lastro majoritário no ativo e um mecanismo de resgate calibrado para investidores institucionais de grande porte. A Crypto.com aparecia nos documentos como prestadora de custódia e liquidez para pelo menos um dos veículos.

A taxa de administração proposta era o ponto mais sensível: 0,95% ao ano. Para efeito de comparação, o IBIT da BlackRock cobra 0,25% — e ainda oferece desconto promocional sobre uma faixa inicial de patrimônio. Assim, o FBTC, da Fidelity, opera em patamar semelhante. A diferença é gritante para qualquer alocador minimamente atento ao custo total.

Por que o timing foi cruel

O mercado de ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos consolidou-se em torno de dois nomes desde a aprovação em janeiro de 2024. BlackRock e Fidelity dominam o fluxo líquido, enquanto produtos menores penam para conquistar tickets relevantes. Assim, entrar nesse jogo cobrando quase quatro vezes a taxa da líder transforma o argumento de venda em pura lealdade política — não em mérito de investimento.

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Além disso, há outro detalhe que pesa. A retirada foi voluntária. Ou seja, a TMTG preferiu recolher os pedidos a aguardar revisões prolongadas ou eventual rejeição. Emissores associados a figuras politicamente expostas enfrentam camadas extras de escrutínio, algo que gestoras tradicionais simplesmente não precisam administrar. Mesmo com a SEC mais permeável à indústria cripto sob a atual gestão, o ônus reputacional permanece.

O que resta no tabuleiro

Assim, a Casa Branca tem feito gestos relevantes ao setor, como a recente ordem executiva que abre o Fed a empresas cripto. Ainda assim, isso não converte qualquer marca política em emissor competitivo. O mercado de ETFs spot premia escala operacional, taxa baixa e reputação de gestora — três atributos que a Truth Social não tinha condições de oferecer.

Enquanto isso, a fila por novos ETFs cripto segue movimentada, com Grayscale e VanEck disputando o produto de BNB e outras casas testando estruturas para Solana e XRP. O detalhe da retirada da TMTG pode ser consultado no sistema EDGAR da SEC.

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Sou jornalista com mais de 20 anos de trajetória, dedicando a última década exclusivamente ao mercado de criptomoedas e ativos digitais. Minha formação acadêmica inclui o bacharelado em Jornalismo pela FACCAMP e uma pós-graduação em Globalização e Cultura, o que me permite analisar o ecossistema cripto sob uma ótica macroeconômica e social. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de entrevistar figuras centrais da história contemporânea e da tecnologia, como Adam Back, Bill Clinton e Henrique Meirelles. Além da atuação na linha de frente da informação, acompanhei de perto as discussões que moldam o sistema financeiro global em fóruns multilaterais de alto nível, como o G20 e o FMI. Decidi migrar do setor público para o mercado de blockchain por convicção: acredito no potencial técnico e disruptivo dessa tecnologia para redesenhar o futuro da economia digital. Hoje, utilizo minha experiência para traduzir a complexidade deste mercado com rigor jornalístico e visão estratégica.