- Transações acima de US$ 1 milhão em XRP caem de 157 para 67 em nove dias
- Preço travado entre suportes de US$ 1,28 e resistência de US$ 1,45
- Perda do piso pode levar token à zona de liquidez em US$ 1,15
A movimentação de grandes carteiras no XRP desabou nos últimos nove dias e acendeu um alerta entre analistas técnicos. As transações superiores a US$ 1 milhão recuaram de 157 para 67, uma queda de 57,3%, segundo levantamento do analista de mercado Ali Martinez. O dado expõe uma retração brusca da atividade institucional no token da Ripple.
O recuo, à primeira vista, sugere demanda em queda. Mas a leitura técnica é outra. Quando players de grande porte reduzem o ritmo, a liquidez nas pontas se afina e o preço tende a se comprimir em faixas estreitas. É o cenário clássico que antecede movimentos direcionais mais amplos.
No momento, o XRP opera a US$ 1,34, ligeiramente acima de uma zona de decisão que vem sendo monitorada por traders desde a correção de fevereiro. O token oscila há semanas entre suportes técnicos e uma resistência que insiste em rejeitar tentativas de rompimento.
Zona de decisão entre suporte e resistência
O analista DavidTheBuilder destaca a faixa de US$ 1,28 a US$ 1,30 como piso crítico, mesma região que sustentou o ativo na correção do início do ano. Acima dela, o XRP mantém viés neutro. Abaixo, a estrutura curta inverte.
O teto, por sua vez, está em US$ 1,40 a US$ 1,45. Rejeições sucessivas nessa faixa vêm limitando o upside e transferindo o controle de curto prazo aos vendedores, mesmo sem confirmar um rompimento bearish completo. O cenário se desenha como equilíbrio tenso.
Dois caminhos estão na mesa. Se o suporte de US$ 1,28 segurar, há espaço para recuperação até US$ 1,40, com extensão potencial até a zona de US$ 1,60 a US$ 1,68. A perda desse piso, porém, abre uma queda direta até a região de liquidez entre US$ 1,15 e US$ 1,20, onde compradores estruturais costumam reaparecer.
A leitura combina com o comportamento histórico do ativo. Em ciclos anteriores, fases de baixa atividade de baleias precederam tanto rompimentos altistas quanto liquidações agressivas o gatilho costuma vir de fora, normalmente associado a notícias regulatórias ou movimentos macro. Para uma análise comparativa de potencial entre altcoins, vale conferir o comparativo entre XRP, Solana e BNB.
Contexto brasileiro e fluxo em ETFs
Para o investidor brasileiro, a compressão chega em um momento sensível. Cotado a aproximadamente R$ 7,40 nas principais exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit, o XRP segue entre os ativos mais negociados em reais, atrás apenas de Bitcoin, Ethereum e USDT. Movimentos bruscos no preço em dólar costumam amplificar a volatilidade local, especialmente quando combinados com oscilações cambiais.
O fluxo institucional também sinaliza apetite remanescente. Os ETFs spot de XRP captaram US$ 8,8 milhões recentemente, enquanto produtos de Bitcoin viam saídas líquidas. O contraste sugere que parte do capital institucional vê o atual nível de preço como oportunidade de acumulação o oposto do que indica a queda nas transações milionárias on-chain.
Esse descompasso entre fluxo via ETF e atividade direta de baleias é incomum. Normalmente, ambos andam juntos. A divergência atual pode indicar dois movimentos paralelos, capital institucional tradicional entrando via produtos regulados, enquanto carteiras nativas reduzem exposição direta possivelmente migrando para staking, derivativos ou simplesmente aguardando definição técnica.
O quadro de fundo macro também pesa. O mercado cripto opera sob pressão desde que o Fed reabriu a porta para alta de juros, com o Bitcoin mirando US$ 91 mil enquanto altcoins perdem força. O XRP, historicamente correlacionado com o BTC em fases de aversão a risco, tende a seguir a direção do líder de mercado quando a compressão técnica se resolve.