Mineradoras de Bitcoin viram ‘senhorias’ de energia da IA, diz Bernstein

  • Mineradoras fecharam 17 contratos de US$ 110 bilhões em dois anos
  • TeraWulf e Cipher recebem rating Outperform da Bernstein
  • Receita agregada com IA deve saltar de US$ 1,2 bilhões para US$ 10,7 bilhões

As mineradoras de Bitcoin deixaram de ser apenas máquinas de hash para se tornarem peça-chave da infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos. É o que sustenta um relatório publicado pela Bernstein, braço de pesquisa do Société Générale, que classificou as empresas do setor como as novas “power landlords” as senhorias da energia que alimenta a corrida da IA.

O documento inicia cobertura sobre duas companhias, TeraWulf (WULF) e Cipher Mining (CIFR), ambas com recomendação Outperform. A tese é simples, infraestrutura pronta reduz o tempo para ativar servidores, principal gargalo operacional da IA.

US$ 110 bilhões em contratos com hyperscalers

Os números reorganizam a leitura sobre o setor. Nos últimos dois anos, mineradoras assinaram 17 acordos avaliados em mais de US$ 110 bilhões, repassando cerca de 6 gigawatts de capacidade a clientes como Google, Amazon, Microsoft, Nvidia e CoreWeave. Esse volume representa aproximadamente 10% de todos os data centers de IA em construção nos EUA.

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O modelo predominante é o colocation, a mineradora entrega o galpão energizado o que Bernstein chama de warm powered shells e o hyperscaler instala suas GPUs. Os contratos são longos e do tipo take-or-pay, em que o cliente paga independentemente do uso. O modelo ganhou espaço no project finance, onde dívida estruturada cobre até 85% dos custos de construção.

TeraWulf e Cipher projetam margens acima de 80%

A Bernstein projeta que a receita agregada com IA das empresas cobertas saia de US$ 1,2 bilhão em 2026 para US$ 10,7 bilhões em 2030. A TeraWulf, sustentada por uma parceria com Fluidstack e Google, deve atingir US$ 1,7 bilhão em receita de IA até lá, com margem EBITDA próxima de 84%. A Cipher Mining, com carteira majoritariamente composta por hyperscalers, é projetada em US$ 1,2 bilhão, com margem perto de 93%.

O setor planeja, no agregado, um portfólio de 30 gigawatts de capacidade energética. Para efeito de comparação, é mais do que o consumo médio de países inteiros. A vantagem é estrutural, mineradoras já possuem conexão operacional à rede, enquanto novos data centers levam anos.

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WULF acumula 122% em 2026 mesmo com Bitcoin a US$ 63 mil

O movimento ajuda a explicar o descolamento das ações em relação ao preço do BTC. Em um dia em que o Bitcoin opera perto de US$ 63.360 queda de 3% em 24 horas, segundo cotação atual WULF acumula alta de cerca de 122% em 2026 e CIFR avança aproximadamente 69% no mesmo intervalo. A receita recorrente de IA tem peso maior no múltiplo do que a receita variável da mineração.

Para o investidor brasileiro, a leitura é dupla. Empresas antes vistas como proxies do Bitcoin passam a exibir receitas mais previsíveis e menor volatilidade relativa. Segundo, abre-se um vetor de exposição indireta ao ciclo de IA via ações listadas na Nasdaq algo acessível por BDRs ou contas internacionais, em um momento em que a B3 ainda discute regras para fundos cripto e o Banco Central aperta a auditoria de exchanges locais.

Vale o contraste com outras teses do setor. Enquanto a Strategy enfrenta pressão após vender BTC e veículos como a Hyperscale Data ampliam tesouraria em Bitcoin, mineradoras como TeraWulf e Cipher seguem outro caminho: monetizam o ativo físico a energia em vez de empilhar BTC no balanço. O relatório da Bernstein chega no momento em que executivos de tecnologia tratam a interconexão elétrica como recurso tão estratégico quanto chips Nvidia.

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Entusiasta de criptomoedas e tecnologia. Sempre explorando novas tecnologias inovadoras. Nos momentos livres, gosto de jogar e assistir futebol.