- USD1 deve gerar US$ 150 milhões em lucro durante 2026, projeta Bloomberg
- Binance concentra cerca de 87% de toda a oferta da stablecoin
- Família Trump detém 40% da World Liberty Financial e três quartos das receitas
A USD1, stablecoin lançada em março de 2025 pela World Liberty Financial, virou uma das operações mais lucrativas do setor cripto em pouco mais de um ano. Projeção da Bloomberg estima que o ativo deve gerar cerca de US$ 150 milhões em lucro apenas em 2026, com a família de Donald Trump ficando com a maior parte desse fluxo.
O modelo é simples e replica o que Tether e Circle já provaram funcionar em escala. Cada token emitido tem lastro em dólares e em fundos do mercado monetário americano. Quanto mais USD1 circula, maior fica a reserva e maior o rendimento que a emissora embolsa com os juros pagos pelos títulos do Tesouro dos EUA.
Binance concentra 87% do supply
O detalhe que diferencia o caso da usd1 é a dependência quase total de uma única exchange. Aproximadamente 87% de toda a oferta circulante da stablecoin está dentro do ecossistema da Binance. Nove a cada dez tokens existem hoje sob custódia ou em carteiras de usuários da corretora.
Essa concentração não foi acidente. A World Liberty Financial e a Binance criaram programas de rendimento para USD1, com incentivos válidos durante 2026. O objetivo é claro: tirar liquidez de USDT e USDC e direcionar usuários ao token recém-criado.
O salto definitivo veio em maio de 2025, quando a firma de investimentos MGX, sediada em Abu Dhabi, usou a USD1 para liquidar um aporte de US$ 2 bilhões. A operação multiplicou a circulação do token de uma só vez e consolidou a Binance como canal primário de distribuição. Para efeito de comparação, esse valor sozinho representa fração relevante do supply atual do ativo.
Família Trump fica com 40% do negócio
A engenharia societária da World Liberty Financial direciona praticamente toda a rentabilidade para o entorno presidencial americano. Pessoas ligadas à família Trump controlam cerca de 40% da empresa e recebem 75% de determinadas receitas do grupo.
Somando a participação na emissora da stablecoin e os tokens WLFI, a fortuna familiar cresceu mais de US$ 1 bilhão. A companhia havia começado posicionada como projeto de finanças descentralizadas antes de migrar o foco para a stablecoin lastreada em dólar.
Perdão a CZ acende alerta de conflito
O vínculo entre a Binance e a Casa Branca ganhou destaque após Trump conceder perdão presidencial a Zhao. O gesto coincidiu com o aprofundamento da parceria comercial entre a exchange e a World Liberty Financial, levantando questionamentos sobre uso do cargo para favorecer empreendimentos familiares enquanto o Congresso discute o marco regulatório das stablecoins, dentro do pacote do CLARITY Act no Senado.
Para o investidor brasileiro, o caso importa por dois motivos diretos. A USD1 negocia na Binance, tornando usuários brasileiros mais expostos a eventuais mudanças regulatórias nos Estados Unidos. Segundo, a concentração em uma única corretora é um risco operacional pouco usual entre stablecoins relevantes USDT, da Tether, e USDC têm distribuição pulverizada entre dezenas de plataformas e protocolos DeFi.
A projeção de US$ 150 milhões da Bloomberg assume que a trajetória atual de crescimento se mantém. Se a parceria com a Binance esfriar, se reguladores americanos avançarem contra a estrutura societária, ou se a MGX e outros grandes detentores reduzirem posições, o lucro estimado encolhe na mesma velocidade em que foi construído.