BlackRock lança ETF BITA de Bitcoin com renda mensal na Nasdaq

  • BITA estreia na Nasdaq combinando IBIT e BTC à vista no portfólio
  • Fundo vende opções de compra sobre até 35% das posições mensalmente
  • Rendimento projetado fica entre 15% e 19% ao ano em dólar

A BlackRock colocou em operação nesta terça-feira (16) um novo produto voltado a investidores que querem exposição ao Bitcoin sem abrir mão de fluxo de caixa. O iShares Bitcoin Premium Income ETF, negociado na Nasdaq sob o ticker BITA, troca parte da valorização do ativo por prêmios mensais em dinheiro.

O desenho é simples no conceito, sofisticado na execução. O fundo divide o portfólio entre Bitcoin à vista e cotas do iShares Bitcoin Trust (IBIT), hoje o maior ETF spot do mundo, com US$ 48,6 bilhões em ativos. Sobre até 35% dessa carteira, a gestora vende opções de compra (calls) todo mês. O dinheiro arrecadado com os prêmios vira distribuição direta ao cotista.

Matemática do BITA retém 70% do upside

Robert Mitchnick, chefe de ativos digitais da BlackRock, descreveu o produto como um híbrido de exposição. Em entrevista ao Decrypt, ele resumiu a equação atual: cerca de 70% de retenção do ganho do IBIT combinado a um yield na casa dos 15% a 19% ao ano.

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A conta funciona porque a volatilidade implícita do Bitcoin mantém os prêmios das opções em patamares elevados. Quanto mais o mercado paga para apostar em movimentos bruscos, maior o cheque mensal que o BITA consegue cortar. Em compensação, se o BTC disparar acima do strike das opções vendidas, parte do rali fica com quem comprou as calls — não com o cotista.

A BlackRock também sinalizou um detalhe tributário relevante para o mercado americano. Segundo a gestora, os ganhos com prêmios de opções recebem um tratamento misto favorável de impostos, atributo que costuma pesar nas alocações de family offices e RIAs nos Estados Unidos.

Alvo são seguradoras e fundos de pensão

Mitchnick foi explícito sobre o público que a casa quer destravar. Seguradoras, fundos de pensão e consultores financeiros sempre tiveram dificuldade de aprovar Bitcoin em comitê justamente por ele não pagar nada — ao contrário de títulos de renda fixa ou ações de dividendos. Um produto que entrega cupom mensal em dólar, ainda que sintético, contorna boa parte dessa barreira institucional.

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A leitura editorial é que o BITA não compete com o IBIT, e sim com produtos como covered call ETFs de S&P 500 e Nasdaq, que viraram febre entre boomers americanos buscando renda. Trazer essa lógica para o Bitcoin amplia o pool de capital disponível ao ativo — algo que pode reforçar a tese de fundo do retorno gradual da demanda institucional após meses de saques.

Goldman e NEOS correm pelo mesmo nicho

A BlackRock pediu o registro do BITA em janeiro, e o aval da SEC saiu este mês. O concorrente mais direto é o NEOS Bitcoin High Income ETF, lançado em 2024 e que cobra taxa de administração mais alta. Em abril, o Goldman Sachs protocolou pedido para um produto com estrutura semelhante, sinal de que Wall Street enxerga apetite genuíno por renda atrelada a cripto.

Mitchnick também descartou um BITA versão Ethereum. A justificativa é prática: a BlackRock já oferece ETFs spot de ETH com staking, que entregam yield nativo do protocolo. “Por mais bem-sucedidos que sejam nossos produtos de Ethereum, o Bitcoin está em outro nível”, afirmou. “A demanda do cliente é muito maior, então a oportunidade de construir produtos adjacentes ao BTC é maior do que para qualquer outro cripto.”

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Investidor brasileiro fica de fora por enquanto

Para o investidor no Brasil, o BITA não está disponível diretamente em corretoras locais. O acesso depende de conta em corretora americana ou BDR — caminho ainda inexistente para esse produto específico. A CVM autoriza fundos brasileiros a alocarem em ETFs estrangeiros, mas a estrutura de covered call adiciona camada de complexidade tributária. Hoje o BTC é negociado a US$ 66.310, ou cerca de R$ 334,8 mil, e a referência de yield do BITA passa a ser observada por gestoras locais que estudam replicar a tese com derivativos na B3 e nas exchanges domésticas.

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Jornalista, assessor de comunicação e escritor. Escreve também sobre cinema, séries, quadrinhos, já publicou dois livros independentes e tem buscado aprender mais sobre criptomoedas, o suficiente para poder compartilhar o conhecimento.