- XRPL captou US$ 1,9 bilhões em ativos tokenizados nos últimos 90 dias
- Ethereum ficou em segundo com US$ 1,6 bi e Stellar somou US$ 1,4 bi
- Oferta de stablecoins no XRPL cresceu 22% em uma única semana
O XRP Ledger (XRPL) assumiu a dianteira na corrida pela tokenização de ativos do mundo real. Nos últimos 90 dias, a rede registrou US$ 1,9 bilhão em entradas líquidas de RWAs, segundo dados do painel público da RWA.xyz. O número coloca a blockchain ligada à Ripple à frente de redes consolidadas no segmento institucional.
O ranking é relevante porque mede fluxo líquido capital novo que entra descontadas as saídas. Em segundo lugar aparece o Ethereum, com US$ 1,6 bilhão. A Stellar soma US$ 1,4 bilhão, enquanto BNB Chain e Solana ficaram com US$ 848 milhões e US$ 611 milhões, respectivamente.
A leitura é direta, emissores de títulos, fundos de crédito privado e gestoras de commodities estão escolhendo o XRPL como destino preferencial para colocar produtos financeiros tradicionais on-chain. Não é mais um teste isolado. É uma migração de capital com volume mensurável.
Ripple amplia disputa com Ethereum na tokenização
O movimento marca uma virada de página para uma rede historicamente associada a pagamentos transfronteiriços. Por anos, o XRPL foi visto como infraestrutura de remessas. Agora, disputa com o Ethereum o título de plataforma preferida para tesourarias governamentais tokenizadas, crédito privado e fundos de renda fixa.
Os argumentos técnicos pesam na decisão dos emissores. Liquidação em segundos, custo por transação abaixo de um centavo de dólar e mais de uma década sem interrupções relevantes na rede. Para um gestor que precisa rodar milhões de operações por mês com investidores institucionais, esses pontos importam mais do que ecossistema DeFi.
O Ethereum mantém vantagens composabilidade, base de desenvolvedores e dominância em stablecoins. Mas o ritmo dos últimos meses mostra que o XRPL consegue conquistar mandatos quando o cliente prioriza eficiência operacional sobre flexibilidade de smart contracts. Charlie Lee, criador do Litecoin, já alertou que parte do entusiasmo com o setor é exagerada, mas os fluxos líquidos sustentam que há demanda real.
Oferta de stablecoins no XRPL cresce 22% em uma semana
O salto em RWAs vem acompanhado de outro indicador relevante. O XRPL entrou recentemente no top 15 de blockchains por oferta de stablecoins, depois de registrar alta de 22% na emissão em apenas sete dias. Quando stablecoins crescem rápido em uma rede, isso costuma sinalizar liquidez nova chegando ao ambiente.
É uma combinação que reforça a tese institucional. Capital tokenizado precisa de trilhos de liquidação em moeda digital estável para entrar e sair de posições. Sem stablecoins robustas, nenhum fundo de crédito privado consegue operar com eficiência on-chain.
O XRP é negociado a US$ 1,14 (R$ 5,88) nesta sexta-feira, com alta de 1,2% em 24 horas. Apesar do desempenho técnico modesto, o mercado segue acompanhando o duelo entre fluxos de ETFs e shorts alavancados no derivativo do ativo.
Banco Central debate stablecoins enquanto fluxo acelera
Para o investidor brasileiro, o avanço do XRPL em RWAs ocorre em um momento sensível para a regulação local. O Banco Central abriu consulta sobre stablecoins e prepara o arcabouço que vai definir como ativos tokenizados podem circular dentro do sistema financeiro nacional. A decisão do BC pode determinar se gestoras brasileiras poderão emitir cotas de fundos diretamente em blockchains públicas como o XRPL ou se ficarão restritas a redes permissionadas.
O movimento também conversa com o que ocorre fora. Filipinas, Hong Kong e União Europeia já estabeleceram caminhos para custódia bancária e emissão de tesouros tokenizados. O Brasil discute a regra enquanto US$ 1,9 bilhão entra em uma única rede em 90 dias.
Se a velocidade atual se mantiver, o XRPL pode encerrar 2026 com participação de mercado próxima da Ethereum em ativos tokenizados algo impensável há doze meses. A próxima leitura dos dados de fluxo definirá se essa liderança é cíclica ou estrutural.