- Bitcoin rompe US$ 60 mil e arrasta XRP, Ether e altcoins na sessão
- Liquidações somam US$ 657,31 milhões em 24 horas no mercado de derivativos
- Índice de Medo e Ganância da CoinGlass desaba para 18 em zona extrema
O mercado de bitcoin voltou a operar em pânico nesta quarta-feira. O ativo perdeu o piso psicológico de US$ 60 mil e arrastou consigo XRP, Ether e o restante das altcoins, em uma sessão marcada por aversão generalizada a risco. A queda alinhou cripto ao recuo das ações de tecnologia em Wall Street e reacendeu o debate sobre o papel do BTC como reserva de valor.
No momento da apuração, o Bitcoin era negociado a US$ 59.382, recuo de 2,9% em 24 horas. O XRP caíu para US$ 1,02, enquanto o Ether buscava suporte abaixo de US$ 1.560. Para o investidor brasileiro, isso significa um BTC cotado em torno de R$ 310 mil, com o dólar a R$ 5,20.
Liquidações passam de US$ 657 milhões em 24 horas
O movimento de venda detonou posições alavancadas em massa. Dados compilados pela CoinGlass apontam US$ 657,31 milhões em liquidações no mercado de derivativos cripto nas últimas 24 horas, com predominância de posições compradas. O número confirma um padrão recorrente do ciclo atual, cada perda de suporte técnico do BTC vem acompanhada de cascata em contratos perpétuos nas principais exchanges.
O sentimento também despencou. O Crypto Fear & Greed Index caiu para 18 pontos, mergulhando no território de “medo extremo”. É o pior nível registrado nas últimas semanas e replica o padrão observado em momentos anteriores de capitulação. Historicamente, leituras abaixo de 20 marcaram fundos locais em 2022 e 2023, mas também antecederam quedas adicionais quando ETFs spot operavam saída líquida exatamente o cenário atual, como mostram os saques recentes do IBIT.
Nasdaq puxa cripto para baixo com tombo da IA
A correlação com a bolsa americana voltou a falar mais alto. O Nasdaq Composite recuou 0,44% na sessão, com perdas concentradas nas gigantes ligadas a inteligência artificial e semicondutores. Oracle derreteu 5,68%. Nvidia e Microsoft fecharam em queda de 1,12% e 0,93%, respectivamente.
Até a SpaceX, uma das estreias mais aguardadas do ano em Wall Street, sofreu. A ação chegou a romper o preço de IPO de US$ 150 na terça-feira antes de se recuperar para US$ 155. O sinal incomoda quem aposta na narrativa de descorrelação: o BTC continua se comportando como uma ação de crescimento sob estresse, e não como ouro digital.
Bitcoin ainda negocia como ação de tecnologia
Analistas voltaram a apontar que o ativo, vendido originalmente como hedge contra o sistema financeiro, replica os movimentos do índice tecnológico em janelas de estresse. A leitura é coerente com a tese de Robbie Mitchnick, da BlackRock, que vê o boom de IA absorvendo capital que tradicionalmente fluiria para cripto. Enquanto a corrida por GPUs e infraestrutura de dados domina as alocações de fundos, o BTC perde apelo relativo.
No Brasil, a queda chega em um momento delicado para o investidor. O Banco Central elevou recentemente o IOF sobre operações com cripto via fintechs, encarecendo a entrada em ativos digitais. Exchanges locais como Mercado Bitcoin e Foxbit precisam absorver tanto a volatilidade do dólar agora em R$ 5,20 quanto a pressão vendedora sobre o BTC e o XRP, dois dos ativos mais negociados pelo público brasileiro.